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14/03/2017 | 20h00

Lançamentos

WR-V é hatch alto com cara e preço de SUV

Honda oferece entrada no segmento por R$ 79.400 a R$ 83.400


PEDRO KUTNEY, AB | De Foz do Iguaçu (PR)

Antes mesmo de lançar em 2015 o seu utilitário esportivo (SUV) urbano pequeno fabricado no Brasil, o HR-V, a Honda já vislumbrava a possibilidade de descer mais um degrau no mais festejado segmento do mercado brasileiro, para capturar clientes em uma faixa que triplicou de tamanho nos últimos anos e chega hoje a quase 20% das vendas de veículos no País. Assim nasceu o primeiro esboço do WR-V, que durante quatro anos foi desenvolvido sobre a plataforma do hatch Fit, e chega no fim deste mês às concessionárias. Executivos da área comercial da Honda estimam que o WR-V será para muitos brasileiros a “porta de entrada” no segmento de utilitários esportivos e da marca. “O carro foi pensado para ser o primeiro SUV do cliente”, afirma Luís Kuramoto, líder geral do projeto WR-V, o primeiro modelo inteiramente projetado pelo centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda do Brasil. “No desenvolvimento do HR-V, por meio de pesquisas, já percebemos que havia espaço para um SUV menor”, lembra.

Embora a fabricante tenha feito um bom trabalho de design e na suspensão para conferir qualidades de SUV ao modelo, para assim diferenciá-lo de uma versão cross do Fit, por suas dimensões o WR-V ainda lembra muito um hatch com altura do solo aumentada. Mas os preços são de um SUV legítimo, em apenas duas versões: EX por R$ 79.400 e EXL por R$ 83.400, ambas equipadas com o bom motor flex 1.5 de 116 cavalos (etanol) ou 115 (gasolina), com câmbio automático CVT – não há opção de transmissão manual.

Com esses valores, o WR-V revela seu último segredo desde que fez sua estreia mundial no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado. Ele é mais caro do que outros SUVs maiores disponíveis com câmbio manual e fica próximo de versões automáticas, inclusive do próprio Honda HR-V, cuja primeira opção CVT parte de R$ 86.800. Para superar preços tão altos quanto a suspensão elevada do modelo e vender estimadas 17 mil unidades por ano, a Honda aposta na boa reputação que construiu sobre a confiabilidade de seus carros, além do apelo SUV que vem conquistando os consumidores, com a oferta de altura maior do solo para melhor enfrentar as imperfeições viárias brasileiras, a sensação de segurança na posição de dirigir mais alta, com boa visibilidade e espaço interno bastante confortável para quatro ocupantes.

A novidade também terá espaço em outros mercados, os chamados emergentes. Neste mês o WR-V começa a ser produzido pela Honda na Índia. Do Brasil existe a perspectiva de exportar o carro para outros países sul-americanos. “É uma boa oportunidade. O WR-V deverá ser bem aceito em lugares que tenham condições parecidas com as ruas e estradas brasileiras, que favorecem a suspensão mais elevada”, avalia Paulo Takeuchi, diretor de relações institucionais da Honda do Brasil. Segundo ele, ao menos por enquanto, a produção do novo modelo em Sumaré (SP) não deverá ser suficiente para justificar a inauguração da fábrica de Itirapina, também no interior paulista, que está pronta há mais de um ano à espera de um mercado melhor. “Seria necessário produzir lá pelo menos 60 mil unidades/ano para justificar a abertura”, calcula Takeuchi.



CARO, MAS BEM EQUIPADO

As duas versões do WR-V têm pacote de equipamentos bastante completo, a começar pelo câmbio CVT de série em ambas, incluindo ainda rodas de liga leve 16 polegadas, para-brisa degradê e vidros verdes com filtro UV, rack de teto, faróis de neblina, luzes diurnas (DLR) de LED, direção elétrica, freios com ABS/EBD, piloto automático (cruise control), câmera de ré, acionamento elétrico de vidros, travas e retrovisores, ar-condicionado, volante revestido em couro com controles de áudio e sistema de som com quatro alto-falantes e conexão Bluetooth para celular, além de sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis no assento traseiro. A versão mais cara EXL acrescenta o sistema multimídia com navegador por GPS e tela sensível ao toque de 7 polegadas, além de airbags laterais e cortina (que se juntam aos frontais obrigatórios por lei, totalizando seis bolsas de ar).

Com tudo isso e por esses preços, faltou o sistema eletrônico de controle de estabilidade (ESC), que melhor bastante a segurança, especialmente de carros com altura elevada e centro de gravidade mais alto. Diz a Honda que em desenvolvimento futuro o ESC poderá ser incorporado ao seu “suvinho”.

O porta-malas de 363 litros está acima da média da maioria dos hatches compactos, mas esse volume aumenta para pouco mais de mil litros com o bem bolado sistema Ultra Seat (também presente no Fit e HR-V), que permite o rebatimento dos bancos traseiros (tanto os encostos quanto os assentos) e do encosto dianteiro do passageiro para abrigar até uma prancha de surf no interior do veículo.

TRANSMUTAÇÃO SUV


O novo padrão do tecido dos bancos com apliques em laranja deram um tom mais quente ao interior do WR-V, que usa o mesmo painel do Fit

O WR-V foi concebido, segundo Kuramoto, em torno do conceito little giant, ou “pequeno gigante”, com base em uma carroceria compacta com generoso espaço interno, algo fundamental para um SUV que queira usar esse nome. “O carro precisava ser gigante em versatilidade, apresentar boa performance e ter design robusto”, explica o líder do projeto.

O desenho externo é a primeira grande diferença do WR-V para o Fit. O designer japonês Keisuke Nakamura abusou dos vincos pronunciados e contornos afiados para transmitir robustez – outra qualidade fundamental de um SUV, mesmo que seja do tipo míni. “O objetivo foi conferir um olhar vigoroso e inquebrável a uma carroceria compacta”, diz.

O líder de design interno Edison Matsuzake conta que o principal desafio era superar um interior sem emoção, bancos comuns e espaço apertado da maioria dos carros dessa categoria. Por dentro, o WR-V tem painel e quadro de instrumentos igual ao do Fit, sem grandes luxos. Para diferenciar o modelo foram aplicados alguns detalhes prateados. A principal mudança foi no padrão do revestimento dos bancos, que também ganharam costura dupla aparente. O cliente pode escolher entre o comum preto e prata ou preto e laranja, que cria um ambiente mais colorido.

A segunda grande diferença do WR-V em relação à base do Fit foi o retrabalho do chassi, com ligeiro aumento de entre-eixo (2.555 mm) para garantir maior espaço interno (especialmente para quem vai atrás) e completa redimensionamento da suspensão, com bitola mais larga e travessas mais robustas. Este é o melhor resultado do desenvolvimento: o carro anda muito bem em pisos irregulares, absorvendo os impactos com pouca oscilação da carroceria e transmitindo pouco ruído para o interior. Os pneus Pirelli 195/60R16 conferem um rodar macio.

O conjunto do trem-de-força, com motor 1.5 e câmbio CVT iguais aos já utilizados pelo Fit, garante performance adequada ao WR-V, sem grande esportividade, mas de bom tamanho. Também ficou eficiente: o modelo garantiu nota A na medição do Inmetro na categoria de SUVs compactos, marcando consumo urbano de 8,1 km/l de etanol e 11,7 km/l de gasolina; na estrada o índice foi de 8,8 km/l e 12,4 km/l, respectivamente.



Assista abaixo reportagem da ABTV sobre o Honda WR-V:


Comentários: 1
 

GIAN
16/03/2017 | 11h03
UM CROSSFIT MAIS CARO PARA OS BRASILEIROS "RICOS" ... A INDÚSTRIA AUTOMOTIVA BRASILEIRA É UMA PIADA !!!!

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