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Negócios | 06/03/2017 | 16h00

PSA compra a Opel da GM por € 1,3 bilhão

Banco também foi comprado junto com BNP Paribas por € 900 milhões

PEDRO KUTNEY, AB, COM AGÊNCIAS

O Grupo PSA fechou com a General Motors a compra de sua subsidiária europeia Opel. O negócio já era esperado e foi oficializado pelas duas companhias na segunda-feira, 6, envolvendo € 2,2 bilhões. O grupo francês dono das marcas Peugeot, Citroën e DS vai pagar à GM € 1,3 bilhão pelas operações automotivas da alemã Opel, que também incluem as fábricas da inglesa Vauxhall. Além disso, vai adquirir participação de 50% na GM Financial da Europa, por meio de associação com o banco francês BNP Paribas, que ficará com os outros 50% da financeira, em transação de € 900 milhões divididos em partes iguais pelos dois compradores (leia aqui). O valor total a ser desembolsado no negócio em dinheiro e ações pela PSA é de € 1,75 bilhão.

Em termos de volumes, a compra adiciona em torno de 1 milhão de carros às vendas de 2 milhões/ano da PSA no mercado europeu, consolidando assim a posição de segunda maior empresa automotiva da Europa, com participação de 17% – atrás somente do Grupo Volkswagen que tem 24%.

A aquisição, que deverá ser aprovada formalmente até o fim deste ano pelos acionistas de ambas as companhias e pelas autoridades de regulação de mercado nos países envolvidos, envolve todas as operações automotiva da Opel/Vauxhall, incluindo seis fábricas de montagem de veículos e cinco de produção de componentes, além de um centro de engenharia em Rüsselsheim, sede da Opel na Alemanha, que no total empregam hoje cerca de 40 mil pessoas. A GM ficará somente com um escritório de engenharia em Turim, na Itália.

Com a Opel/Vauxhall, aumenta de 17 para 28 o número de plantas administradas pela PSA em nove países europeus, inaugurando a presença industrial do grupo francês em cinco países: Alemanha, Áustria, Polônia, Hungria e Inglaterra. A PSA poderá seguir vendendo a linha atual de veículos da fabricante alemã até que todas as plataformas sejam gradualmente substituídas por modelos do grupo francês.

A PSA busca com o negócio aumentar sua escala de produção e obter economias em manufatura, compras e pesquisa e desenvolvimento, em sinergias que segundo estimativas do grupo podem somar € 1,7 bilhão por ano em 2026, boa parte desse valor obtido a partir de 2020. “Já criamos juntos produtos vencedores para o mercado europeu – GM e PSA mantêm desde 2011 um acordo operacional na Europa para dividir a fabricação de alguns SUVs e minivans – e sabemos que Opel/Vauxhall é o parceiro certo. Vemos (a compra) como uma extensão natural de nosso relacionamento e estamos ansiosos para levar isso ao próximo estágio”, disse Carlos Tavares, presidente da PSA, durante o anúncio da aquisição na sede mundial do grupo em Paris, França.

FUGA DO PREJUÍZO

Para a GM a venda tira de seu balanço anos de perdas na Europa: de 2015 para 2016 o prejuízo operacional da subsidiária foi reduzido de US$ 900 milhões para US$ 300 milhões – segundo a GM, o resultado seguiu no vermelho por causa do Brexit, a votação que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia e desvalorizou a libra esterlina, custando algo como US$ 300 milhões à Opel/Vauxhall, o que impediu a divisão de chegar ao equilíbrio financeiro, como estava previsto.

Por isso, de imediato, a compra puxa para baixo o desempenho financeiro do Grupo PSA, que após três anos de prejuízo voltou ao lucro nos últimos dois, apurando em 2016 ganho líquido de € 2,15 bilhões e a maior margem operacional de sua história, de 6% sobre o faturamento de € 54 bilhões. A Opel/Vauxhall gerou de € 17,7 bilhões no ano passado e assim aumenta as receitas do grupo francês, mas reduz a margem para menos de 4%, segundo especialistas.

Mas a longo prazo a PSA confia que as economias de escala e sinergias compensem as perdas iniciais. “Confiamos na aceleração significativa da recuperação da Opel/Vauxhall graças ao nosso apoio, e respeitamos os compromissos que a GM assumiu com os funcionários da Opel/Vauxhall”, acrescentou Tavares. A expectativa é que a empresa adquirida alcance margem operacional de 3% em 2020 e de 6% em 2026.

Também de imediato, a transação traz alívio financeiro à GM e deve melhorar ainda mais seu desempenho financeiro, que já acumula ganhos recordes nos últimos três anos. Segundo a companhia, a venda da Opel aumenta o lucro operacional, diminuiu os riscos no balanço e reduz as exigências de alocação de capital em cerca de US$ 2 bilhões – que deverão ser usados para recompra de ações, com consequente valorização dos papéis.

COOPERAÇÃO CONTINUA

“Juntos, GM, Opel/Vauxhall e PSA, criamos uma nova oportunidade de melhorar o desempenho de longo prazo de nossas companhias. Para a GM [este negócio] representa um grande passo no trabalho em curso que é o de melhorar nossa performance e continuar entregando resultados consistentes aos acionistas”, declarou Mary Barra, CEO da GM. “Acreditamos que este novo capítulo coloca Opel e Vauxhall em uma posição mais forte. Esperamos aproveitar o sucesso futuro e a forte geração de valor da PSA por meio de nossa participação (acionária) e colaboração contínua nos projetos atuais e novos”, acrescentou.

A GM participará dos possíveis ganhos porque, como parte do pagamento pela venda da Opel, receberá € 650 milhões em garantias de compra de ações da PSA, equivalentes hoje a 4,2% do capital total da companhia, mas sem direito a voto nas decisões administrativas. A transação tem prazo de maturação de nove anos, mas a GM pode exercer seus diretos totais ou parciais a partir de cinco anos.

GM e PSA vão continuar a colaborar no desenvolvimento de tecnologias de eletrificação e acordos de fornecimento para a Holden e alguns modelos Buick (ambas marcas da GM). No longo prazo a PSA também poderá comprar células de combustível (gerador a hidrogênio para carros elétricos) que estão sendo desenvolvidas por uma joint venture criada para esse fim pela GM e Honda.

A GM seguirá administrando parte dos fundos de pensão dos funcionários da Opel/Vauxhall na Europa e Reino Unido, mas passará para a PSA o German Actives Plan, da Alemanha, e alguns outros menores. A GM pagará € 3 bilhões para transferir essas obrigações à PSA.



Tags: Grupo PSA, Opel, Vauxhall, General Motors, GM, Peugeot, Citroën, compra, aquisição, venda, associação, financeira, BNP Paribas.

Comentários

  • Carlos Silva

    Ao comprar o controle societário da alemã Opel (por conseguinte, da britânica Vauxhall), a PSA Peugeot Citroën mostra que é, de fato, a melhor montadora da atualidade. Nem as japonesas Toyota e Honda conseguiriam tal feito. Aliás, essas duas nunca foram capazes de comprar o controle acionário de nenhuma montadora estrangeira e só vendem bem nos EUA e na Ásia. O grupo francês PSA tem belos carros e tecnologia refinida, muito a frente das rivais Fiat, Kia, VW, GM, Tata etc. Lembrando que os franceses da PSA Peugeot Citroën ainda estão de olho na Proton da Malásia.

  • Olavo Alves

    A PSA Peugeot Citroën está de parabéns pela ótima aquisição, mas acho que ela deveria comprar, também, a alemã Volkswagen e a norte-americana Ford Motor Company. A França tem, realmente, as melhores fabricantes de carros do mundo!

  • José Carlos de Almeida

    A francesa PSA Peugeot Citroën é a montadoras mais agressiva e competente do momento, aumentando o seu excelente portfolio de produtos com a compra da Opel/Vauxhall. E ainda tem gente que acha que a Toyota é a melhor...

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