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Toyota confirma Corolla híbrido flex e espera IncentivAuto
Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, e o governador de São Paulo, João Doria, em frente ao Corolla híbrido flex ainda disfarçado: investimento no Estado

Indústria | 17/04/2019 | 19h20

Toyota confirma Corolla híbrido flex e espera IncentivAuto

Governador Doria indica que investimento para fazer carro em Indaiatuba deve ser incluído em programa estadual de incentivo

PEDRO KUTNEY, AB

Conforme antecipado na terça-feira, 16, a Toyota confirmou que o primeiro carro híbrido flex do mundo será uma das versões do novo Corolla, que começa a ser fabricado no segundo semestre em Indaiatuba (SP).

O presidente da fabricante no Brasil, Rafael Chang, fez o anúncio oficial na quarta-feira, 17, na sede do governo paulista, ao lado do governador João Doria, que não escondeu as negociações para incluir a empresa no IncentivAuto – programa criado no início de março pelo governo de São Paulo de incentivo à indústria automotiva, que prevê descontos no ICMS que começam em 2,25% para investimento mínimo no Estado de R$ 1 bilhão e geração de pelo menos 400 empregos; o benefício sobre gradualmente até o abatimento máximo no imposto estadual de 25% para aportes superiores a R$ 10 bilhões.

“Criamos o programa IncentivAuto que também deverá ser usado pela Toyota, porque esperamos para breve o anúncio de novos investimentos da empresa no Estado”, disse o governador João Doria.



Na cerimônia o presidente Rafael Chang disse que a produção no Brasil da 12ª geração do sedã Corolla, que será montado sobre a plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture) do grupo japonês, envolve investimentos de R$ 1,6 bilhão. No ano passado a Toyota anunciou investimento de R$ 1 bilhão na fábrica de Indaiatuba, onde o Corolla nacional é produzido desde 1998. Os R$ 600 milhões acrescentados por Chang referem-se a aportes feitos na planta de Porto Feliz (SP), onde serão feitos os motores do novo carro, que terá a versão híbrida flex e outras somente com motorização a combustão flex. Mas o powertrain híbrido flex, que inclui um motor elétrico e outro a combustão bicombustível etanol-gasolina, será inicialmente importado do Japão, com montagem no Brasil.



“Em março de 2018 lançamos o primeiro protótipo do primeiro carro híbrido flex (o Prius). Depois de mais de um ano de testes, hoje anunciamos que o nosso campeão de vendas, o Corolla, será o primeiro veículo Toyota a ser vendido com as duas tecnologias, híbrida e flex, em linha com os propósitos do programa IncentivAuto e também do Rota 2030”, afirmou Rafael Chang.



O executivo confirmou que a empresa ainda negocia com o governo estadual a inclusão do investimento no IncentivAuto. “Sim, estamos conversando para incluir, vamos esperar a regulamentação sair na próxima semana”, disse Chang após o anúncio oficial no Palácio dos Bandeirantes. No investimento feito em Indaiatuba, estão previstas somente modernizações para aumentar a produtividade da planta, mas a capacidade nominal de 85 mil veículos/ano não será aumentada.

TECNOLOGIA DESENVOLVIDA NO BRASIL



Segundo o presidente da Toyota, “a tecnologia do carro híbrido flex foi desenvolvida no Brasil por brasileiros e para brasileiros”. Até chegar à formatação do primeiro protótipo, no ao passado, a Toyota realizou diversos testes em laboratório, que tiveram início há quase quatro anos, em 2015. O projeto colocou lado a lado as equipes de engenharia da empresa no Japão e Brasil.

Chang também disse que o novo Corolla começa a ser vendido no País a partir de outubro e as exportações serão iniciadas em 2020. Não ficou claro, contudo, se a versão híbrida flex também será exportada ou ficará confinada ao território brasileiro, como acontece hoje com quase todos os carros flex produzidos.

Já o governador Doria classificou o anúncio de “fato histórico”, por incluir pela primeira vez o etanol na tecnologia híbrida, o que beneficia diretamente o setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo, hoje o maior produtor mundial do biocombustível. “A tecnologia do etanol evolui para criar um produto brasileiro que traz vantagens ao meio ambiente e que muito em breve também poderá ser exportado a outros mercados”, avaliou o governador.

Ao menos em um primeiro momento, o Corolla híbrido flex brasileiro utilizará o mesmo sistema híbrido autorrecarregável do Prius atualmente vendido no Brasil – ou seja, não haverá versão plug-in, que usa o motor a combustão para recarregar as baterias e também pode ser plugada à tomada, por isso tem maior autonomia com a propulsão puramente elétrica. O próprio Prius já tem uma versão plug-in e a maioria dos híbridos vendidos atualmente na Europa e Estados Unidos também podem ser recarregados na tomada.

“Apostamos no híbrido autorrecarregável porque ele não precisa de estrutura de recarga”, explica Chang. “Com o uso de etanol, será muito eficiente e limpo”, acrescenta, referindo-se às emissões de CO2 quase neutras do biocombustível brasileiro, que são quase inteiramente reabsorvidas pela própria plantação de cana. Em combinação com o motor elétrico, o Corolla híbrido flex também promete ser o carro movido a etanol mais econômico do País.

Com essas qualidades e na condição de um dos carros mais vendidos do País, a versão híbrida do novo Corolla tem potencial para aumentar a penetração da tecnologia no Brasil, introduzida pela própria Toyota em 2013, quando começou a vender aqui o Prius – desde então foram emplacadas no País 6.331 unidades do modelo híbrido, até março passado.

O Prius custa hoje R$ 125,6 mil e a produção no Brasil do Corolla híbrido flex pode fazer esse valor cair, levando em consideração que esse tipo de veículo será beneficiado pela legislação do Rota 2030, que prevê a redução de três pontos porcentuais no IPI de modelos híbridos bicombustível. Além desse incentivo, o carro poderá também contar com o desconto no ICMS do Estado, se o investimento for de fato reconhecido pelo IncentivAuto.



Tags: Toyota, Corolla Híbrido Flex, bicombustível etanol gasolina, investimento, IncentivAuto, Indaiatuba, João Doria, governo do Estado de São Paulo.

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