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Ford decide fechar a fábrica de São Bernardo do Campo

Indústria | 19/02/2019 | 17h07

Ford decide fechar a fábrica de São Bernardo do Campo

Empresa confirma que deixará de produzir caminhões na América do Sul; operação será encerrada ao longo de 2019

REDAÇÃO AB

A Ford surpreendeu o mercado na terça-feira, 19, ao comunicar que fechará as portas de sua fábrica de São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista. Em nota enviada à imprensa, a companhia confirma que deixará de atuar no segmento de caminhões na América do Sul como parte de sua reestruturação global “para o retorno à lucratividade sustentável das operações na região”. Com isso, a empresa encerrará as atividades da unidade ao longo de 2019. A planta, que atualmente emprega 2,8 mil pessoas, era a responsável pela produção de caminhões da linha Cargo, F-4000 e F-350, além do modelo Fiesta, que está no fim da vida e que também terá a produção encerrada. A Ford deixará de vender esses modelos quando terminarem seus estoques.

Em nota, a empresa afirma que a decisão foi tomada após meses pela busca de alternativas, o que segundo a Ford incluía a possibilidade de parcerias e até venda da operação. Bastidores da indústria chegaram a apontar o interesse da DAF nos caminhões Ford, mas o assunto nunca foi adiante, pelo menos não oficialmente.

Ainda de acordo com a fabricante, manter o negócio de caminhões teria exigido um alto volume de investimentos para atender às necessidades do mercado e aos crescentes custos com itens regulatórios, como novas exigências do Proconve P8 ou Euro 6 que já está previsto para o Brasil a partir de 2023. Mesmo assim, a empresa argumenta que isso não garantiria um caminho viável para um negócio lucrativo e sustentável.

US$ 460 MILHÕES EM CUSTOS


A Ford estima que essa decisão custará algo em torno de US$ 460 milhões a serem registrados como despesas não recorrentes no balanço da companhia em 2019. Este valor é parte dos US$ 11 bilhões em despesas, com efeito no caixa de US$ 7 bilhões, que a companhia prevê utilizar em todo o seu processo de reestruturação global.

Do total a ser gasto no Brasil com o fechamento da fábrica de São Bernardo, cerca de US$ 360 milhões estão relacionados a compensações de funcionários, concessionários e fornecedores. Os demais US$ 100 milhões se referem à depreciação acelerada e amortização de ativos fixos. Em comunicado, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, amenizou a má notícia ao reforçar o interesse da companhia na região:

“A Ford está comprometida com a América do Sul por meio da construção de um negócio rentável e sustentável, fortalecendo a oferta de produtos, criando experiências positivas para nossos consumidores e atuando com um modelo de negócios mais ágil, compacto e eficiente”,



O executivo garantiu ainda que a Ford dará todo o suporte aos colaboradores e parceiros nesta etapa de desativação das atividades no ABC. “Sabemos que essa decisão terá um impacto significativo sobre os nossos funcionários de São Bernardo do Campo e, por isso, trabalharemos com todos os nossos parceiros nos próximos passos, atuando em conjunto com concessionários e fornecedores. A Ford manterá o apoio integral aos consumidores no que se refere a garantias, peças e assistência técnica.”

No seu processo de reestruturação, a companhia determinou a redução em mais de 20% dos custos com funcionários e com a estrutura administrativa em toda a região. Além disso, o plano foca no fortalecimento das linhas de veículos, com ênfase em SUVs e picapes. Para isso, prevê a expansão das parcerias globais, como a recente aliança que firmou com a Volkswagen para desenvolver picapes de médio porte.

Por fim, a Ford também decidiu encerrar a produção do Focus na Argentina.



Tags: Ford, fábrica, São Bernardo do Campo, caminhões, Lyle Waters.

Comentários

  • MarcosMeyer

    Issoé fruto da venda de veículos inapropriados e com péssimas mecânica... a exemplo do Câmbio Powershift, que foi uma vergonha para a marca, principalmente porque demonstrou o quanto a Ford está despreparada com relação ao seu pós venda e respeito ao CDC no Brasil. É uma pena, pois essa má gestão e conduta certamente contribuiu para o que está acontecendo... relato de um infeliz proprietário de New Fiesta Powershift e pessimamente atendido pela Ford Brasil.

  • DécioBittencourt

    Adinâmica da "nova indústria automobilística " vai exigir das montadoras muito mais do que do "ajustes " operacionais que ora a Ford está promovendo em SBC

  • MARCOCOELHO

    Aindustria automotiva brasileira e seus desafios. É o primeiro setor a parar na crise, e o último a arrancar. Depende diretamente da confiança do consumidor e de crédito para financiamento. Alta carga tributária e combustível de péssima qualidade, sendo os motores nacionais máquinas ineficientes, quando comparadas com seus pares nos países desenvolvidos. São anos sem uma política clara de geração de empregos, e, pelos vistos, assim continuaremos pelos próximos anos. Lamento pelas famílias da Ford do Brasil.

  • Ubiratandos Santos

    Jáé hora das montadoras de veículos entenderem, que só sobreviverá, tem tiver um bom produto, com um bom preço e um bom pós vendas. A Ford com toda a certeza, não fez o dever de casa!!! O resultado não poderia ser diferente.

  • AndréThiago de Oliveira Pires

    Essaatitude é o empurrão para a guerra e as reformas infames. Já disse o ditado " A HISTÓRIA SURPREENDE QUEM DE HISTÓRIA NADA ENTENDE".

  • AntonioAugusto de Castro bisneto

    Endossoas palavras do Sr. marcos Meyer. Também fui um infeliz proprietário de um New Fiesta, que é um excelente carro, com itens que muitos carros top de linha de outras montadoras não possuem (Sensor de chuva e comando de voz) mas com um sistema de câmbio/embreagem péssimos. Tive que trocar 5 vezes o conjunto, pela garantia, mas o desprazer foi muito grande.É uma pena, pois meu primeiro emprego foi na concessionária Ford de Limeira, onde aprendi a amar a marca Ford, tendo sido consumidor de vários modelos, até que comprei o New Fiesta...

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