NOTÍCIAS
23/05/2017 | 17h51

Trabalho

Autopeças esperam dificuldades nas negociações de acordos salariais

Com inflação abaixo de 4%, sindicatos tendem a pedir reajuste maior


PEDRO KUTNEY, AB

Sigarini: inflação baixa e reajustes menores
Após dois anos de reajustes abaixo da inflação, o setor nacional de autopeças espera encontrar dificuldades para fechar os acordos salariais deste ano com as centrais sindicais. Isso porque a inflação medida pelo INPC deve ficar em torno dos 4%, índice bastante baixo, metade do verificado em 2015 e 2016, o que fará os sindicatos pedirem mais. “Uma coisa é negociar com INPC de 7% a 8%, outra é de 3% a 4%. Nossos trabalhadores acham pouco e há dificuldade em conceder qualquer aumento acima da inflação, nossos associados não aceitam nem pequenos arredondamentos para cima”, afirma Adilson Sigarini, diretor de RH da Thyssenkrupp Brasil e conselheiro diretor de relações trabalhistas do Sindipeças, que reúne cerca de 400 fabricantes de componentes no País.

Falando durante o V Fórum de RH na Indústria Automobilística (leia aqui), realizado por Automotive Business na segunda-feira, 22, em São Paulo, Sigarini mostrou o panorama que deve nortear as negociações do Sindipeças com as principais centrais sindicais do País. As principais datas-base, envolvendo maior número de empresas associadas ao Sindipeças, acontecem no segundo semestre, em setembro com os sindicatos de metalúrgicos ligados à CUT do ABC Paulista, além de Intersindical e Conlutas, principalmente no interior de São Paulo, e em novembro com a Força Sindical.

“Foram concedidos aumentos acima da inflação em sete dos 10 últimos anos, mas isso mudou a partir de 2014, sendo que em 2015 e 2016 concedemos reajustes de 8%, abaixo do INPC desses períodos”, lembra Sigarini. Após atingir 11,3% em 2015 e 6,6% em 2016, o INPC de 12 meses acumulado até abril passado já estava abaixo de 4%, foi de 3,98%, e a expectativa do Sindipeças é que se aproxime mais dos 3% em setembro próximo, quando estão programadas as principais negociações. “Vamos trabalhar com inflação baixa e a tendência é oferecer esse reajuste”, diz o conselheiro do Sindipeças, lembrando que não há espaço para repassar preços aos principais clientes das autopeças, as montadoras.

Outra tendência, segundo admite Sigarini, é tentar negociar com maior extensão. “Com a inflação mais baixa os acordos de dois anos são melhores, garante um horizonte de estabilidade. As montadoras já têm feito isso com competência e o setor de autopeças deve seguir esse caminho.”

NÍVEL DE EMPREGO

Segundo dados do Sindipeças, desde 2014 o nível de emprego encolheu significativamente nas fábricas de autopeças, de 205 mil empregados no fim daquele ano para 162 mil em 2016, com o fechamento de 43 mil vagas no período. “Esse número ainda não é proporcional à queda da produção que tivemos, que saiu de cerca de 3 milhões de veículos há dois anos para 2 milhões agora. Por isso este ano, mesmo com a pequena recuperação esperada, o nível de emprego deve andar de lado, com estabilidade”, avalia Sigarini.

O Sindipeças tem expectativa de que a produção de veículos este ano deve crescer apenas 3%, para 2,2 milhões de unidades, abaixo do que projeta a Anfavea, a associação dos fabricantes, que prevê 2,4 milhões, em alta de quase 12% sobre 2016. “Expansão de 2% a 3% é a nossa melhor percepção no mento, chegando a 2,5 milhões de veículos apenas em 2020. Portanto, vamos continuar em patamar muito abaixo da capacidade instalada do País (acima de 4 milhões/ano). A exportação deve ajudar, mas não é realidade em todas as empresas, muitas dependem essencialmente do mercado interno e vão ficar estagnados”, estima Sigarini.

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:


QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 13/12/2017
Requisitos de segurança têm de se adequar à realidade local de mercado

Esta coluna é apoiada por:

Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
INOVAÇÃO | 25/10/2017
Indústria precisa questionar qual será o seu papel no futuro
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
DE CARRO POR AÍ | 15/12/2017
Governo oferece incentivo para instalação de fábrica em Itumbiara
QUALIDADE | 01/12/2017
Envolver e motivar colaboradores é essencial para gerar bons resultados
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes
Novas palavras, expressões e siglas podem levantar dúvidas sobre o futuro
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
AUTOINFORME | 15/12/2017
Coreia constrói ambiente urbano planejado e inteligente
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018