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09/01/2018 | 19h00

Mercado

GM amplia liderança, Fiat perde mais

Entre as 10 marcas mais vendidas, Jeep foi a que mais cresceu


PEDRO KUTNEY, AB

Na lista das 10 marcas mais vendidas de veículos leves em 2017, chama a atenção o desempenho da Fiat, única que terminou o ano com queda nas vendas, retração de 4,5% sobre 2016, também a que mais perdeu participação, quase dois pontos a menos, com 13,4%. Ainda assim a marca conseguiu sustentar a segunda colocação no ranking, por pouco à frente da Volkswagen, mas com cerca de 100 mil unidades emplacadas a menos que a líder GM, que conseguiu ampliar sua liderança com crescimento de quase 14% no ano, superior à média de 9,4% do mercado, fechando o período com market share de 18,1%, e 0,7 ponto porcentual maior do que o registrado nos 12 meses anteriores.

Sem novidades, cerca de dois terços (65%) dos volumes da GM em 2017 foram consolidados, de novo, por apenas dois modelos: o hatch Onix – carro mais vendido do País com 188,6 mil unidades emplacadas, que segue colado no topo do mercado mesmo com motor ultrapassado e baixos índices de segurança nos testes do Latin NCAP – e o sedã derivado Prisma, em quinto no ranking anual (69 mil). Parte da explicação está nas vendas diretas a frotistas, responsáveis por mais de um terço das compras do Onix; as 66,5 mil unidades do modelo comercializadas por essa via são quase o dobro do segundo colocado na categoria, o Ford Ka (39,2 mil). Mas o Onix também liderou no varejo (122 mil emplacamentos), à frente do Hyundai HB20 (86,8 mil) por boa margem, o que pode ser explicado pelo número bem maior de concessionárias Chevrolet, perto de 150 pontos de vendas a mais do que a concorrente coreana.

Na mão contrária, a Fiat passou 2017 reformulando seu portfólio, lançou o Argo quase já no segundo semestre e nos últimos seis meses tirou de linha cinco modelos antigos, como Punto, Weekend, Siena, Doblò e o mais importante deles, o Palio, que deu adeus no fim de 2017 após figurar entre os mais vendidos do País por 21 anos. Não houve tempo para o Argo ajudar a recuperar volumes, assim a Fiat dependeu de dois comerciais leves (as picapes Strada e Toro, líder e vice-líder do segmento) e um subcompacto não muito bem aceito (o Mobi) para defender sua segunda colocação no ranking. A situação tende a melhorar pouco em 2018 com a chegada do sedã Cronos em março e outras novidades mais adiante.

A situação no Brasil para a dona da Fiat, a FCA, por causa do lado Chrysler da companhia, com a marca Jeep, a que mais cresceu em 2017, subindo do décimo para o nono lugar do ranking, com vendas que avançaram substancialmente 49% de um ano para outro e garantiram participação de mercado um ponto maior, para 4%. O resultado, ou 99% dele, foi construído por apenas dois modelos produzidos no País, na moderna fábrica de Goiana (PE): o SUV médio Compass terminou o ano na liderança da categoria de utilitários esportivos (49,2 mil unidade emplacadas) e o irmão menor Renegade foi o quarto (38,3 mil).

A terceira colocada do ranking de 2017, a Volkswagen, passou por situação parecida da Fiat, precisou fazer reformulações importantes em seu portfólio, mas não tirou modelos de linha, conseguiu sustentar o Gol entre os carros mais vendidos do País (ficou em quarto com quase 74 mil unidades emplacadas, cerca de um quarto das vendas totais da marca no ano), e assim reconquistou parte do terreno perdido nos últimos dois anos. Os emplacamentos avançaram 19%, o dobro da média de mercado, e a VW recuperou um ponto de participação, agora em 12,5%.

A Ford também fez resultado acima da média do mercado, as vendas cresceram 14,7% em 2017 e a participação avançou levemente 0,44 ponto, para 9,5%, o suficiente para recuperar o histórico quarto lugar do ranking perdido um ano antes, quando a marca ficou na sexta colocação ultrapassada por Hyundai e Toyota. Quase metade das 205 mil unidades comercializadas foi garantida pelo Ka, que fechou o ano como terceiro carro mais vendido do País (95 mil emplacamentos), em boa medida ajudado pelos negócios com frotistas que representaram 41% das compras do hatch – e metade das do sedã derivado Ka+. O EcoSport foi oi segundo Ford mais emplacado, mas a renovação do modelo feita já no meio do ano impediu resultado mais robusto.

A Ford empurrou a Hyundai para a quinta colocação por poucas milhares de unidades. A marca ainda conseguiu expansão de 2% nas vendas, mas a participação de mercado deslizou levemente para 9,3%, ou 0,66 ponto menor do que em 2016. Os três produtos feitos em Piracicaba (SP) sustentaram o resultado. O hatch HB20 (105,5 mil emplacamentos) respondeu por quase metade do volume da marca no País e foi o segundo carro mais vendido de 2017, enquanto o SUV Creta lançado no início do ano vendeu mais de 40 mil (foi o terceiro utilitário esportivo mais emplacado) e o sedã HB20S registrou vendas acima das 32 mil unidades. O problema foi o fraco desempenho dos outros modelos importados ou produzidos sob licença em Anápolis (GO) pelo Grupo Caoa.

Também superada pela Ford, a Toyota caiu uma posição no ranking, agora figura em sexto lugar, mas conseguiu crescimento de 5,3%, o dobro do verificado um ano antes, quando foi a única marca entre as mais vendidas do País que tinha registrado expansão das vendas. O carro chefe da fabricante japonesa no Brasil continua sendo o sedã médio Corolla (66,2 mil emplacamentos), que apesar de ostentar preços acima dos R$ 100 mil foi o sétimo carro mais vendido em 2017, após pequena reestilização de design no começo do ano. Também foram razoáveis os desempenhos do popular Etios (42 mil) e da picape média Hilux (34,3 mil, líder de seu segmento), garantindo assim participação de mercado quase inalterada de 8,7%.

A Renault se manteve na sétima posição do ranking com novidades que ainda não ajudaram a marca a fazer volumes, caso do SUV Captur lançado no início do ano sem todas as versões (o 1.6 com câmbio CVT chegou só no segundo semestre) e do subcompacto Kwid que começou a ser vendido só em agosto – fez sucesso inicialmente mas passou por problemas de entrega e um grande recall que atrasou a produção. Assim o Renault mais vendido no Brasil continuou sendo o Sandero (67,3 mil, o sexto carro mais emplacado). Foi o suficiente para garantir bom crescimento de 11,3% e market share de 7,7%, quase igual ao de 2016.

Parada no mesmo oitavo lugar de 2016, a Honda teve crescimento pouco abaixo da média do mercado em 2017, de quase 7%, e seu market share ficou estável em 6%. O maior sucesso da marca segue sendo o SUV HR-V, responsável por pouco mais de um terço das vendas, mas que no ano perdeu por poucas unidades a liderança do segmento de utilitários esportivos para o Jeep Compass. O principal lançamento da Honda no período, o WR-V, não emplacou bem, com 15,3 mil unidades vendidas em nove meses de mercado.

A Nissan perdeu para a Jeep a nona posição do ranking e caiu para o décimo lugar, apesar da expressiva expansão de 29,4% nas vendas do ano e ganho de meio ponto porcentual de participação, agora em 3,6%. O SUV Kicks, que começou a ser produzido em Resende (RJ) no ano passado, rapidamente se tornou o mais vendido da marca no País, dominando 42% dos emplacamentos (33,4 mil unidades). O problema é que os outros dois Nissan nacionais, o hatch March e o sedã derivado Versa, não acompanharam o mesmo ritmo.


Comentários: 1
 

Alan Goncalves
15/01/2018 | 08h25
Tenho uma dúvida... Porque a Citroen não aparece em nenhuma observação? Abrs.

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