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31/05/2017 | 20h00

Lançamentos

FCA aposta alto no Fiat Argo

Com quatro hatches, montadora espera retomar liderança de mercado


PEDRO KUTNEY, AB

A direção da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) aposta bem alto no retorno do igualmente alto investimento de R$ 1,5 bilhão feito para desenvolver e lançar o Fiat Argo, que começa a ser vendido esta semana no Brasil por preços que vão de R$ 46,8 mil a R$ 70,6 mil, substituindo o Punto (que saiu de linha) e as versões mais caras do Palio. “Agora temos quatro hatches bem posicionados e provavelmente vamos retomar a liderança de mercado”, afirma sem rodeios Carlos Eugênio Dutra, agora diretor de portfólio e pesquisa da FCA América Latina.

Pelos cálculos de Dutra, o segmento de hatches compactos – o maior do mercado brasileiro, onde se concentram mais da metade das vendas – tem atualmente tamanho de 80 mil unidades/mês e a Fiat espera abocanhar cerca de um quarto disso, contando com 6 mil emplacamentos do Argo por mês, além de outras 15 mil unidades do Mobi, Uno e Palio – este renovado pela última vez em 2012 e já bastante defasado, com a chegada do Argo passa a ser vendido só com motorização 1.0; basicamente será mais destinado a frotistas. “Nosso objetivo é ficar com pelo menos 20% dessa fatia de mercado”, diz o executivo.

Dutra mostrou que atualmente o segmento nacional de hatches é dividido em duas fatias desiguais, uma com modelos abaixo de R$ 45 mil que respondem por 40% das vendas, os outros 60% são carros acima dos R$ 46 mil, com forte domínio de Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Volkswagen Fox e Toyota Etios. “Na parte de baixo já estamos bem representados por Mobi, Uno e Palio, lideramos com 26% de participação. Na parte de cima agora temos o Argo com configurações muito competitivas”, destaca Dutra.

QUALIDADES



O desenvolvimento do Argo contou com cuidados refinados, antes pouco usuais na companhia. Internamente, ele é tido como o carro de maior qualidade já feito nos 40 anos de história da Fiat em Betim (MG), com a ambição de ser o melhor hatch compacto do País. “O investimento no Argo é relevante porque engloba não só o veículo em si, mas toda sua base produtiva, com a completa modernização da fábrica brasileira”, enfatiza Stefan Ketter, presidente da FCA Latam. Com o modelo, foram introduzidos novos modelos de desenvolvimento e manufatura, em linha com as melhores práticas mundiais (leia aqui). Houve também forte trabalho com fornecedores, que garantiu o alto índice de 93% de nacionalização do Argo desde seu nascimento – porcentual raro no cenário atual da indústria.

Com sete versões que englobam três motorizações (1.0, 1.3 e 1.8) e três transmissões (manual, automatizado e automático de seis marchas), o Argo foi estrategicamente pensado para bater nos hatches compactos mais “queridinhos” dos brasileiros atualmente, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. Dutra conta que, em clínicas realizadas meses antes do lançamento com potenciais clientes, após apresentados a todas as qualidades do carro ao lado de três concorrentes (Onix, HB20 e Ford Ka), 100% deles disseram que comprariam o Argo em primeiro lugar. Nem sempre os clientes fazem na vida real o que disseram que fariam nas clínicas, mas é certo que a Fiat tratou de preparar um bom acervo de vantagens na guerra que vai travar com os rivais.

Trazendo a nova identidade visual da Fiat, as linhas do Argo foram claramente inspiradas no Tipo europeu, um hatch médio, maior, mas com dianteira e traseira muito parecidas com as do primo brasileiro. O resultado ficou bom, o Argo tem aparência externa moderna e agradável – ainda que a novidade não tenha atraído muitos olhares curiosos nas ruas por onde passou em test-drive; no trânsito foi percebido como um carro como qualquer outro.

Dentro de suas proporções compactas, o Argo é tão ou mais comprido, largo e espaçoso que seus concorrentes e do modelo que substitui, o Punto. O porta-malas de 300 litros e o volume interno da cabine de 2.806 litros está entre os maiores da categoria. Houve cuidado superior com o isolamento acústico da cabine, que ficou bastante silenciosa. Para isso também ajudou o bom trabalho da engenharia que ajustou com precisão a geometria da carroceria.


O interior da versão mais cara do Argo, a 1.8 HGT, com faixa vermelha no painel e telas de sete polegadas na central multimídia e também no centro do quadro de instrumentos.

Sem grandes luxos, o interior do Argo é descentemente bem-acabado para um carro de sua categoria – com uso de materiais um ponto acima da usual indigência aplicada à arquitetura dos veículos brasileiros. No centro do painel sobressai a tela sensível ao toque de sete polegadas que agrega as funções da central multimídia (opcional na versão 1.0 e de série a partir da 1.3), que espelha funções do smartphone como navegação e músicas, via Android Auto ou Apple Car Play. O sistema de som com quatro alto-falantes midwoofer e dois twiteers é considerado o melhor da categoria. O conforto interno é completado com ar-condicionado de série para todas as versões, bem como acionamento elétrico de travas e vidros dianteiros.

A condução das versões 1.3 Firefly automatizada (109 cv) e 1.8 e.TorQ automática (139 cv) do Argo se mostrou bastante agradável com a suavidade da direção elétrica (de série em todas as versões) e suspensão bem ajustada, que transmite pouco ao interior as imperfeições do piso. Em termos de desempenho e prazer de dirigir, a motorização 1.8 com câmbio automático de seis velocidades casou muito bem com o Argo, deixa o carro bem esperto. A opção com motor Firefly 1.0 três-cilindros (77 cv) ainda não estava disponível para avaliação, mas tendo em vista o desempenho do 1.3, não se espera nada emocionante.

CUIDADO CONSTRUTIVO

Do ponto de vista construtivo, “usamos as melhores análises virtuais disponíveis no mundo para desenvolver este carro”, conta Claudio Demaria, diretor de desenvolvimento de produto da FCA Latam. Na composição da carroceria, 45% dos aços utilizados são de alta resistência, sendo 10% estampados a quente.

Demaria afirma que o Argo foi bem em todos os testes de impacto virtuais e reais realizados dentro da FCA, com baixo comprometimento da estrutura da carroceria e bom funcionamento dos elementos de segurança passiva, como airbags frontais, sidebags (airbags laterais para motorista e passageiro disponíveis só como opcional nas versões mais caras 1.8 Precision e HGT), cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, sistema Isofix de fixação de cadeirinhas para crianças, além de absorvedores de impacto estrategicamente instalados no painel, portas, laterais superiores e apoia-pé do motorista.

A segurança é complementada com diversos sistemas ativos, como os obrigatórios freios com ABS, mas a boa novidade é a incorporação de série do controle eletrônico de estabilidade e tração (ESP, fornecido no Brasil pela Bosch) a partir da versão Drive 1.3 GSR, com câmbio automatizado.

No consumo – que segundo pesquisas consultadas pela FCA hoje representa a característica mais importante para 38% dos compradores de hatches compactos – todas as versões do Argo ganharam nota A na etiquetagem veicular do Inmetro. Na cidade ajuda bastante o sistema start-stop de série desde a versão 1.0 mais barata, que desliga o motor nas paradas em semáforos e religa nas partidas. A Fiat usou a solução indistintamente certamente para empurrar sua média de consumo para baixo e assim ganhar o benefício de desconto extra no IPI, como previsto nas metas de eficiência energética do Inovar-Auto.

PREÇOS E EQUIPAMENTOS

Com exceção da versão 1.0, todos os preços do Argo subiram em relação ao modelo que ele substitui, o Punto. O pacote de equipamentos é bastante completo desde a versão mais barata. A Fiat calibrou a tabela do hatch para competir essencialmente com Chevrolet Onix e Hyundai HB20, mas tem versões 1.8 que vão bastante além em valores. Mesmo o topo de linha HGT 1.8 AT6, em torno de R$ 71 mil, pode ter o preço catapultado facilmente para além dos R$ 76 mil com inclusão de opcionais como pintura metálica, câmera de ré com sensor de estacionamento, ar-condicionado digital, retrovisores externos com rebatimento elétrico, sensores de chuva e crepuscular, revestimento de bancos em couro sintético, sidebags para passageiro e motorista e rodas de liga leve de 17 polegadas com pneus 205/50.

Veja abaixo os preços básicos do Argo e as principais listas de equipamentos

Fiat Argo 1.0 Drive manual: R$ 46.800
Principais equipamentos incluídos no preço: direção elétrica progressiva; ar-condicionado; quadro de instrumentos com tela central TFT de 3,5 polegadas com relógio digital, calendário e indicador de temperatura externa, além de informações de distância percorrida, consumo médio, consumo instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso; banco do motorista com ajuste de altura; sistema start-stop; acionamento elétrico de travas e vidros dianteiros; pré-instalação para som (dois alto-falantes dianteiros, dois alto-falantes traseiros, dois tweeters e antena). Com inclusão da central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas com Apple CarPlay e Android Auto, o preço do Drive 1.0 sobe para R$ 48.790.

Fiat Argo 1.3 Drive manual: R$ 53.900
Adiciona sistema de monitoramento da pressão dos pneus, central multimídia, volante multifuncional e porta USB adicional para o passageiro traseiro.

Fiat Argo 1.3 Drive GSR automatizado: R$ 58.900
Adiciona controles de tração e estabilidade ESP, assistente de partida em rampa, aletas para trocas de marchas no volante, controle de velocidade de cruzeiro, apoio de braço para o motorista, acionamento elétrico de vidros traseiros e retrovisores.

Fiat Argo 1.8 Precision manual: R$ 61.800
Adiciona alarme, faróis de neblina, LED de contorno do farol, rodas de liga-leve 15 polegadas e banco traseiro bipartido.

Fiat Argo 1.8 Precision automático AT6: R$ 67.800
Acrescenta aletas para trocas atrás do volante, controle de velocidade de cruzeiro, apoio de braço para o motorista, volante revestido em couro.

Fiat Argo 1.8 HGT manual: R$ 64.600
Adiciona tela colorida de 7 polegadas no quadro de instrumentos co informações do computador de bordo, friso vermelho na grade dianteira, spoilers no para-choque, moldura preta na parte inferior da lateral e nas caixas de roda, ponteira de escapamento cromada, rodas de liga-leve 16 polegadas e calibração de suspensão mais esportiva, faixa vermelha no painel.

Fiat Argo 1.8 HGT automático AT6: R$ 70.600
Acrescenta aletas para trocas de marchas atrás do volante, apoio de braço para o motorista e controle de velocidade de cruzeiro.



Fiat Argo 1.8 Opening Edition Mopar: R$ 75.200
Baseado na versão de topo 1.8 HGT automático, acrescenta acessórios Mopar. Limitada a mil unidades, a versão especial do Argo será oferecida somente com pintura Azul Portofino (na foto acima), teto e retrovisores em preto, aerofólio preto na tampa traseira, rodas de alumínio de 16 polegadas escurecidas, protetor de soleira das portas, tapetes de borracha e carpete, kit de alto-falantes com 60 W e o identificação Mopar nas colunas traseiras. Os donos destas unidades terão as três primeiras revisões gratuitas.

Assista abaixo reportagem da ABTV sobre o Fiat Argo



Assista abaixo entrevista exclusiva de Stefan Ketter sobre o lançamento do Fiat Argo


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