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28/03/2017 | 22h06

Lançamentos

Ford Ka recebe papel em roteiro de aventura

Nova versão Trail parte de R$ 47.690 com motor 1.0 e terá também opção 1.5


MÁRIO CURCIO, AB | De Guarujá (SP)

Versão Trail 1.0 flex tem três cilindros e até 85 cavalos
O segmento aventureiro ainda tem alguma lenha para queimar no Brasil e em 2016 registrou 36 mil unidades vendidas, algo como 5% do mercado de carros compactos. É de olho nesse nicho que a Ford está lançando o Ka Trail. O modelo foi apresentado no Salão do Automóvel, em novembro de 2016. Com maior altura em relação ao solo e acabamento exclusivo por fora e por dentro, ele chega às revendas nos próximos dias, primeiro com motor 1.0 de três cilindros e preço sugerido de R$ 47.690.

Nas semanas seguintes receberá a opção 1.5 de quatro cilindros e 110 cv, com tabela de R$ 51.990. “Esperamos que o Ka Trail tenha pelo menos a mesma participação que outros desse segmento”, afirma o gerente de marketing de produto da Ford, Fernando Pfeiffer. Se alcançasse os tais 5%, a versão significaria cerca de 3,8 mil unidades em 12 meses, tomando por base as vendas do Ka hatch em 2016.

A Ford tenta encaixar o Trail no segmento aventureiro como opção mais acessível que os Chevrolet Onix Activ 1.4 (R$ 58.490), Hyundai HB20X 1.6 (R$ 59.645), Renault Sandero Stepway 1.6 (R$ 60,7 mil) e Toyota Etios Cross 1.5 (R$ 64.290). “Não incluímos o VW CrossFox entre os competidores porque seu preço inicial (R$ 68.790) está mais para nosso EcoSport (R$ 72,8 mil)", recorda Pfeiffer.

A receita para o Trail usa como base o Ka SE, que já vem com ar-condicionado, direção elétrica, travamento central das portas, coluna de direção ajustável, vidros dianteiros elétricos, central My Connection com comando de voz e banco traseiro bipartido.


Faixas decorativas e apliques na base dos para-choques são exclusivos da versão. Ela é produzida a partir do Ka SE e recebe sistema de áudio com comando de voz, ar-condicionado, direção elétrica e volante com ajuste de altura, entre outros itens.

A lista de itens exclusivos do Trail inclui novos componentes da suspensão, pneus de uso misto Pirelli Scorpion ATR, rack de teto, pedaleira de alumínio, soleira nas portas da frente, apliques nos para-choques dianteiro e traseiro, faróis com máscara negra e lanternas fumês, faróis de neblina, rodas de liga leve de 15 polegadas e bancos com filetes verdes e laranja, revestidos de tecido na parte central e couro sintético nas laterais.

O desenvolvimento da suspensão mais alta foi feito no campo de provas da montadora, em Tatuí (SP), e consumiu “alguns milhões de reais”, de acordo com a Ford: “Utilizamos molas mais altas, novos batentes de celasto e amortecedores mais longos”, afirma o gerente de desenvolvimento de produto, Gilberto Geri.

“Adotamos também uma barra nova estabilizadora traseira e um eixo traseiro mais resistente a torções. Para melhorar as respostas ao volante fizemos uma nova calibração da direção elétrica. O sistema ABS dos freios também foi revisto”, revela Geri.

A carroceria tem agora 200 milímetros de altura livre do solo, 31 mm a mais; 19 mm resultam da mudança nas molas e batentes e os outros 12 mm provêm dos pneus, que têm perfil mais alto. Os motores e transmissões não mudam em relação às demais versões. Além da Pirelli, outras empresas como Tenneco, Benteler, Bosch e TRW fornecem componentes desenvolvidos para essa nova versão.


Revestimento dos bancos tem couro sintético nas laterais e tecido no centro. Soleira nas portas da frente também acompanha a nova opção.

O trabalho feito pela montadora convence. Não há detalhes estéticos exagerados ou de mau gosto. As maçanetas, retrovisores e rodas têm acabamento cinza escuro, como gostam hoje os mais jovens. E o uso de cores no revestimento interno é em pequena quantidade. Renova o ambiente sem ser cansativo. Segundo a Ford, o tecido recebe tratamento que facilita a limpeza.

SUSPENSÕES SÃO DESTAQUE

Automotive Business dirigiu um Ka Trail 1.0 por cerca de 80 quilômetros em vias urbanas no Guarujá (SP). Como se esperava, o trabalho nas suspensões tornou o carro mais agradável de dirigir em ruas com pavimento ruim.

O acabamento plástico do painel e das portas condiz com a faixa de preço do carro. O sistema de áudio de série tem comando de voz e espaço próprio para fixação e conexão de smartphones (chamado My Ford Dock), o que elimina a necessidade de centrais multimídia com preço elevado.

As saídas de semáforo são um pouco lentas, mesmo quando se anda com o ar-condicionado desligado. O motor 1.0 de três cilindros da Ford gosta mesmo de trabalhar mais “aceso”, acima de 3,5 mil rpm. E o câmbio ajuda nisso, porque tem engates fáceis.

Na prova de eficiência energética o Ka Trail obteve a letra A em ambas as versões. Com etanol, o 1.0 fez 8,8 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada. Com gasolina conseguiu 12,5 km/l em uso urbano e 14,3 km/l em rodovia. Os números do 1.5 com etanol foram os seguintes: 7,5 km/l na cidade e 9 km/l na estrada. Com gasolina ele fez 10,8 km/l em uso urbano e 13,2 km/l em rodovia.

O espaço traseiro do Ka é aceitável, pelo menos para adultos com 1,70 metro. E o banco bipartido de série também é outra boa solução. No entanto, o porta-malas é menor que o de muitos concorrentes. Com 257 litros, perde para os dois carros mais vendidos do mercado. O Chevrolet Onix tem 289 litros e o Hyundai HB20, 300 litros.

Na lista de equipamentos de série faz falta o acionamento elétrico para os retrovisores e para os vidros traseiros.

Assista abaixo ao vídeo com o Ka Trail:


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