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Moraes assume Anfavea com discurso de competitividade
Fabricio Biondo (esquerda) e Luiz Carlos Moraes assumiram a gestão da Anfavea até 2022

Entidades | 23/04/2019 | 18h32

Moraes assume Anfavea com discurso de competitividade

Novo presidente repete discurso do antecessor Megale em busca de rumos para a indústria

PEDRO KUTNEY, AB

Economista e diretor de relações governamentais da Mercedes-Benz do Brasil, Luiz Carlos Moraes assumiu a presidência da Anfavea na terça-feira, 23. Ele vai dirigir a entidade que reúne os fabricantes de veículos instalados no País pelos próximos três anos, até 2022, com objetivo idêntico ao do seu antecessor, Antonio Megale: aumentar a competitividade do setor será a prioridade, com foco em negociações com o governo para reduzir a burocracia e simplificar a pesada tributação aplicada hoje sobre a indústria.

“O setor defende a reforma tributária com a simplificação dos tributos aplicados, para estimular o crescimento. O sistema atual não favorece a produtividade. A Anfavea está pronta a contribuir com essa discussão, que não é só da indústria automotiva, mas afeta a todos. Ninguém aguenta mais tanta ineficiência e desperdício de recursos, empresas e sociedade estão no limite. Essa não é uma questão nova, mas precisamos discutir alternativas”, afirmou Luiz Carlos de Moraes.



O dirigente exemplifica: “Hoje 1,2% do faturamento das empresas é gasto só para calcular e pagar impostos, é muito dinheiro, que poderia ser usado de forma mais produtiva, no desenvolvimento do setor”, pontua. “Temos uma lista de pontos a discutir com o governo e vamos ser transparentes com isso, precisamos melhorar nossa competitividade.” Fabricio Biondo, primeiro vice-presidente eleito junto com Moraes, acrescentou: “Em alguns casos temos de calcular 70 taxas e impostos diferentes sobre um mesmo veículo importado, só a simplificação disso já traria grandes ganhos”, diz.

Moraes afirma ser fundamental a equação desses velhos problemas para, enfim, transformar o Brasil em polo exportador de veículos. “O saudável seria exportar de 30% a 40% da produção, para reduzir a capacidade ociosa das fábricas. Temos de construir uma saída para isso. Mas hoje quem vende mais no exterior é punido com a retenção de bilhões de reais em impostos sem perspectiva de restituição, isso é o caos para nós”, disse, referindo-se especialmente aos créditos de ICMS retido pelos estados.

O novo presidente da Anfavea também destacou que “após a pior crise econômica já vivida pelo País, com retração de 7% do PIB em três anos (2013 a 2016), as empresas só sobreviveram porque as matrizes mantiveram os investimentos no País; agora voltamos a crescer 1,8% em 2017 e 1% em 2018, mas o ritmo ainda é muito lento e não preenche nossa imensa capacidade ociosa”, pondera.

Ao menos Moraes começa sua gestão com o Rota 2030 em vigor, com previsibilidade da regulamentação do setor até 2032, incluindo metas de eficiência energética e adoção de sistemas de segurança veicular, além de apoio à pesquisa e desenvolvimento e nacionalização de autopeças.

“O Rota 2030 foi o projeto que deu mais trabalho nos últimos três anos de minha gestão”, afirmou Antonio Megale em seus comentários de despedida do cargo. “A legislação organiza o setor com previsibilidade às empresas que nunca existiu antes, com metas que trarão novos e grandes investimentos”, acrescentou.



Tags: Anfavea, fabricantes de veículos, Luiz Carlos Moraes, Antonio Megale, gestão, posse.

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