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25/04/2017 | 19h58

Trabalho

Metalúrgicos paralisam linhas de produção pelo País

Protestos são contra a reforma trabalhista, da previdência e terceirização


REDAÇÃO AB

Trabalhadores da GM em São José dos Campos atrasam o início do 1º turno de produção (Foto: Lucas Lacaz)
Os metalúrgicos de diversas fábricas atrasaram em pelo menos uma hora o início das atividades de algumas plantas no País na terça-feira, 25, em protesto contra as reformas trabalhista, da previdência e da terceirização. No ABC Paulista, os trabalhadores paralisaram as operações na Ford, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen por uma hora e meia na entrada do primeiro turno de produção.

Além destas, houve mobilização em montadoras de outras regiões, tais como General Motors (São Caetano/SP, São José dos Campos/SP e Joinville/SC), Toyota (Porto Feliz/SP), Volkswagen (São Carlos/SP), Mitsubishi (Catalão/GO), Jonh Deere (máquinas agrícolas – Catalão/GO), BMW (Araquari/SC), Chery (Jacareí/SP), além da Kanjico (sistemista de Sorocaba que atende a Toyota). Segundo o sindicato do ABC, também estavam previstas paralisações na Mercedes-Benz (Juiz de Fora/MG), Fiat (Goiana/PE e Campo Largo/PR) e Ford (Taubaté/SP).

Nas unidades do ABC, houve assembleias simultâneas que reforçaram a intenção da categoria em aderir à greve geral marcada para a próxima sexta-feira, 28. Na Volkswagen, a atividade foi conduzida pelo secretário-geral do sindicato local, eleito novo presidente da entidade para o próximo mandato, Wagner Santana. “O que sair de resultado das reformas valerá para o resto das nossas vidas. Portanto, vale a pena fazer esta luta. Vamos nos comprometer e assumir esta luta. Dia 28 é Greve Geral. Não é para trabalhar e não é para dar trabalho para ninguém, nem vir à fábrica”, disse.

Na Scania, o atual presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, reforçou: “A reforma trabalhista, que o governo pretende votar no congresso nos próximos dias, vai abrir caminho para os contratos parciais de trabalho, com jornada flexível e menor remuneração, que poderá tornar-se até mesmo o padrão de contratação no País. Vai permitir que patrões possam demitir trabalhadores sem necessidade de justificativa, aumentando a rotatividade no mercado de trabalho. Isso sem falar nos absurdos da reforma da previdência. Nunca foi tão necessária a mobilização dos trabalhadores e a união do movimento sindical brasileiro”, destacou.

Os dirigentes do sindicato também abordaram sobre a proposta que vem sendo construída pela entidade que visa uma negociação nacional com as montadoras com objetivo de evitar o que tem sido apontado como um “desmonte” da legislação e das convenções coletivas. “Estamos construindo primeiramente entre os parceiros do movimento sindical. Nós já temos cláusulas nas convenções coletivas das montadoras no estado de São Paulo que deixam claro o que pode ou não ser terceirizado. Mas com a nova lei, essa cláusula pode cair. Estamos conversando com as cinco centrais sindicais [CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas e Intersindical] sobre o estabelecimento de um contrato coletivo nacional com as montadoras, que deve incluir uma cláusula que impeça a terceirização indiscriminada nas montadoras e que pode também regular temas como jornada de trabalho, entre outros”, explicou Marques.

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