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04/07/2017 | 18h24

Mercado

Fenabrave revisa projeções para o ano

Leves podem crescer 4,3% e pesados sinalizam para queda de 10,2% em 2017


SUELI REIS, AB

Passado o primeiro semestre, cujo desempenho das vendas de veículos resultou no primeiro crescimento após três anos seguidos de queda, a Fenabrave revisa projeções para 2017 e agora apresenta dois cenários distintos daquele projetado no início do ano. Desta vez, a entidade, que reúne o setor de distribuição, espera uma continuidade do viés positivo para o segmento de veículos leves, impulsionada principalmente pelos comerciais leves, enquanto o de pesados, que inclui caminhões e ônibus, deve encerrar mais um ano no vermelho.

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Segundo a Fenabrave, os emplacamentos de automóveis devem encerrar o ano com crescimento de 4% na comparação com 2016, para algo em torno de 1,75 milhão de unidades. Em janeiro, a entidade previa 1,72 milhão de automóveis novos para este ano. Mas quem deve ter maior índice de crescimento e puxar o segmento são os comerciais leves, cuja previsão aponta para o licenciamento de 315,9 mil unidades contra as 306,9 mil previstas anteriormente. Se de fato este volume se concretizar, significará aumento de 5,9% sobre o resultado de 2016.

Segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., alguns fatores podem contribuir para esta previsão de alta no segmento: “Já percebemos uma melhora no fluxo de visitas às concessionárias. Acredito que também há um viés positivo para o PIB, ainda que pequeno, e além disso, se melhorar a questão do crédito para o financiamento, deve crescer e alavancar as vendas do varejo neste segundo semestre”, afirmou na terça-feira, 4, durante a apresentação do balanço do setor para a imprensa em São Paulo.

Ainda sobre crédito, Assumpção Jr. informa que o setor continua com o mesmo nível de aprovação verificado no ano passado: a cada dez propostas enviadas a bancos ou financeiras, apenas três são acatadas, apesar da manutenção do nível de inadimplência. Ele defende que para melhorar este cenário, é necessário entrar em vigor a nova lei de retomada do bem. Segundo o executivo, a entidade percebe um incremento de 30% no volume de intenção de financiar. “Os bancos estão fazendo o papel deles, mas acredito que uma vez que a lei entre em vigor, pode haver aumento de 20% de disposição para ofertar crédito, resultado dos benefícios da lei, que encurtaria de doze para seis meses o prazo máximo de retomada do bem, além de reduzir os custos de 8% a 14%”, revela.

Para Tereza Maria Dias, da MB Associados, consultoria econômica que atende a Fenabrave, o cenário econômico por enquanto segue sem grandes rupturas. “A inflação deve ficar abaixo da meta, a taxa de câmbio está ‘caminhando de lado’; não há pânico, mas há expectativa e incertezas”, afirma. “Há de se ficar de olho nas oscilações e fatos políticos e mesmo a economia desacelerando, segue o cerne positivo. A âncora é de expectativa positiva.” Por outro lado, para o segmento de pesados, as projeções do início do ano que apontavam para um crescimento de 3,1% caíram por terra. Com o resultado ainda negativo do setor, a Fenabrave espera alcançar as 57,4 mil unidades, incluindo caminhões e ônibus, o que representaria queda de 10,2% sobre o já negativo resultado de 2016. A entidade aposta que neste ano, os licenciamentos de caminhões novos não deva passar dos 44,5 mil, uma retração de 11,5% no comparativo ano a ano.

“Tivemos mais uma safra recorde, que contribuiu com o mercado de caminhões neste primeiro semestre, mas não foi suficiente para reverter o cenário”, lamentou Assumpção Jr. “Há um ‘estoque’ de 150 a 160 mil caminhões novos e não utilizados hoje”, comenta sobre a ociosidade do setor de transporte de carga.

Para ônibus, o executivo afirma que o setor apresenta a mesma dificuldade de reação. “Há uma dificuldade muito forte em termos de caixa para as empresas, que vêm sofrendo com os baixos preços do rodoviário, que também estão tentando conviver na competição com o setor aeroviário. Nos urbanos, também fortemente influenciados pela política, ainda há pouca disposição econômica para investir em novos veículos.”

Com isto, a Fenabrave projeta uma retração de 5,5% nos emplacamentos de ônibus em 2017, para pouco mais de 12,8 mil unidades.


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