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13/09/2017 | 18h12

Mercado

Locadoras aumentam participação nas vendas de carros

Índice chega a 13,5% até agosto e supera o total de 2016, que foi de 10,9%


SUELI REIS, AB

A participação das locadoras no volume total das vendas de carros no Brasil realizadas de janeiro a agosto atingiu 13,5%, considerando o total de 1,38 milhão de automóveis e comerciais leves emplacados no período. Este índice supera em 2,6 pontos porcentuais a fatia total registrada do setor de locação no mercado em todo o ano de 2016, que foi de 10,9%.

Nos oito meses fechados deste ano, as locadoras compraram 185,3 mil veículos, volume que representa 85% do que foi realizado em todo o ano passado. A tendência é de que este total aumente e supere os emplacamentos pelas locadoras em 2016, que totalizou 217,8 mil, entre automóveis e comerciais leves.

“O setor de locação mantém uma renovação de frota constante e este número está aumentando, devemos encerrar o ano com uma frota 27,5% maior que a de 2016”, afirma o presidente da Abla, Paulo Nemer, após a abertura do 13º Fórum Nacional do Setor de Locação de Veículos, realizada na quarta-feira, 13, em São Paulo.

Segundo o executivo, a flexibilização das montadoras em facilitar as compras e a queda da taxa de juros foram fatores decisivos que ajudaram a alavancar os números do setor de locação. “O avião começou a imbicar”, comemora em alusão ao nível dos negócios que voltou a subir.

Com este cenário, Nemer indica que o faturamento das locadoras pode voltar a crescer após registrar queda de 25% em 2016, quando os ganhos somaram R$ 12,1 bilhões. Segundo ele, o número de usuários também apresenta tendência de alta: em 2016, cerca de 23,2 milhões de pessoas utilizaram o serviço de aluguel de carros (leia aqui).

O resultado de todos os indicadores do setor só serão divulgados após o fechamento do ano.

VENTOS A FAVOR

Desde agosto, quando as vendas de veículos voltaram a crescer, o comportamento do mercado demonstra certo equilíbrio, apesar de o cenário econômico ainda não ser tão favorável. Para o coordenador da Universidade e TV Fenabrave, Valdner Papa, o desempenho do mercado tem tudo para continuar crescendo de agora em diante, ainda que em ritmo lento.

“Este é o terceiro mês consecutivo em que o mercado iniciou o processo de crescimento consistente; não terá mais altos e baixos”, afirma Papa. Ele aponta que a Fenabrave prevê um total de emplacamentos na ordem de 2,10 milhões a 2,15 milhões neste ano e de 2,25 milhões a 2,30 milhões em 2018, mas que o Brasil só voltará a atingir seu pico de 3,27 milhões em 2023. Ele acrescenta que durante a crise a indústria nacional chegou a trabalhar com 48% de sua capacidade e agora, impulsionada pelas exportações, as fábricas já utilizam 63% de sua capacidade produtiva.

Por sua vez, Marcus Lavoratto, da B3 (fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip) reforça que de fato agosto foi o mês da virada para os financiamentos de veículos, pois foi nele que a curva se inverteu e voltou a crescer em termos de volume, acompanhando a alta do segmento de leves. Por outro lado, pesados e motocicletas ainda patinam: o primeiro depende de investimento e o segundo, cujo consumidor é o mais afetado pela crise, ainda depende da melhora do nível de empregos. Ele destaca que o segmento de SUVs já é o terceiro maior em financiamentos, apontando para uma preferência cada vez maior do consumidor por este tipo de veículo.

“O conceito do carro de entrada está se perdendo por causa do consumidor cada vez mais exigente: hoje ou é carro completo ou é carro completíssimo”, afirma, indicando um caminho para as locadoras.

O representante do Itaú, Rodnei de Souza, também demonstra otimismo sustentado pela queda da taxa Selic, que acabou de ser rebaixada em mais um ponto porcentual, para 8,25%: “Oficialmente estamos prevendo uma taxa de 7,25% para o fim deste ano e de 7% no fim de 2018, que deve se estabilizar neste patamar. Com certeza, este é um fator de grande ajuda para o setor de locadoras, que é um segmento de baixo risco e que historicamente apresenta um dos níveis mais baixos de inadimplência em comparação com outros setores”, afirma.

Além da perspectiva de um cenário melhor, o representante da Fenabrave, que reúne as associações de concessionárias, aponta que o setor de distribuição passou a se preocupar menos com o mercado, uma vez que as tendências estão mais claras, e agora volta sua atenção para o modelo de negócio, que para ele deixou de ser o tradicional vendedor de carros para se tornar uma empresa dedicada a produtos e serviços da mobilidade.

“O setor de locação está no mesmo barco desta transformação profunda de conceito de negócio, uma vez que estamos lidando com novas e diferentes formas de locomoção, como os carros compartilhados. Hoje o que ocupa a nossa agenda é o debate sobre o futuro do nosso negócio.”

Ele cita ainda novas estratégias que vão muito além do que se pode imaginar para uma concessionária, como por exemplo o uso da neurociência que pode ser útil para identificar e entender o tipo de cliente a partir de sua característica mais marcante. Com isto e com treinamento específico, o atendente terá condições de escolher o tipo de abordagem pré-determinada e que mais condiz com o tipo do cliente, a fim de potencializar seu poder de persuasão.

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