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29/09/2017 | 17h42

Legislação

Governo e indústria debatem viabilidade do carro elétrico no Brasil

Para Anfavea, o desafio está em como o País vai se inserir neste mercado


REDAÇÃO AB

Na reunião que governo e indústria automotiva realizam semanalmente para definir as diretrizes do Rota 2030, cujo anúncio está previsto para a próxima semana, seus representantes debateram desta vez as possibilidades de viabilizar o carro elétrico no Brasil. O encontro da última quarta-feira, 27, reuniu o grupo que lidera as discussões e responsável por bater o martelo nas decisões que formataram a nova política industrial. Isto não quer dizer que o anúncio contemplará algo palpável relacionado à eletrificação no País.

O assunto da reunião demonstra que há preocupação em inserir o Brasil no mundo das novas tecnologias de propulsão, como a eletrificação, que já é uma realidade no âmbito internacional.

Para o presidente da Anfavea, Antonio Megale, o ponto de partida é encontrar a forma como o País vai se posicionar diante das tecnologias existentes: “Um grande desafio é como vamos nos inserir no mercado. Temos que olhar para o que está sendo feito lá fora. Precisamos inserir essas tecnologias e produtos aqui no Brasil para que possamos, gradualmente, fazer parte da discussão global do assunto”.

Alguns países já anunciaram sua intenção de tornar as novas alternativas de propulsão sua matriz energética para o futuro e assim banir veículos a combustão dos seus principais centros urbanos, caso de Alemanha e Índia (2030), França e Reino Unido (2040) Noruega (2025) e Suécia, o mais ousado de todos com planos maciços de eletrificação já poara 2019. No Brasil, o debate é uma tentativa de resposta ao que o mundo já está propondo. O interesse no desenvolvimento do carro elétrico também faz parte dos objetivos do Rota 2030 já declarados, que defendem uma suma de regras a fim de tornar o País mais competitivo e capaz de contribuir para a indústria e mercado globais.

“O tema da eletromobilidade já está sobre a mesa. Vários modelos elétricos foram apresentados no Salão do Automóvel de Frankfurt. O Brasil está atento a isso. É importante destacar também que, no mercado, esses veículos elétricos irão coexistir com outros modelos já existentes”, disse em nota a diretora do Departamento das Indústrias para a Mobilidade e Logística do MDIC, Margarete Gandini.

Além de representantes da Anfavea e do MDIC, também participaram da reunião membros do Sindipeças, Abeifa (importadores de veículos), Associação Brasileira de Baterias Automotivas e Industriais (Abrabat), Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), AEA, BYD, Weg, Instituo Mauá de Tecnologia, CPFL Energia e Eletra. Integrantes dos ministérios de Minas e Energia (MME), Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Inmetro, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e BNDES também acompanharam o debate.

POTENCIAL ELÉTRICO

Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que mais de um milhão de veículos elétricos já se encontravam em uso em 2015, cujo mercado está ainda fundamentalmente concentrado na Europa: a Noruega tem 23% de participação desse total, seguido por Holanda, com 10%, e em outros quatro países que têm mais de 1% de participação cada: Dinamarca, França, Reino Unido e Suécia.

Segundo o MDIC, o governo brasileiro tem realizado estudos na área de eletromobilidade, como o projeto Promob-e, Sistemas de Propulsão Eficiente, feita pela Agência de Cooperação Internacional (GIZ), vinculada ao MDIC, em parceria com o Ministério Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ, na sigla em alemão).

Esse projeto de cooperação tem o objetivo de auxiliar o governo na formulação de políticas públicas que estimulem a adoção de sistemas de propulsão mais eficientes. A parceria com a Alemanha teve início em janeiro deste ano com duração prevista até 2020.

Neste período, o governo alemão deve dispender de € 5 milhões para realizar seminários, oficinas e visitas técnicas que ajudem a mapear o atual cenário brasileiro para a eletromobilidade. Como resultado, o objetivo é identificar quais são os protagonistas, as oportunidades e os gargalos para este setor.

Comentários: 3
 

Marcelo Vaz - Controller AS Brasil
30/09/2017 | 13h58
Este assunto deve ser atacado de uma forma muito mais abrangente pois não se trata apenas da matriz energética com dificuldades de criação de novas fontes de energia e distribuição. O mercado de energia no Brasil é regulado CCEE que define quem pode comprar e vender energia. Até hoje não existe uma definição de como teríamos "postos de abastecimento" em rodovias, por exemplo. Por ser uma atividade de venda de energia, o consumidor com as regras existentes hoje deveriam ser cadastrados como compradores de energia e os postos como vendedores de energia, com todas as implicações da regulação deste mercado, inviabilizando usa implementação. Passa também pelo custo de reposição de baterias, coisa que não foi pensado ate agora, com regulações de transações entre países.

Rodrigo de Almeida
30/09/2017 | 17h33
Prezados Senhores, faltou citar que a ABRAVEi - Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores - também esteve presente à reunião.

Luiz Gustavo
03/10/2017 | 16h15
Sem sombra de duvidas que o veículo elétrico é uma realidade e veio para ficar. O Brasil tem que se posicionar rapidamente como um player mundial correndo o risco de perder essa oportunidade.

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