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Principais itens de segurança previstos no Rota 2030 serão incorporados depois de 2023
O diretor de assuntos regulatórios da FCA para a América Latina, João Irineu Medeiros, mostra o que o Rota 2030 prevê para a segurança veicular no curto, médio e longo prazos (Foto: Luis Prado)

Legislação | 17/09/2018 | 21h16

Principais itens de segurança previstos no Rota 2030 serão incorporados depois de 2023

Componentes que podem minimizar atropelamentos, colisão entre veículos e contra obstáculos vêm na segunda fase do programa

SUELI REIS, AB

Um dos principais avanços do Rota 2030 será o incentivo para empresas que adotarem em seus veículos itens de segurança, sejam eles ativos ou passivos. Pelo desenho atual da nova política industrial, que ainda se encontra em análise na Comissão Mista formada por representantes da Câmara e do Senado, estão previstas pelo menos dez diferentes tipos de equipamentos capazes de reduzir ou mesmo evitar acidentes no trânsito. No entanto, aqueles que podem ter maior eficácia nos tipos de acidentes mais comuns no Brasil só serão exigidos na segunda fase do programa, depois de 2023. A informação partiu do diretor de assuntos regulatórios e compliance da FCA para a América Latina, João Irineu Medeiros, durante o VI Workshop Legislação Automotiva, realizada por Automotive Business na segunda-feira, 17, em São Paulo.

O Rota 2030, que traz previsibilidade no longo prazo, é dividido em três fases de cinco anos cada: se aprovado, a primeira começa em 2019 e vai até 2023. Para esta primeira fase, estão previstos equipamentos como luz de rodagem diurna (DRL), aviso de frenagem de emergência, aviso de não afivelamento do cinto (SBR), todas relacionadas a segurança ativa.

E só depois dessa primeira fase é que estão previstas a entrada de itens de segurança de segurança passiva, como forma de minimizar ou mesmo evitar impactos de colisão ou atropelamentos, que são os tipos mais comuns no Brasil. Os itens a serem adotados foram elencados a partir dos dados alarmantes sobre acidentes rodoviários no País.

Dados da Organização Mundial da Saúde e citados por Medeiros mostram que o Brasil tem uma das maiores taxas de mortes no trânsito do mundo, de 23,4 por 100 mil habitantes, o dobro de países como Chile, México e Argentina, por exemplo, motivo que chamou a atenção do G4, um dos seis grupos de trabalho que se debruçaram para definir as normativas do Rota 2030 ao longo dos 18 meses de discussão iniciados no segundo trimestre de 2017.

Nas rodovias, a principal causa de acidentes fatais é colisão entre veículos em movimento, índice que chega a 54% do total de ocorrências registradas pela Polícia Federal. Enquanto isso, em trechos urbanos a principal causa de fatalidade são os atropelamentos.

“Foi com base nesta tipologia de acidentes recorrentes no Brasil que foi feita a proposta do road map de segurança veicular no Brasil, que determina o que deve ser adotado como item de segurança no curto, médio e longo prazos. A fase dois terá o maior impacto para os veículos”, afirma Medeiros.

Visando a problemática dos atropelamentos, foi proposta a adoção de itens que visam a proteção do pedestre a fim de reduzir as fatalidades e ferimentos dos mesmos em caso de atropelamentos. O executivo cita equipamentos como capô em alumínio para melhor absorção de energia (do impacto), absorvedor de energia frontal para para-choque frontal, barra de proteção e crash box que proporcionam estruturas capazes de absorver a energia do impacto, minimizando os danos ao atropelado. Outra medida é a adoção do aviso de marcha a ré com sensores e/ou câmera.

Visando as colisões entre veículos, foram propostas as adoções de sistema de frenagem de emergência autônoma e aviso de saída de faixa no quesito colisão contra outros veículos, que segundo o executivo, ainda requerem estudos para adaptá-los às condições brasileiras de trânsito.

Já para colisões com objetos, estão designados sistemas que minimizem os impactos causados por colisões laterais de poste, como airbag de cortina, airbag lateral (abaixo da cortina), reforços e alargamentos da coluna B e da carroceria para inserção do airbag lateral, além de novos tipos de bancos.

Segundo Medeiros, algumas tecnologias requerem altos investimentos ao mesmo tempo em que serão necessárias modificações estruturais dos veículos.

Ele acrescenta que a previsão do que adota no Brasil para elevar a segurança veicular no Brasil foi pensado com base no road map da ONU, no qual ainda estão em curso diversas discussões sobre a harmonização de alguns requisitos

“É um desafio, porque não é necessário copiar, mas ter referências é importante para fazer a leitura dos acidentes e adaptar essas tecnologias para a realidade local”, afirma Medeiros.

Ele acrescenta que também há desafios para a engenharia brasileira, incluindo a cadeia de sistemistas, que devem avaliar o que é possível trazer para a indústria nacional (em termos de produção local).



Tags: Rota 2030, segurança, segurança veicular, legislação, João Irineu Medeiros, Workshop Legislação Automotiva.

Comentários

  • LUIZSERGIO ALVARENGA

    Háalguma expectativa da Inspeção Técnica Veicular entrar na primeira fase?

  • Mário Curcio

    Luiz, em abril deste ano o Denatran adiou por tempo indeterminado o início da inspeção veicular alegando "necessidade de debate mais aprofundado".

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