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Governo prepara programa de manufatura avançada para o 2º semestre

Legislação | 08/05/2017 | 16h40

Governo prepara programa de manufatura avançada para o 2º semestre

Iniciativa terá ações complementares ao Rota 2030, sucessor do Inovar-Auto

GIOVANNA RIATO, AB

Há três anos está em gestação no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) uma estratégia de manufatura avançada para o Brasil. A ideia é desenhar políticas para inserir as empresas nacionais no conceito de Indústria 4.0, para ganhar competitividade e compensar gargalos que o País enfrenta em áreas de infraestrutura e logística, por exemplo. “Devemos lançar isso no segundo semestre deste ano”, contou Marcos Vinícius de Souza, secretário de inovação do MDIC, que participou do Workshop Indústria 4.0 promovido por Automotive Business na segunda-feira, 8, em São Paulo.

“Precisamos entender o que é manufatura avançada para o Brasil. Não adianta copiar modelos”, defendeu. Para isso, o grupo de trabalho responsável por desenvolver a estratégia pesquisou o que outros países fazem para fomentar a evolução tecnológica da indústria. A ideia era conhecer os melhores modelos para, enfim, desenvolver um conceito adequado à realidade nacional. “É essencial que o governo estimule as empresas a trabalhar com novos modelos de negócio, a ser mais agressivas nesse sentido”, diz.

O programa é desenvolvido dentro do escopo da “Estratégia Digital Brasileira”, que engloba também um cronograma dedicado ao fomento local da Internet das Coisas (IoT). A Rota 2030, política industrial que dará continuidade ao Inovar-Auto a partir de 2018, terá sinergias com a iniciativa focada em manufatura avançada. “Há grupos de trabalho em comum nos dois programas”, diz. Souza aponta que a mudança de governo em 2016 não atrapalhou o desenvolvimento dos projetos, já que as equipes técnicas permaneceram as mesmas.

Segundo o secretário, a política deve passar por três aspectos. O primeiro está relacionado aos produtos, à entrega de itens manufaturados mais tecnológicos para os clientes. O segundo ponto, mais desafiador, é tornar as fábricas inteligentes. “Nesse caso não basta incorporar apenas uma tecnologia. É necessário integrar várias soluções para ter um sistema de produção eficiente.” O terceiro apoio deste tripé está no conceito de empresa inteligente, em que tanto a fábrica como a gestão e a operação usam recursos digitais para ganhar eficiência. “Este certamente é o maior desafio porque tem alta complexidade”, avalia.

O trabalho exige empenho. Souza cita pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria com 2,3 mil empresas de diversos setores no Brasil. No levantamento a entidade enumerada as 10 tecnologias mais básicas usadas pela indústria e questionava estas companhias sobre a aplicação destes recursos em suas operações, nem mesmo um programa de desenho industrial CAD/CAM. O dado impressionante é que 52% das empresas declararam não usar nenhuma das soluções mencionadas. “O setor automotivo isolado tem resultados melhores, mas isso quando falamos de empresas próximas das montadoras. Os elos mais distantes da cadeia de fornecimento nem sempre são assim.”

PLANO DE AÇÃO

Para desenvolver a estratégia de fomento à manufatura avançada o MDIC consultou 300 especialistas e pesquisou as necessidades da indústria. Surgiram conclusões importantes. “Percebemos que acesso à informação e à tecnologia são os maiores gargalos”, conta. Souza diz que a solução para isso está em desenvolver inteligência estratégica acessível e em rede, criando laboratórios multiusuários que as empresas possam acessar.

Outra conclusão do levantamento é que o governo precisa definir setores prioritários para trabalhar. “Temos que achar as indústrias de maior impacto e concentrar esforços porque não conseguiremos fomentar todas ao mesmo tempo”, observa. A área de recursos humanos também têm necessidades importantes, diz. “Há conhecimento técnico e sistêmico, mas as empresas apontam dificuldade para encontrar profissionais com habilidades comportamentais adequadas. Isso é algo que tem de ser trabalhado na educação. Não basta formar bons técnicos”, conclui.

Souza cita ainda a necessidade de atualizar a legislação trabalhista, que precisa ser menos onerosa e burocrática. “No conceito de manufatura avançada as pessoas vão poder trabalhar à distância, uma flexibilidade que não temos agora. Também há questões de segurança e de carga tributária em tecnologia”, resume.



Tags: indústria, manufatura avançada, indústria 4.0, MDIC, Workshop Indústria 4.0.

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