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08/11/2017 | 20h00

Indústria

Renault planeja dobrar vendas na AL

Fabricante divulga objetivos do “Drive the Future” para a região até 2022


PEDRO KUTNEY, AB

Murguet (esq.) e Pedrucci: ambições redobradas para América Latina e Brasil
Dentro do plano estratégico “Drive the Future” divulgado mês passado pela Renault com objetivos traçados até 2022 (leia aqui), a região Américas, que inclui o Brasil, terá a missão de quase duplicar as vendas do nível de 356 mil veículos em 2016 para mais de 600 mil nos próximos cinco anos, fazer o lucro operacional regional crescer três vezes, avançar a participação no mercado brasileiro dos atuais 7,8% (resultado acumulado até outubro de 2017) para 10% e estar entre as três marcas mais vendidas da Argentina e Colômbia. Com isso, a América Latina deverá contribuir com 20% do crescimento nos volumes globais do Grupo Renault, que espera aumentar as vendas de 3,5 milhões em 2016 para 5 milhões até 2022 (considerando as marcas Renault, Dacia, Lada e Samsung).

“Os níveis de motorização na maior parte dos países latino-americanos são baixos, cerca de metade dos países desenvolvidos. Existe apetite por carros na América Latina e nós temos confiança que este mercado vai crescer sustentavelmente nos próximos anos”, avalia Olivier Murguet, presidente da Renault Américas, que na quarta-feira, 8, divulgou os objetivos regionais do plano “Drive the Future”. “Por isso preparamos aqui uma ofensiva de lançamentos sem precedentes, com mais de 95% dos produtos feitos em nossas fábricas no Brasil, na Argentina e na Colômbia”, destacou.

Para alcançar os objetivos nas Américas, será fundamental o bom desempenho no Brasil, hoje responsável por 47% das vendas na região e que deverá responder por metade da meta de vender mais de 600 mil unidades até 2022. A Renault espera que nesses próximos cinco anos o mercado brasileiro volte a superar o nível de 3 milhões de veículos/ano. Com isso, se for confirmado o desejo de obter 10% de participação, significará vender 300 mil carros/ano no País, exatamente o dobro dos 150 mil de 2016. “Com os investimentos que fizemos (R$ 2 bilhões de 2011 a 2017) pudemos renovar a gama de produtos com Oroch, Captur e Kwid, lançamos novos motores. Estamos em boa posição para a relargada do mercado”, afirma Luiz Pedrucci, presidente da Renault Brasil.

“Trabalhamos com uma projeção conservadora para o Brasil tendo em vista que este mercado chegou a 3,8 milhões há não muito tempo atrás”, lembra Murguet. Ele espera que o índice de motorização no País, de 293 veículos por mil habitantes, deverá crescer de 15% a 20% até 2022.

Para o executivo, a Renault tem agora a linha de produtos ideal para alcançar seus objetivos na região, considerando cinco veículos de passageiros (Sandero, Logan, Duster, Captur e Kwid) e quatro comerciais leves (Master, Kangoo, Oroch e a picape média Alaskan a ser lançada no Brasil só no fim de 2018). “Começamos a produzir no Brasil há quase 20 anos os mesmos modelos que vendíamos na França [caso do Clio e Scenic], mas nenhum deles pagou a conta ou deu à Renault a projeção que a marca precisava. Tivemos mais de 10 anos de prejuízos e precisamos nos adaptar com produtos desenhados exclusivamente para o mercado local. Um bom exemplo disso hoje é o sucesso do Kwid”, explica.

Murguet afirma que a Renault não desistiu de explorar no Brasil e na região segmentos de mercado de maior valor agregado, com produtos melhor acabados e mais tecnologia. “Vamos agora dedicar nossos esforços ao portfólio atual, demoramos muito tempo para encontrar uma fórmula de rentabilidade aqui e não queremos estragar essa conquista. Depois, pouco a pouco, com cuidado, poderemos entrar em mais segmentos”, diz.

RITMO ACELERADO

Com a gama atual de produtos, a maior parte das fábricas na região está perto do limite da capacidade. No Brasil, graças ao sucesso inicial de vendas do Kwid, com 17 mil emplacamentos desde o lançamento em agosto passado e produção vendida até o fim deste ano, a linha de veículos leves em São José dos Pinhais (PR) opera em três turnos e no mesmo local a unidade de comerciais leves produz em dois turnos a van Master, líder de mercado no Brasil.

A planta da Colômbia também trabalha em três turnos porque começa a abastecer a Argentina com o Duster, para aliviar a fábrica brasileira que precisa produzir mais Kwid – inclusive para exportar ao mercado argentino onde o carro está sendo lançado este mês. Na Argentina a produção de Sandero acontece em um turno e meio, mas lá a fábrica este ano deixou de produzir sedã Fluence (que não terá substituto) e está sendo preparada para fazer as picapes médias Nissan Frontier, Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X.

“Temos boa flexibilidade para fazer diversos produtos nas fábricas da região e temos boa presença em países que estão fazendo acordos de livre comércio, o que deve dar impulso adicional às vendas”, avalia Murguet. Ele destaca também a capacidade regional de desenvolvimento de produtos, que conta com 900 engenheiros, a maioria deles localizada no Brasil, “com vocação para desenvolver design local e global”, diz.

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