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BorgWarner prevê maior participação em todos os mercados de propulsão
No Brasil, BorgWarner prevê que Rota 2030 impulsionará ainda mais o mercado de turbos para atender os novos níveis de eficiência energética

Autopeças | 28/03/2019 | 19h30

BorgWarner prevê maior participação em todos os mercados de propulsão

Híbridos e elétricos terão os maiores índices de crescimento, mas veículos a combustão ainda dominarão o mercado no médio prazo

SUELI REIS, AB

É fato que a indústria automotiva também está se reinventando quando o assunto se refere a propulsão. Basta reparar na crescente lista de modelos de veículos híbridos ou aqueles 100% elétricos que surgem em intervalos cada vez mais curtos de tempo. Algumas montadoras com atuação global, como VW e Volvo já anunciaram sua ofensiva de produtos eletrificados, o que está beneficiando não só as cidades e as regiões com níveis cada vez mais exigentes na redução de emissões, como os fornecedores da cadeia dedicados à indústria.

Caso da BorgWarner, fabricante de sistemas e componentes voltados para os sistemas propulsores. Segundo o vice-presidente global de marketing, relações públicas, comunicação e assuntos governamentais, Scott Gallett, esse movimento aumentará significativamente os negócios da companhia, que atua nas três principais frentes com amplo portfólio tanto para veículos a combustão, quanto híbridos e também 100% elétricos. Ele esteve no Brasil para uma conversa exclusiva com Automotive Business e falou sobre as expectativas da empresa e o futuro dos sistemas de propulsão e qual o impacto de cada um deles na empresa.

Os motores a combustão ainda vão dominar os mercados por um período importante, naturalmente em volumes menores do que já foi registrado em anos passados ao mesmo tempo em que híbridos e elétricos aumentarão sua participação no mercado global.

Ele cita dados da IHS que demonstram avanços para a empresa em cada um dos três tipos de propulsão, com dados relacionados entre 2017 e 2023. Neste período, o volume de veículos no mundo movidos a combustíveis fósseis deve diminuir 3%, de 91 milhões para 76 milhões, considerando o mercado mundial de veículos de passeio.

“Apesar disso, nossa receita com este segmento deverá crescer 1% no mesmo período, para US$ 8,3 bilhões, já considerando contratos de fornecimento assinados: são números reais e não somente projeções”, indica Gallett.

Da mesma forma, o mercado de veículos híbridos trará bons resultados para a companhia. Seus cálculos mostram que este terá o maior índice de crescimento entre o período de 2017 a 2023, passando de 3 milhões para 23 milhões. “Será um crescimento anual de 36% o que consequentemente elevará também nossa receita e participação neste mercado”, comenta.

Veículos híbridos representaram pouco mais de US$ 100 milhões da receita da fabricante em 2017, quando somou US$ 9,8 bilhões, segundo seus dados mais recentes. Para 2023, a companhia projeta um faturamento de US$ 14 bilhões, com crescimento anual previsto em 6% ao ano até lá. Da mesma forma, a parcela da receita que virá do mercado de veículos híbridos deverá aumentar 73%, para US$ 3,2 bilhões entre 2017 e 2023.

O mesmo vale para os modelos 100% elétricos: em 2017, o faturamento advindo deste mercado foi um pouco abaixo dos US$ 100 milhões, montante que deve avançar para mais de US$ 600 milhões nos próximos cinco anos. O volume global de vendas, segundo forecast da IHS, prevê mais de 5 milhões de unidades em 2023 contra os pouco mais de 900 mil de 2017.

“A BorgWarner aposta nos três sistemas de propulsão e nossa projeção está alinhada com o mercado, mantendo um equilíbrio e proporcional ao crescimento de cada segmento”, reforça Gallett.

O aumento da receita não se deve apenas ao maior volume de vendas previsto em cada segmento, mas também ao maior valor agregado dos componentes de cada sistema. Segundo a empresa, em 2023, até 46% dos veículos híbridos terão pelo menos um componente da marca contra 25% do volume verificado em 2017. De acordo com a empresa, em média, cada componente que equipou um carro híbrido em 2017 equivaleu a US$ 147, valor que deverá subir para US$ 275 em cinco anos.

A mesma lógica é aplicada nos veículos 100% elétricos: em 2017, a participação da BorgWarner neste mercado foi de 13% e sua projeção indica um market share de 33% em 2023. O valor de cada componente passará de US$ 204 para US$ 340, em média.

O mercado de veículos a combustão não fica para trás: a participação de 2017, que foi de 47%, passará para 52% em cinco anos, com valores por peça avançando de US$ 187 para US$ 210.

OPORTUNIDADES NO BRASIL


Embora o mercado brasileiro ainda engatinhe quando o assunto é veículo híbrido e elétrico, a BorgWarner ainda vê boas oportunidades aqui com o que o País oferece em termos de produto. Para o diretor geral da empresa no Brasil, Vitor Maiellaro, o Rota 2030 produzirá o mesmo efeito do Inovar-Auto, que exigiu redução de emissões, e com isso, obrigou as montadoras a introduzir componentes em seus veículos com este fim.

“Enxergamos com bons olhos porque dará continuidade para que possamos trazer mais tecnologias e aplicações de produtos para o Brasil.”

Ele cita que entre os produtos do portfólio que deverão elevar a demanda por causa da maior eficiência energética exigida também pelo Rota 2030 está o turbocompressor, além do start-stop, correntes e variador de fase do eixo de comando de válvula, também conhecido como VCT, também fabricado no Brasil, na unidade de Itatiba (SP).

“Todos vão escolher as mesmas tecnologias? Claramente que não, mas todas vão adotar. E caso elas escolham ou necessitam de algo a mais que ainda não temos aqui, dependendo do projeto, podemos trazer, porque o portfólio global é amplo”, indica.



Tags: BorgWarner, propulsão, híbridos, elétricos, combustão, eficiência energética, consumo.

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