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Movida aposta na demanda do carro como serviço, não como produto
Franklin desenha novos serviços para atrair consumidor final

Mobilidade | 30/08/2017 | 19h11

Movida aposta na demanda do carro como serviço, não como produto

CEO da companhia avalia o novo papel das locadoras

GIOVANNA RIATO, AB

Uma das poucas certezas que param em pé no cenário tão incerto para a indústria automotiva nos próximos anos é de que a relação de posse dos consumidores com os veículos vai mudar. A tendência é de que o carro seja visto como um serviço, não como um bem. A Movida quer usar o seu DNA de locadora de veículos, já inserida neste contexto, para aprimorar a sua oferta e atrair novos clientes. “Percebemos aumento grande da demanda de novos clientes, que nunca tinham alugado carro com a gente”, conta Renato Franklin, CEO da empresa, que observa uma diversificação do seu portfólio de clientes, que deixa de ser tão focado em empresas para trazer mais pessoas físicas.

Ele calcula que, em 2016, 180 mil novos clientes alugaram carros com a empresa. Este ano o ritmo de consumidores que passam a contratar a Movida é de 30 mil por mês. O executivo lembra ainda que o setor de aluguel de carros cresce ao ritmo de dois dígitos de forma consistente nos últimos 10 anos, aparentemente blindado da crise que afeta as vendas de veículos ao cliente final. Para dar conta do recado, a frota da companhia soma 70 mil carros - cerca de 50 mil deles destinados ao aluguel nas lojas e o restante usado em frotas terceirizadas.

MUDANÇA CULTURAL

Na avaliação do executivo, os novos aplicativos de transporte como Uber e 99 têm um papel importante nesta evolução. “Além de representar parte relevante do nosso negócio porque muitos motoristas procuram carros alugados, estas empresas têm o papel de divulgar serviços de mobilidade, de ajudar o mercado a se adaptar a essa cultura e, de alguma forma, chamar a atenção para os serviços das locadoras também”, avalia.

Ele cita que, em grandes cidades, muitos clientes optam por vender o automóvel próprio e fazer os pequenos deslocamentos diários com estas novas plataformas de transporte. Quando precisam percorrer distâncias maiores, no entanto, acabam buscando o serviço de aluguel. “Ainda assim, é uma penetração muito baixa e que tende a crescer muito nos próximos anos. A frota total das locadoras é de 350 mil carros no Brasil, enquanto a frota total de veículos passa das 40 milhões de unidades”, compara, citando que a mudança cultural será lenta, mas já começa a acontecer.

LOCAÇÃO DE VEÍCULOS NAS CONCESSIONÁRIAS

Para acompanhar as novas necessidades do mercado, a Movida diversifica também a sua oferta de serviços. A empresa passou a oferecer carro por assinatura, o Movida Mensal Flex, destinado aos clientes finais que querem ter um automóvel à disposição, mas sem precisar arcar com os custos e trabalho necessário para manter manutenção e documentação em dia, por exemplo. A ideia é oferecer o veículo por um valor fixo mensal e com zero dor de cabeça para o consumidor. “É um nicho forte que surgiu no segmento premium”, diz. Para atender a este público, a empresa comprou recentemente uma locadora de modelos de luxo, a Fleet Services.

A empresa prepara ainda o terreno para oferecer serviço inédito no Brasil: a oferta de contratos de locação de longo prazo em concessionárias. O plano é, em parceria com o time de vendas da loja, procurar a solução mais adequada ao cliente. “Ele pode comprar o carro ou, se achar mais cômodo, alugar por um ano, por exemplo, dentro deste modelo em que cuidamos de toda a manutenção e da parte burocrática”, diz Franklin.

O projeto ainda está em fase de negociação com as concessionárias. Segundo ele, a vantagem para a loja é que a venda seria concretizada de qualquer forma, já que a Movida precisaria comprar o carro para oferecer ao cliente.

“Estamos trabalhando para reverter preconceitos que podem existir na relação com montadoras e com concessionárias. Temos o conhecimento de como oferecer serviços para o cliente, é este o nosso DNA e devemos trabalhar cada vez mais próximos no futuro. Com o carro autônomo, que vai mudar a relação de posse, sempre será necessário contar com uma empresa que garanta veículos limpos, seguros e prontos para o uso. É o que fazemos”, resume.



Tags: Movida, aluguel, carro, serviço, mobilidade.

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