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Anfavea contorna disputa e indica Luiz Carlos Moraes à presidência
Luiz Carlos Moraes (à direita), da Mercedes-Benz, e Fabrício Biondo, da PSA, serão os novos presidente e 1º vice-presidente da Anfavea na gestão 2019-2022

Entidades | 30/01/2019 | 19h03

Anfavea contorna disputa e indica Luiz Carlos Moraes à presidência

Ele comandará a entidade no período 2019-2022, Fabricio Biondo será seu vice

PEDRO KUTNEY, AB

Após quase um ano de silenciosa disputa interna, a diretoria da Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos instalados no País, conseguiu costurar consenso para indicar uma chapa única para a eleição da nova direção da entidade no triênio 2019-2022, registrada oficialmente na terça-feira, 29. Luiz Carlos Moraes, diretor de comunicação e relações institucionais da Mercedes-Benz do Brasil, é candidato único para ser o novo presidente, a ser empossado em abril próximo, sucedendo Antonio Megale que termina seu mandato este ano. Fabricio Biondo, vice-presidente de comunicação, relações externas e digital do Grupo PSA (Peugeot Citroën) na América Latina, será o primeiro vice-presidente, em sucessão a Rogelio Golfarb – que pela tradição da Anfavea era o mais cotado a assumir a presidência.

Moraes e Biondo há alguns anos são integrantes da direção da associação, ocupando vice-presidências como representantes de suas empresas. Até poucos dias atrás os dois estavam em lados opostos, ambos candidatos a ser primeiro vice-presidente da entidade, Moraes na chapa que seria encabeçada por Golfarb e Biondo na oposição liderada por Ricardo Martins, atual gerente de assuntos corporativos da Hyundai Motor Brasil. Seria a primeira vez que a Anfavea teria duas candidaturas concorrendo à presidência.

Segundo informações apuradas por Automotive Business, o novo arranjo de consenso foi costurado este mês em uma reunião na sede da Anfavea, em São Paulo, cerca de duas semanas atrás. O encontro teria sido convocado pelo atual presidente Megale, que tomou a iniciativa de negociar a pacificação entre membros da diretoria e assim evitar um racha interno na organização, nunca antes exposto abertamente como desta vez.

Pessoas que participaram da reunião disseram que, para chegar ao acordo que formalizou a chapa única Moraes/Biondo para a próxima eleição de fevereiro, tanto Golfarb e como Martins desistiram de apresentar suas candidaturas à presidência. “Ambos concordaram em fazer esse gesto para garantir a união da entidade. Não seria bom para a associação essa concorrência, precisamos do apoio de toda a direção para defender e negociar os interesses do setor”, afirma uma fonte.

Em um lacônico comunicado oficial distribuído na quarta-feira, 30, a Anfavea confirmou o registro da chapa única para definição da nova gestão no triênio 2019-2022 e que os dois executivos tomarão posse em 23 de abril, em São Paulo. “Nos últimos meses, a diretoria das entidades (Anfavea e Sinfavea) discutiu a sucessão para os próximos anos e de maneira democrática ocorreu a escolha das melhores propostas para a associação”, diz a nota.

FIM DA TRADIÇÃO



A escolha de Moraes e Biondo pode colocar fim ao rodízio de apenas cinco empresas que vêm se revezando no comando da Anfavea em pelo menos 40 dos 63 anos de história da entidade. Há cerca de quatro décadas Fiat (atual FCA), Ford, GM, Mercedes-Benz e Volkswagen elegem em chapa única os presidentes e vices da associação – e em todo esse tempo quase sempre o primeiro vice-presidente (ou outra pessoa da mesma empresa) foi escolhido para ser o presidente seguinte, como seria o caso agora de Rogelio Golfarb, vice-presidente de estratégia da Ford América do Sul, que já esteve à frente da presidência da Anfavea no período 2004-2007.

Desde o início desta década esse rodízio começou a ser questionado por representantes de outras empresas, as chamadas newcomers, que começaram a se instalar no Brasil nos anos 1990 e mais que triplicaram o número de sócios da entidade (hoje são 26). Especulava-se que a próxima gestão seria a última a ser composta pela sucessão das cinco montadoras tradicionais do mercado brasileiro. Mas as pressões aumentaram nos últimos anos e a interrupção foi feita agora com a escolha de um representante de cada lado, antigo e novo – no caso, Moraes vindo da Mercedes, uma das fundadoras da Anfavea que já soma 63 anos de operação no País, e Biondo da PSA, que iniciou a produção nacional de carros Peugeot e Citroën em 2001.

Não está certo, contudo, como serão os arranjos daqui para frente. Outras chapas poderão concorrer ao comando da entidade ou apenas uma de consenso, com nomes e empresas diferentes ou iguais. Próximo primeiro vice-presidente, Biondo poderá estabelecer um novo rodízio se for o próximo presidente, caso ele, a empresa que representa e a direção da Anfavea queiram, puxando para a vice-presidência representante de montadora antiga ou newcomer. Tudo pode mudar de novo. “Isso vai depender das pessoas que estão na diretoria. Alguns têm o desejo pessoal de ser o presidente da Anfavea e querem trabalhar para alcançar este objetivo, independentemente da empresa para qual trabalham. Outros preferem uma atuação mais discreta e representativa para a empresa”, avalia uma fonte.

Desta vez, a escolha da dupla Moraes/Biondo tira da presidência da Anfavea representantes de empresas concorrentes que poderiam defender interesses antagônicos, como já ocorreu em passado não muito distante na negociação de programas de política industrial que beneficiaram alguns sócios e prejudicaram outros. Tanto Mercedes quanto PSA são fabricantes de baixos volumes e atuam em mercados diferentes, também não representam ameaça à maioria dos associados da entidade.

Para os próximos três anos, estão na agenda do setor importantes questões de ordem tributária e de acordos de comércio exterior que deverão ser negociadas com um governo ainda desconhecido. O perfil conciliador de Moraes poderá ajudar a costurar interesses comuns e unir a associação. Por isso ele foi aceito pela maioria dos membros da direção atual da Anfavea. Dessa forma, ao menos por enquanto, a pacificação foi feita.



Tags: Anfavea Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, eleições, entidades, Luiz Carlos Moraes presidente, Mercedes-Benz, Fabricio Biondo primeiro vice-presidente, PSA.

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