Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Tecnologia | 12/09/2017 | 17h56

Governo quer carro elétrico no Brasil, mas não muito

Enquanto grandes mercados avançam, Rota 2030 não trará metas consistentes
GIOVANNA RIATO, AB

China, Alemanha, Reino Unido evoluem no plano de extinguir o carro com motor a combustão nas próximas décadas. Enquanto isso o Brasil não planeja qualquer ação consistente pelo veículo elétrico. O Rota 2030, conjunto de regras que está em formulação e vai guiar a indústria automotiva a partir de 2018, não deve trazer nenhuma novidade nessa área. Quem conta é Luiz Miguel Falcão, coordenador da secretaria de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Ele participou do Simea, simpósio de engenharia da AEA (Associação de Engenharia Automotiva) que acontece entre 12 e 13 de setembro em São Paulo.

“Vamos manter o desconto no Imposto de Importação para estes modelos e queremos estimular o desenvolvimento dos carros elétricos no Brasil, mas por enquanto não há medidas definidas para isso”, admite. A questão é que, assim como em qualquer outro país, o avanço do modelo zero emissão localmente depende no primeiro momento de incentivos para tornar interessante o preço mais alto da tecnologia, além da implementação de uma boa estrutura de recarga, entre outras ações.

Ironicamente, mesmo sem um plano estratégico por enquanto, o assunto está em discussão entre o MDIC e entidades que representam a indústria automotiva, como Anfavea e Sindipeças. O carro elétrico ganhou até grupo de trabalho exclusivo no ministério, formando o sétimo time responsável por desenhar os vários aspectos do Rota 2030. Assim, para todos os efeitos, governo e indústria trabalham nisso, mas não o bastante para resolver a questão. Inicialmente a equipe que desenha as metas de eficiência energética do programa tinha a responsabilidade de planejar também o avanço no mercado de modelos zero emissão. A discussão cresceu e pareceu mais lógico separar os times.

E AS EXPORTAÇÕES?

O Rota 2030 é visto no governo como a “evolução do Inovar-Auto”, conta Falcão, reconhecendo que o programa que termina neste ano fracassou em muitos aspectos, mas foi responsável por avanços importantes, como a imposição de metas de eficiencia energetica para os carros vendidos localmente. A promessa é de corrigir os erros e reforçar os acertos no Rota 2030, que tem a ambição de inserir a indústria automotiva nacional no cenário global, aproximando em termos tecnológicos os veículos feitos aqui dos construídos em outros grandes mercados.

A ideia, no entanto, não parece viável sem a definição do posicionamento do Brasil em relação ao carro elétrico, que tende a ganhar amplo espaço globalmente nos próximos anos. Por enquanto a legislação nacional coloca foco apenas no etanol e nos veículos flex fuel, tecnologia ambientalmente amigável e ainda amplamente difundida localmente. “Se 100% da frota nacional usasse etanol, nós superaríamos imediatamente a meta ambiental que a Europa tem apenas para 2030”, calcula Luis Afonso Pasquotto, presidente da fabricante de motores diesel Cummins e desta edição do Simea.

Mesmo com tanta vantagem, nem mesmo o etanol tem política clara no Brasil e, ainda que tivesse, seria necessário traçar uma estratégia para que o País não concentrasse todos os esforços somente em uma solução energética exclusiva para o mercado interno. No futuro, se quiser mesmo se integrar à indústria automotiva global, o setor automotivo brasileiro terá de oferecer também tecnologias aceitas internacionalmente.

Tags: carro elétrico, Rota 2030, Brasil, governo.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
AB Inteligência