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07/11/2017 | 18h56

Indústria

Congresso SAE Brasil: engenharia automotiva à espera do Rota 2030

Cadeia produtiva aguarda definição para os próximos anos


GIOVANNA RIATO, AB




O Congresso SAE Brasil parece enfim ter deixado para trás o clima de saudade dos bons tempos da indústria. A edição deste ano do evento, que acontece em São Paulo (SP) até quinta-feira, 9, tem outro foco: a recuperação. O patamar recorde das exportações e a recente reação do mercado brasileiro alimentaram o ânimo das empresas para planejar o futuro no mercado local. Por outro lado, antes de dar passos mais consistentes a indústria aguarda o Rota 2030, conjunto de regras que vai guiar os próximos anos. Talvez por isso, esta edição do evento olhou mais adiante com o tema “A mobilidade inteligente e a transição para o futuro”.

Na abertura do encontro, Mauro Correa, presidente do Grupo Caoa e a da SAE Brasil, deu a dimensão do desafio que o setor enfrenta. “Uma revolução está em curso e precisamos ter engenharia capaz de projetar os próximos 10 ou 20 anos.” E complementou: “Precisamos quebrar paradigmas para chegar a soluções inteligentes e inovadoras.” Nesse contexto nebuloso, a tentativa do Congresso SAE é justamente de ajudar engenheiros automotivos a encontrar caminhos. “Não vamos falar aqui apenas de novas demandas por produtos, mas de outros modelos de negócio”, complementa João Pimentel, diretor de operações da Ford Caminhões e presidente da edição deste ano do Congresso SAE. Para entregar o que promete, o evento conta com 17 discussões temáticas, dezenas de sessões técnicas e ainda uma área com 35 empresas expositoras.


“A nossa proposta é de um trabalho multidisciplinar para atender demandas do futuro. Acreditamos na capacidade da engenharia brasileira para superar desafios”, reforçou. Depois de acontecer em grandes pavilhões nos últimos anos com espaço de sobra, esta edição do Congresso SAE foi transferida para um novo espaço, o Pro Magno, na Zona Norte de São Paulo. Assim , da mesma forma como aconteceu com o mercado automotivo brasileiro nos últimos anos, a exibição ficou menor, adequada aos novos tempos.

ROTA 2030 PODE DEMORAR MAIS


Todos os representantes da indústria que discursaram na abertura do evento tiveram um ponto em comum: a importância do Rota 2030. “Estamos saindo da pior crise do setor automotivo. A definição destas novas regras vai criar um caminho de crescimento e organizar o desenvolvimento desta indústria nos próximos anos”, destacou Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças. Ele reconhece que a política tende a demorar um pouco mais do que o esperado para ficar pronta, mas entende que esta não é a questão mais importante.

"É uma política de longo prazo, então não temos de ter pressa para que ela fique pronta, mas sim buscar que ela garanta integração competitiva da indústria local", avalia. O conjunto de regras começou a ser discutido entre maio e junho, com a promessa de que seria anunciada em agosto. O prazo não foi cumprido e não há nova previsão, apenas a expectativa de que as definições aconteçam até o fim do ano. Ioschpe lembra, no entanto, que não é obrigatório que todas as regras saiam ao mesmo tempo e, portanto, a divulgação pode acontecer pouco a pouco.

Antonio Megale, da Anfavea, destacou no Congresso SAE a relevância de definir uma abordagem de longo prazo. “É a primeira vez que daremos esta visão para o setor, com um direcionamento.”

Para o dirigente, o Rota 2030 é a chance de o Brasil ocupar o espaço que lhe pertence dentro da transformação global da indústria automotiva. “As tendências são muito mundiais, mas precisamos explorar as nossas potencialidades como região”, diz, citando os motores flex e a capacidade do mercado brasileiro de voltar a ser o quinto maior do mundo em volume de vendas.

 Megale lembra que neste ano o País avançou para se posicionar como um grande produtor de carros. “O meu antecessor na Anfavea, Luiz Moan, sonhava com uma indústria brasileira forte globalmente, com 1 milhão de veículos exportados por ano. Hoje eu acredito nisso quando olho para o volume recorde de 700 mil unidades que serão vendidas internacionalmente até o fim de 2017.”

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