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14/09/2017 | 18h50

Autopeças

Cummins inaugura linha de produção de turbos para pesados

Turbinas Holset serão fornecidas inicialmente para a Scania


GIOVANNA RIATO, AB

A Cummins inaugurou na quinta-feira, 14, nova linha de produção na fábrica da Holset Turbo Technologies de Guarulhos (SP). Com investimento de US$ 600 mil, a companhia instalou ali estrutura para fazer turbos para motores a diesel pesados, de 9 a 16 litros. O aporte adicionou 44 mil unidades à capacidade produtiva da planta, ampliando em 40% o potencial de 105 mil tubos por ano instalado ali até então, que era focado apenas em propulsores leves e médios para veículos comerciais.

O investimento durante uma das mais severas crises pela qual a indústria de pesados já passou é justificado pela estratégia da companhia, que pretende ampliar o fornecimento de componentes direto às montadoras, no lugar de abastecer apenas as linhas de montagem da divisão de motores de própria Cummins. “Isso nos dará estabilidade em momentos em que a demanda por motores completos diminuir”, conta Ellen Costa, supervisora de vendas da divisão de turbos Holset. A estrutura permite ainda a nacionalização de componentes que, até então, eram importados.

Esta foi uma das exigências para que a Cummins fechasse o primeiro contrato de fornecimento dos turbos feitos agora em Guarulhos, que serão usados pela Scania em seus novos motores de 13 litros com 450 e 510 cavalos e novo sistema de injeção direta de alta pressão, que vão equipar cavalos mecânicos 6x2 e 6x4 da marca. As turbinas começam a ser fornecidas a partir de fevereiro do ano que vem. “Em 2018 devemos fabricar 3 mil unidades, mas a ideia é fechar novos contratos e acelerar os volumes”, esclarece Pedro Pellegrini, gerente de manufatura, deixando claro que o aporte já mira em voos maiores.

PRODUÇÃO DIGITAL

A linha de produção dos turbos emprega apenas dois funcionários. A instalação segue o conceito de indústria 4.0, com sistema totalmente digital que permite controle preciso dos processos, com armazenagem e organização de uma série de dados. “O projeto foi norteado pela meta de zero defeito. É isso que buscamos aqui. Todo o desenho foi muito colaborativo e contou com o envolvimento de diversos funcionários e até de clientes, que contribuíram com opiniões”, conta o executivo.

Segundo ele, o resultado segue o conceito de manufatura enxuta, com a possibilidade de entregar turbos com alta qualidade e flexibilidade. “Podemos fazer aqui até 20 unidades por hora, mas temos possibilidade de produzir até 200 turbos diferentes sem precisar fazer grandes alterações.” Os componentes atenderão principalmente ao mercado interno, mas uma parcela da produção deve ser exportada para atender a demanda do aftermarket em outros países da América Latina.

MERCADO COMEÇA A DAR BONS SINAIS

A Cummins avalia que a nova linha de produção chega em boa hora. Segundo Ellen, o mercado começa a dar sinais de retomada. Ela calcula que a demanda por turbos da Holset para o aftermarket cresceu 15% entre julho e setembro. “Temos nos surpreendido com números crescentes. A frota de caminhões está voltando a circular e as empresas estão começando a fazer manutenções que tinham adiado”, diz.

A executiva avalia, no entanto, que ainda é cedo para pensar em contratações. “Vamos esperar dados mais consistentes.” Desde 2015 a Cummins demitiu 400 trabalhadores e a fábrica de Guarulhos emprega agora 1,1 mil pessoas. Enquanto aguarda a recuperação se confirmar, a empresa contrata horas extras dos próprios colaboradores. Teremos turnos pelos próximos dois fins de semana”, conta.

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