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VW admite cooperação com ditadura militar
Kopper (foto) pesquisou documentos da VW, do governo e entrevistou testemunhas

Indústria | 14/12/2017 | 17h34

VW admite cooperação com ditadura militar

Ajuda à repressão partiu da segurança da fábrica de São Bernardo do Campo

MÁRIO CURCIO, AB

A VW do Brasil reconheceu sua cooperação com a ditadura militar. Essa ajuda partiu de pessoas ligadas à segurança da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A conclusão faz parte de um estudo encomendado ao historiador Christopher Kopper.

Após declarações de ex-empregados à Comissão Nacional da Verdade em 2014, a montadora iniciou um levantamento histórico interno e então pediu a Kopper que fizesse uma pesquisa sobre o papel desempenhado pela empresa durante o regime militar brasileiro, entre 1964 e 1985.

O historiador se baseou em documentos dos arquivos corporativos da Volkswagen tanto da Alemanha como do Brasil. Durante sua permanência em São Paulo o professor Kopper também visitou arquivos governamentais brasileiros e entrevistou testemunhas da época.

Um dos capítulos do material trata da perseguição pela VW a opositores da ditadura militar. Os dossiês preservados pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) comprovam que desde 1969 houve uma troca periódica de informações entre o departamento de segurança industrial da VW do Brasil e os órgãos de repressão da ditadura.

Esse departamento da montadora foi chefiado entre 1969 e 1991 pelo militar Ademar Rudge, que era major quando assumiu a função.

Neste mesmo capítulo do levantamento, Kopper reconhece a possibilidade de a VW ter doado veículos à Oban, sigla de Operação Bandeirante, uma divisão especial organizada no Estado de São Paulo pelas Forças Armadas, Polícia Estadual e Polícia Federal. “Uma vez que a Fiesp apoiava ativamente a Oban e a VW figurava entre os principais membros da Federação, um apoio material direto (fornecimento de veículos) ou indireto à Oban (por contribuições à Fiesp) pela VW do Brasil parece provável.”

Para ler o documento na íntegra acesse aqui. O trabalho está dividido em 12 capítulos, entre eles “A VW e o golpe militar em 31 de março de 1964”; “O desenvolvimento da VW durante o Milagre Econômico Brasileiro (1968 – 1974)”; “A perseguição de opositores políticos da Ditadura Militar”; e “Franz Stangl: um chefe de um campo de concentração como funcionário da VW do Brasil”.

Tags: VW, Volkswagen, Christopher Kopper, Deops, Oban.


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