Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Empresas automotivas buscam a digitalização do trabalho
Fernando Aguirre, da KPMG, diz que a transformação dos próximos três anos será maior que a dos últimos 50 anos

Tecnologia | 22/05/2017 | 12h54

Empresas automotivas buscam a digitalização do trabalho

Automação e outras tecnologias reduzirão drasticamente o número de empregos

GIOVANNA RIATO, AB

As empresas precisam se preparar para um nova consequência da atual revolução industrial: a digitalização do trabalho. Quem avisa é Fernando Aguirre, sócio-diretor da KPMG e um dos palestrantes do V Fórum RH na Indústria Automobilística, evento realizado por Automotive Business na segunda-feira, 22. “Comecei a falar disso há uns três anos e parecia algo muito distante. Agora as companhias já começam a me procurar para se adaptar a este novo cenário”, diz. Segundo ele, as transformações motivadas pela tecnologia previstas para os próximos 10 anos devem superar a evolução registrada nos últimos 50 anos.

O especialista aponta que o trabalho digital combina soluções como big data, cloud computing, machine learning e inteligência cognitiva, que permitem que máquinas e computadores se aprimorem e tomem atitudes para resolver problemas. Ele cita o exemplo da plataforma Watson, da IBM, que vem sendo empregada nas mais variadas áreas, como direito, medicina e planejamento estratégico (leia aqui). “É a automatização de atividades que não precisam ser repetitivas, com o software ganhando espaço em funções analíticas. O Watson tem um banco de dados maior do que um ser humano e, portanto, é capaz de tomar decisões melhores em algumas situações”, conta.

Segundo o consultor, a digitalização do trabalho passa por três níveis. O primeiro é de automação simples, em que máquinas são programadas para cumprir determinada função. No nível dois o robô pode, por exemplo, ler um e-mail que alerta para um erro em um processo e tomar uma decisão a partir das informações contidas nele, corrigindo o problema. O nível três é o mais complexo, com computação cognitiva que permite ao sistema entender a linguagem plenamente e aprender a partir do processo. “Nós mesmos da KPMG estamos empregando o Watson em nossos serviços de auditoria”, conta.

Aguirre destaca que atualmente quase 50% das profissões já são afetadas pela tecnologia. “Até 2025 só um terço dos trabalhos que existem hoje continuarão existindo”, diz, citando estudo da McKinsey & Company. Aguirre aponta que essa transformação impacta todas as áreas da economia, incluindo o setor automotivo. “Estamos falando das mais diversas áreas, não só da automação das fábricas”, enfatiza, citando os departamentos jurídico e de finanças como exemplo.

EVOLUÇÃO JÁ COMEÇOU NO SETOR AUTOMOTIVO

Entre as vantagens da digitalização do trabalho, Aguirre cita a o aumento da qualidade, e a possibilidade de tirar as pessoas de funções consideradas chatas, além da redução de custos. “Robô não tira férias, não fica doente e nem tem licença-maternidade.” A Caoa está entre as empresas do setor automotivo que já atentaram para estas vantagens. “Já venho conversando a respeito com o sindicato da região onde está instalada a nossa fábrica, em Anápolis. É um caminho que teremos de seguir para garantir competitividade”, aponta Ivan Witt, diretor de recursos humanos e de compras da companhia.

Ele conta que tem tratado o assunto com total transparência com a entidade. “É preciso educar as pessoas para que elas se deem conta do desafio tecnológico que é a automação”, diz. Segundo ele, o empenho não está só na mudança da estrutura fabril, mas também no varejo. O Grupo Caoa tem 160 concessionárias espalhadas pelo Brasil e precisa acompanhar a digitalização deste modelo de negócio também, acredita. “É um ambiente muito dinâmico”.

Aguirre concorda que a transformação precisa acontecer em várias frentes de forma simultânea. “No nosso estudo GAES 2017, quase 50% dos entrevistados disseram que comprariam um carro autônomo de uma empresa do Vale do Silício. Isso quer dizer que estas companhias conhecem bem o consumidor e têm tratado ele da forma correta. É um modelo que as montadoras precisam buscar: vocês querem ser companhias focadas em ativos ou em fluxo de informação, com mais agilidade”, questiona, destacando que a desmaterialização é um caminho promissor.

FUNCIONÁRIOS TAMBÉM QUEREM EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Estudo da Deloitte feito globalmente com 10 mil pessoas mostra que as empresas ainda levam tempo demais para aderir às tecnologias mais recentes. “Primeiro chegam as novas ferramentas, depois as pessoas começam a usá-las e só mais tarde as empresas conseguem empregar estes recursos internamente, de forma bem mais lenta”, avalia Roberta Yoshida, sócia-líder da área de human capital.

Ela diz que as empresas precisam reduzir o abismo de adoção de novas tecnologias para tornar a gestão de pessoas mais eficiente. No levantamento da consultoria, 94% dos respondentes disseram que agilidade e colaboração são aspectos essenciais para as empresas. A questão é que só 6% dos entrevistados disseram que a companhia em que trabalham é ágil. “A área de RH precisa parar de reagir à mudança e passar a provocar a mudança”, defende.

Roberta conta que a pesquisa da Deloitte indicou as principais tendências para a gestão de pessoas. A primeira delas, diz, é a necessidade de construir organizações do futuro, com mais agilidade e capacidade de resposta. Em seguida aparece o esforço na aquisição de talentos, seguido da melhoria da experiência do funcionário – tendência muito forte no Brasil, destaca.



Tags: trabalho, digital, revolução digital, Fernando Aguirre, KPMG, Caoa, Fórum RH na Indústria Automobilística.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência