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Indústria 4.0 deve ser contemplada em nova política automotiva

Legislação | 07/03/2017 | 17h13

Indústria 4.0 deve ser contemplada em nova política automotiva

Continuidade do Inovar-Auto é debatida entre entidades e governo

GIOVANNA RIATO, AB

A discussão sobre a política automotiva que dará continuidade ao Inovar-Auto avança no governo federal. Quem garante é a Anfavea, entidade dos fabricantes de veículos, que admite estar trabalhando para que o programa inclua algum incentivo para a evolução local da Indústria 4.0, ou Internet Industrial, conceito que abrange conectividade, automação, uso de dados e de internet das coisas (IoT) para aumentar a eficiência das fábricas.

- Veja aqui os resultados da indústria no 1º bimestre
- Veja outras estatísticas em AB Inteligência

“A tecnologia industrial avança globalmente e precisamos garantir que evolua também no Brasil, senão teremos fábricas e produção defasadas”, apontou Antonio Megale, presidente da Anfavea, em coletiva de imprensa na terça-feira, 7, para apresentar os resultados do setor automotivo (leia aqui).

A AEA, Associação de Engenharia Automotiva, concorda que garantir a inserção do País no cenário da Indústria 4.0 é uma prioridade. A partir deste ano o assunto passou a integrar a agenda da entidade, que oferece consultoria técnica para que o governo desenvolva a legislação e a política industrial para o setor automotivo.

Além do estímulo à Indústria 4.0, desde o ano passado a Anfavea defende a necessidade de incluir no programa medidas de apoio à cadeia de autopeças, incentivo à engenharia, pesquisa e desenvolvimento, além de novas metas de eficiência energética. A ideia também é assegurar mais previsibilidade para que as empresas se adequem, com políticas que tenham efeito por pelo menos 10 anos (leia aqui).

O QUE JÁ ESTÁ EM NEGOCIAÇÃO PARA A NOVA POLÍTICA INDUSTRIAL

Com exceção das medidas para o avanço da Indústria 4.0 defendidas por Megale, as outras iniciativas previstas para a sequência do Inovar-Auto já são consenso entre entidades do setor. Desde o ano passado o Sindipeças defende a necessidade de desenhar ações de apoio às empresas da cadeia produtiva, que devem sair ainda mais enfraquecidas da crise no mercado de veículos. A organização que representa o setor de autopeças também apoia a definição de novas metas de eficiência energética que seriam essenciais para que os veículos nacionais garantam competitividade em outros mercados.

Margarete Gandini, diretora do Departamento de Indústrias de Transporte do Ministério da Indústria, Serviços e Comércio Exterior (MDIC), anunciou em setembro de 2016 que o governo está empenhado em “construir propostas a partir de resultados que já temos. Estamos avançando em eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento; por isso os veículos que rodavam no País em 2012 já não são os mesmos de hoje. O abismo tecnológico não existe mais. Mas não avançamos o quanto gostaríamos no adensamento da cadeia produtiva”, apontou durante o Simea (leia aqui).

A AEA concorda que estes serão os pilares da política industrial, mas alerta que as medidas não poderão anunciadas como um só pacote, como aconteceu com o Inovar-Auto. “A ideia é definir alguns aspectos, como segurança e eficiência energética, e ir regulamentando aos poucos, como algo permanente”, declarou Edson Orikassa, presidente da entidade, em dezembro de 2016 (leia aqui).

Dessa forma, o Brasil escapa ainda da imagem negativa que o Inovar-Auto passou a ter internacionalmente depois da condenação do programa pela OMC, Organização Mundial do Comércio. A entidade considera o regime automotivo brasileiro protecionista por impor 30 pontos adicionais no IPI dos carros importados e por conceder incentivos às companhias que fabricam localmente.

Confira na reportagem abaixo da ABTV o balanço dos resultados da indústria automotiva no 1º bimestre do ano:



Tags: Indústria 4.0, política automotiva, Inovar-Auto, Anfavea.

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