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Negócios | 26/04/2017 | 21h00

MAN: alta nas exportações e retomada na fábrica

Companhia aumenta o número de dias de trabalho na planta de Resende

GIOVANNA RIATO, AB

Ainda que nenhuma mudança consistente tenha acontecido nos últimos meses para o setor de veículos comerciais, a MAN Latin America começa a colher bons resultados dos esforços para exportar. No primeiro trimestre do ano os negócios internacionais da companhia tiveram incremento de 40%, com 1,7 mil caminhões e ônibus entregues a outros mercados. A internacionalização da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus recebe parte do investimento de R$ 1,5 bilhão anunciado para a operação local entre 2017 e 2021 (leia aqui).

“São os primeiros resultados da fase inicial do nosso projeto. O começo está em fortalecer os embarques a países onde já temos presença, depois vamos estruturar operações em CKD em alguns destes mercados, como a Nigéria, onde devemos inaugurar nos próximos meses uma linha de montagem. Num terceiro momento, o plano é se estabelecer em regiões onde ainda não estamos, como o Oriente Médio”, resume Roberto Cortes, CEO da companhia.

A maior parte das exportações feita no primeiro trimestre foi para Argentina (cerca 840 veículos), mas a empresa também intensificou as entregas para o México e vê com bons olhos a evolução da demanda do Chile e da África do Sul. A ideia é, pouco a pouco, fortalecer a presença em cada um dos 20 mercados para onde já exporta. “Uma coisa positiva da baixa do mercado interno é que conseguimos construir novos canais e manter condição perene de vendas para estas regiões. Há capacidade produtiva sobrando aqui”, diz. A fábrica da MAN Latin America em Resende (RJ) destina atualmente 25% de sua produção ao mercado externo.

RETOMADA DA PRODUÇÃO

Cortes admite que, mesmo com os negócios internacionais, a planta brasileira segue com cerca de 70% da capacidade produtiva ociosa, na média do segmento de veículos comerciais. Mas a nova demanda começa a fazer este quadro mudar. A empresa anunciou aumento da jornada de trabalho na unidade. Desde o começo de 2016 os funcionários não trabalhavam quatro dias por mês pelo Programa de Sustentação do Emprego, ou PSE (antigo PPE). Em abril a montadora reduziu para apenas dois o número de dias mensais de afastamento, aumentando para 20 a média de dias de trabalho.

A última vez que isso aconteceu foi em 2015, quando a empresa fez o primeiro acordo de redução da jornada de trabalho diretamente com o sindicato dos metalúrgicos da região, acertando dois dias mensais de afastamento.

MERCADO, ENFIM, DÁ SINAIS POSITIVOS

A decisão de trazer para mais perto da normalidade a jornada de trabalho em Resende também foi motivada por uma esperada melhora das vendas no mercado interno. “Eu acho que nem tenho muito o que falar do resultado do primeiro trimestre, que foi muito ruim. O importante é notar a melhora da média diária de vendas desde o início do ano”, enfatiza Cortes. Ele aponta que a demanda por caminhões avançou de 134 emplacamentos/dia em janeiro de 2017 para 181 veículos/dia em abril, até o dia 25, com alta mês a mês.

O executivo reconhece que esta sensível melhora ainda acontece sobre base fraca e que, com tanto feriados, o volume mensal segue baixo. Mas, para a empresa, começam a surgir sinais mais consistentes. No último dia 24 Cortes foi pessoalmente entregar um lote de 100 caminhões Constellation para a Braspress, cliente que só comprava veículos Mercedes-Benz. Para o dirigente da montadora o grande volume de veículos encomendado pela transportadora não é um ponto fora da curva, mas um marco da mudança de cenário.

“Os pedidos de frete começam a aumentar, mas além disso os transportadores precisam renovar porque é mais barato investir em um caminhão novo do que arcar com os custos de manutenção de um modelo com mais tempo de estrada”, diz. Segundo Cortes, nos tempos de mercado aquecido os grandes frotistas mantinham a idade média de seus caminhões próxima de dois anos e meio. “Agora já passou da hora de renovar porque as grandes compras foram feitas em 2011.

Para o executivo, o cenário para o País também começa a melhorar. “As medidas estruturais em que o governo está trabalhando dão um panorama positivo, a macroeconomia começa a reagir e as exportações também”, resume. Com isso, mesmo com a queda drástica e inesperada de 27% nas vendas de caminhões no primeiro trimestre do ano, ele acredita que será possível encerrar 2017 com crescimento, ainda que pequeno.

Como mais um impulso para a retomada que Cortes vislumbra, a MAN lança a ação Vem Que Tem Negócio, um feirão online com pacote de vantagens por período limitado, apenas para as compras feitas entre maio e junho. A montadora vai subsidiar os juros para financiamento pelo Banco Volkswagen a 0,99% ao mês, patamar mais baixo do que o de 1,17% a.m. do Finame/BNDES. Além disso, todo veículo comprado dentro do programa chegará ao cliente com wifi na cabine grátis por um ano.

“São condições muito competitivas”, resume Ricardo Alouche, vice-presidente de marketing, vendas e pós-venda da MAN Latin America. Os clientes vão buscar o caminhão em uma plataforma on-line, que vai consultar a disponibilidade do modelo nas concessionárias mais próximas. Para dar conta da demanda esperada, Alouche conta que a companhia formou mais estoques e está preparada para atender ao dobro da média atual de vendas.



Tags: MAN Latin America, exportação, produção, mercado, Roberto Cortes.

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