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16/08/2017 | 18h00

Comerciais

Iveco automatiza Tector para ganhar mercado

Semipesados automatizados devem ser 50% das vendas em 2018


PEDRO KUTNEY, AB | De Sete Lagoas (MG)

Alavanca do câmbio automatizado de 10 velocidades do Tector Auto-Shift: desenvolvimento conjunto da Iveco com Eaton e FPT
Com certo atraso em relação à concorrência, a Iveco lança este mês nos mercados brasileiro e argentino versões automatizadas da linha Tector de caminhões semipesados, com acréscimo de R$ 15 mil ao preço final. Era inevitável seguir essa tendência, que depois de dominar os pesados no Brasil – hoje 95% das vendas do segmento são de modelos automáticos – está se espalhando rapidamente também para os semipesados, representando 27% dos emplacamentos este ano, alcançando quase metade deles em 2018 e saltando para algo como 80% em 2019, segundo calculam os fabricantes.

“Trabalhamos para oferecer uma solução bem desenvolvida que tem potencial para até dobrar as vendas do Tector, pois o modelo agora ocupa todo o segmento de semipesados; até agora estávamos fora de 30% dele”, afirma Ricardo Barion, diretor de marketing da Iveco América Latina. Ele calcula que a participação do Tector entre os semipesados no Brasil (27% do mercado atual de caminhões no País) deve subir dos atuais 6% a 7% para 9% a 10% até o fim deste ano.

A caixa automatizada de dez velocidades adotada agora em três versões do Tector fabricado em Sete Lagoas (MG) é produzida em Valinhos (SP) pela Eaton, que nos últimos dois anos trabalhou com a Iveco e a fabricante de motores FPT (ambas empresas do Grupo CNH Industrial) para desenvolver e calibrar a transmissão Ultrashift Plus MHD – a mesma que já fornece desde 2015 para os caminhões Ford Cargo, mas com calibragens diferentes.

Todas as versões automatizadas do Tector foram desenvolvidas para usar o motor FPT N67 de 300 cavalos, produzido na Argentina e enviado ao Brasil para ser integrado ao modelo na fábrica de Sete Lagoas. São três opções de chassi-cabine: 170E30 4X2 (17 toneladas de PBT), 240E30 6X2 (24 t) e 310E30 8x2 (31 t). A aposta é que a versão 6x2 deve responder por 60% das vendas do Tecto Auto-Shift, principalmente equipado com carroceria baú para entregas urbanas e rodoviárias. “Mas também existem no horizonte boas perspectivas para aplicações vocacionais no setor de construção civil e talvez para coleta de lixo”, afirma Barion.

VANTAGENS

A principal vantagem trazida pela automatização é a economia de combustível, o maior custo da planilha do transportador e argumento inegável de convencimento a pagar mais pelo produto. Segundo Barion, o câmbio robotizado aproxima o motorista médio do mais eficiente, com redução média de 5% no gasto com diesel e Arla 32.

Outra vantagem é a redução dos custos de manutenção, com o funcionamento mais racional do câmbio, que usa embreagem cerâmica com vida útil duas vezes maior do que a orgânica tradicional da caixa manual. O conforto também aumenta substancialmente nas manobras, no anda-e-para do trânsito e nas partidas em ladeiras, com possível aumento de produtividade do motorista. A bordo, ruídos e vibrações foram reduzidos com a calibragem do motor para fornecer mais torque com giro mais baixo.

“Desafiamos a nossa inteligência para desenvolver a solução de automatização mais eficiente, para termos diferenciais sobre a concorrência”, afirma Barion, citando que foram desenvolvidas funções exclusivas para a transmissão do Tector Auto-Shift. Entre elas está a troca de marchas para cima nas ladeiras sem que o motorista precise pisar no acelerador, reduzindo o consumo, bem como o desacoplamento automático da embreagem em situações de velocidade estável com o piloto automático ligado. Para ganhar velocidade mais rapidamente nas entradas em pistas expressas, pode-se acionar com um toque em um botão na manopla do câmbio o modo de trocas rápidas de marcha. O pedal do acelerador é bastante sensível e escalonado para controlar com facilidade as trocas de marcha. Nas ladeiras, o freio fica acionado por até três segundos até que o motorista acelere para partir.

“Já tínhamos uma cabine elogiada pelo acabamento e suspensão, agora oferecemos também a melhor integração entre motor e câmbio automatizado. Com isso o Tector fica bem melhor posicionado para ganhar mercado”, aposta Barion.

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