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26/09/2017 | 19h23

Comerciais

Cummins prevê produção 28% maior neste ano

Retomada do setor de comerciais pesados anima fabricante de motores


SUELI REIS, AB

Luis Pasquotto, presidente da Cummins Brasil e vice-presidente da Cummins INC.
O mercado brasileiro de veículos comerciais mostra consistência na retomada das vendas desde abril deste ano, embora ainda em ritmo bastante lento, o que já anima fornecedores do setor, caso da Cummins, que prevê elevar sua produção de motores diesel em 28% neste ano sobre as 27 mil unidades entregues no ano passado, ao mesmo tempo em que trabalha com a projeção de mercado de caminhões entre 55 mil e 60 mil unidades neste ano, em linha com a previsão das montadoras, e uma produção de 73 mil caminhões.

“Estimar cenário é sempre algo incerto, mas seguimos otimistas com o futuro do País. Há sinais de retomada da economia, como jutos mais baixos, inadimplência também em baixa, leve aumento do consumo. No mercado de caminhões, especificamente, as vendas no acumulado ainda estão ruins porque o primeiro bimestre foi muito negativo, contudo, tem sido melhor mês a mês desde abril; há uma confiança maior dos empresários, investidores e uma tendência de renovação natural da frota”, afirma o presidente da Cummins Brasil e vice-presidente da Cummins INC., Luis Pasquotto.

O executivo comemora a manutenção da participação da empresa no mercado de caminhões, em torno dos 31% e o aumento para 15% no segmento de chassis de ônibus. Em 2018, arrisca que o mercado de caminhões deve crescer entre 15% e 20%, mas que ainda vai demorar para alcançar o patamar das 100 mil unidades feitas no passado recente.

“Independentemente do que acontecer em 2018 por causa das eleições, acredito que o mercado sustente um crescimento de 10% s 15% ao ano até o fim desta década, mas chegar aos 100 mil é muito improvável que aconteça até 2020”, afirma.

No Brasil, para superar os anos de crise, entre 2014 e 2016, a empresa focou em recuperação da rentabilidade e do fluxo de caixa a partir de ações como a busca por ganho de participação do mercado em segmentos estratégicos, na readaptação dos planos de expansão e esforço adicional na redução de custos, como redução de material e inventário. Pasquotto conta que a racionalização fez com que a empresa desistisse de um novo investimento anunciado para uma nova fábrica em Itatiba (SP), concentrando a operação na fábrica de Guarulhos, que sofreu redução de quaro de funcionários.

Contudo, o executivo se orgulha da continuidade dos investimentos em produtos e inovação, o que segundo ele, vai garantir que a empresa alcance seu objetivo de se tornar uma das maiores fornecedoras de soluções em powertrain no futuro. Exemplo disso são os US$ 26 milhões aplicados desde 2016 em uma nova sala de testes automatizados para motores na unidade de Guarulhos: ela reduz drasticamente o tempo de testes, de 40 minutos para cerca de 3 minutos, com possibilidade de redução ainda maior, aumentando a produtividade.

DE OLHO NO PRESENTE E NO FUTURO

Como parte da estratégia de elevar sua participação nos diferentes mercados em que atua, a Cummins anuncia importantes lançamentos em sua gama de produtos e que serão revelados ao público durante a próxima Fenatran, feira internacional do transporte de carga que abre as portas entre 16 e 20 de outubro próximo.

Entre as novidades, o motor ISB 6.7 com nova potência de 310 cv, 20 cv a mais do que sua versão anterior e mesmo índice de consumo; o motor ISF 2.8 para caminhões leves agora com tecnologia EGR e turbo de geometria variável, que atende os comerciais leves de até 3,5 toneladas de PBT e para os veículos com tonelagem acima, o motor oferece 1.400 Nm a mais de torque.

O motor mais vendido da gama, o ISF 3.8, será exibido em versão de desenvolvimento para atender a legislação de emissões Euro 6, focada na indústria nacional. “Desde 2009 quando adotamos o Euro 6, estamos em constante processo de modernização e aperfeiçoamento de uma nova plataforma de motores para mercados emergentes, como Brasil, China e Índia”, afirma o diretor de engenharia de motores para a América Latina, Rafael Torres.

Também mostrará a motorização ISF 12 já homologada e em fase de testes em montadoras, o motor que está mais leve e é destinado a caminhões acima de 45 toneladas. Derivado do processo de downsizing, traz potência de até 510 hp, disponível para atender diferentes normas de emissões, como Euro 5, Euro 6 e EPA 2017.

“Conseguimos neste motor dispor de torque mais elevado e rotações mais baixas sem comprometer o consumo de combustível”, afirma Torres.

A Cummins mostrará ainda suas soluções de motores a gás (ISX 12N, L9N e B6.7N), além de novos serviços de telemetria para motores, que ajudam na gestão de manutenção do trem de força; o pacote Adept, com conceito de automação, que adapta a marcha de forma utomática e eletrônica, conforme a situação visando o melhor consumo de combustível; o EDP, uma versão manual que ativa até três modos diferentes de condução (Desempenho, Economia e Balanceado) e o FleetguardFit, plataforma que monitora a vida útil dos filtros do caminhão, coletando informações por meio de telemetria.

A empresa apresentará ainda sua vocação para o futuro do transporte de carga, que aponta para a eletrificação.

“O motor a diesel tem vida longa no transporte de carga; não será em cinco, dez nem vinte ou trinta anos para a dominação da tecnologia elétrica, mesmo em ônibus, que já desponta com mais tecnologia neste sentido. Ainda por causa de custos e autonomia do elétrico, o diesel ainda perdura. Vai ser uma mudança gradativa, por décadas. Mas estamos preparados, em 2019, estaremos totalmente prontos para produção de veículos 100% elétricos. Estamos habituados a mudanças. À medida que a eletrificação for evoluindo, vamos evoluir junto”, afirma Pasquotto.

Vale lembrar que a empresa foi a primeira fabricante a apresentar um caminhão pesado totalmente elétrico nos Estados Unidos, o Aeos (leia aqui).

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