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Inovação no setor automotivo depende mais das pessoas do que de investimento

Negócios | 14/08/2017 | 19h29

Inovação no setor automotivo depende mais das pessoas do que de investimento

Bruno Bragazza, da Bosch, falou do assunto durante Webinar AB

GIOVANNA RIATO, AB

Inovação é um estado de espírito. Depende muito mais das pessoas do que de investimento ou da criação de uma área dedicada ao assunto.” O recado foi dado por Bruno Bragazza, gerente de inovação e responsável pela área de inovação da Bosch no Brasil. Ele participou de Webinar Automotive Business na segunda-feira, 14, para tratar dos desafios que uma empresa automotiva enfrenta para se reinventar e acompanhar os novos cenários.

O bate-papo foi transmitido ao vivo e contou a participação do público, que enviou perguntas e esclareceu dúvidas com o especialista. Confira abaixo os principais assuntos abordados pelo executivo ao longo da conversa.

INOVAÇÃO É UM ESTADO DE ESPÍRITO

Bragazza é forte defensor de que a inovação vem mais da forma de pensar e do olhar das pessoas do que de grandes investimentos, de tecnologia ou ainda de uma área específica. “Inovar é um estado de espírito, não um organograma. Vem de um inconformismo, de uma inquietação para melhorar”, defende. Ele deu o exemplo de empresas jovens e muito valiosas, como a Uber, que oferece solução simples, que não se destaca pela tecnologia, mas pela abordagem e modelo de negócio.

Para o executivo, as empresas do setor automotivo enfrentam desafio adicional para trabalhar a inovação porque há uma série de regras e exigências da legislação. Ainda assim, Bragazza diz que há oportunidade de usar novas metodologias para criar soluções, como User Experience (UX). “Fizemos isso para pensar no flex start, por exemplo (sistema que elimina o tanquinho de gasolina em carros flex”, lembrou. “Saímos da conversa só com os nossos clientes, que são as montadoras, e fizemos ampla pesquisa com o consumidor final para entender as dificuldades que ele enfrentava com seu carro flex. Desenvolvemos a solução e só então fomos vender às montadoras.”

É justamente esta ampliação do olhar que ele defende. O processo, avisa, precisa ser ter o apoio da liderança e, para isso, é mais fácil começar devagar. “Encontre pessoas que pensem como você na companhia, que tenham o olhar de inovação, e comece a criar pequenos focos, mas sem incendiar tudo de uma vez, o que pode gerar uma resistência ao novo”, recomenda. Para ele, outro aspecto importante da cartilha de inovação é o erro. “Você tem poucas certezas quando trabalha para inovar. Uma delas que vai ser preciso errar muitas vezes antes de acertar.”

COLABORAÇÃO É ESSENCIAL

Outra certeza de Bruno, além da necessidade de errar para inovar, é que a colaboração é cada vez mais essencial. No caso da Bosch, a empresa criou há alguns anos área de novos negócios em algumas poucas operações globais, como no Brasil, na China e na Índia. A ideia é mapear com essa estrutura novas oportunidades fora do negócio principal da Bosch. Em paralelo, a empresa facilitou e criou dinâmicas para estimular o intraempreendedorismo e ainda estabeleceu globalmente uma divisão de capital de risco, a Robert Bosch Venture Capital, para mapear startups interessantes e comprar participação nelas.

“Somos uma empresa que tem 390 mil colaboradores globalmente, 59 mil pesquisadores e 440 subsidiárias. No começo me questionei se era mesmo necessário investir em startups para inovar mesmo com essa estrutura toda. Vi que a resposta é sim: mesmo com números tão grandes, não temos todas as competências”, admite. Bragazza aponta que cooperar é o único caminho que faz sentido para o futuro. Para ele, a tendência é que o setor automotivo deixe de ter empresas tão protetoras com seus desenvolvimentos e adote um modelo mais colaborativo.

Essa dinâmica, aponta, vale tanto para o ecossistema de inovação quanto para fornecedores e clientes da cadeia produtiva e até com concorrentes. “Vemos empresas automotivas firmando parcerias para desenvolver produtos ou mesmo para criar padrões para as novas tecnologias. A separação de quem é cliente e fornecedor vai ficar mais conflituosa e se misturar em vários momentos. Não dá mais para pensar de forma linear.”

INOVAR PODE SER (MUITO) BARATO

Bragazza aponta que trabalhar a inovação dentro de uma empresa com poucos recursos é possível e pode ser muito mais barato do que muitas companhias imaginam. “Só tive autorização para criar o departamento de inovação na Bosch no Brasil quando me comprometi a cobrir todos os custos com incentivos e programas do governo que, para estimular a economia, assume parte do risco com as empresas”, conta, apontando que a companhia começou com a Lei do Bem e hoje usufrui de uma série de programas, como o Inova Talentos.

“Inovar compensa”, assegura, citando apenas o critério financeiro, antes mesmo do benefício para o negócio. Ele indica que as empresas devem começar com um levantamento dos incentivos oferecidos pelo governo federal que, segundo ele, muitas vezes são pouco burocráticos e atendem aos mais diversos tamanhos de negócio. Outra possibilidade também usada pela Bosch, cita, é promover pequenos cortes de custos nos departamentos e usar a economia para fomentar e investir em inovação.

TECNOLOGIAS PARA O FUTURO

O executivo da Bosch foi reticente ao falar do futuro do carro, já que, além da tecnologia, a mudança do comportamento do consumidor vai redefinir muitos aspectos. De qualquer forma, ele aposta na convergência da eletrificação, da conectividade e da automação. “Todo mundo olha para esta direção. A questão é como estas tecnologias vão transformar o pensamento do cliente”, reforça.

Entre as possibilidades, está a de usar as câmeras dos carros para reduzir a criminalidade nas cidades, já que qualquer ação fora da lei será registrada por veículos conectados. Dentro da mudança na relação de propriedade, Bragazza diz que alguns clientes podem preferir pagar mais caro para usar um automóvel se os seus dados não forem compartilhados, como deve ser a regra geral, assim como acontece hoje com os aplicativos nos smartphones. “É uma sequência de mudanças difícil de imaginar. Com tudo conectado, um mundo novo se abre.”

Assista ao vídeo completo com o Webinar AB com Bruno Bragazza:



Tags: Inovação, Bruno Bragazza, Bosch, Webinar.


Comentários

  • Eduardo Schinoff

    Na contra mão da Inovação as empresas preferem ajustar seus custos cortando capital intelectual. Excelente matéria que deveria ser lida por varíos gestores e administradores do mercado automotivo! Muito bom.

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