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Com eletrificação, Mercedes-Benz quer reinventar automóvel que inventou
Ola Källenius apresenta no IAA o Vision EQS e o futuro eletrificado da Mercedes-Benz

Estratégia | 23/09/2019 | 19h00

Com eletrificação, Mercedes-Benz quer reinventar automóvel que inventou

Marca tem plano de zerar emissões de CO2 de sua frota de novos carros até 2039

PEDRO KUTNEY, AB | De Frankfurt (Alemanha)

Há mais de 130 anos os fundadores da Mercedes-Benz inventaram o veículo com motor a combustão. Agora, diante da necessidade de frear o aquecimento global e da severa legislação europeia de redução de emissões veiculares de CO2, a marca da estrela de três pontas arquitetou um ambicioso plano estratégico para reinventar o automóvel por meio da eletrificação.

Ola Källenius, recém-empoderado presidente do conselho de administração do grupo Daimler e chefe da Mercedes-Benz Cars, enumerou metas vistosas em sua apresentação à imprensa no eletrificado Salão de Frankfurt deste ano, encerrado no último fim de semana. A fabricante promete que até 2021 a vai lançar 10 carros elétricos da família EQ, em 2030 o objetivo é que mais de 50% dos modelos Mercedes-Benz à venda sejam eletrificados (100% movidos a bateria, células de hidrogênio ou híbridos plug-in), chegando em 2039 com emissão zero em todos os seus veículos.

“Os fundadores da nossa companhia tornaram-se arquitetos de uma nova mobilidade sem cavalos. Nossa tarefa hoje é a mobilidade individual sem emissões”, resume Ola Källenius.



Em sua estratégia, a Mercedes-Benz vai aumentar gradualmente o nível de eletrificação de seus modelos, mas o IAA deste ano foi um ponto de inflexão, em que a fabricante introduziu vários eletrificados de uma só vez, incluindo versões híbridas plug-in dos compactos A 250e hatch e sedã, B 250e, os SUVs GLC 300e e o GLE que vai combinar motores elétrico e diesel. Todos eles podem rodar em trechos urbanos por 70 km a 100 km só com tração elétrica, sem emissões, e usar o propulsor a combustão nas estradas ou para recarregar as baterias – que também podem ser plugadas na tomada. Além disso, já transformou toda a linha Smart em minicarros 100% elétricos que rodam até 150 km antes de recarregar – não há mais opção a combustão – e lançou a versão elétrica da van Vito, a EQV, com autonomia de 405 km.

A conversão elétrica da Mercedes e de todos os outros fabricantes europeus está ligada à dura legislação da União Europeia (UE), que para 2020 obriga a redução de emissões em 25%, para 95 g/CO2/km, e já estipulou um novo e ambicioso corte de 37,5% até 2030. Na prática, quem não eletrificar a frota não alcançará essas metas e poderá pagar pesadas multas por grama de CO2 excedente para cada carro vendido.

ROTA ELÉTRICA SEM VOLTA



Para o vice-presidente de desenvolvimento de eletromobilidade do grupo Daimler, Jochen Hermann, o mundo passa por uma grande transformação e a eletrificação teria de ser feita com ou sem legislação. “Não há chance de fazer nada diferente. Ser sustentável é uma boa ideia, mas não podemos ser uma startup, temos de convencer nossos clientes que somos capazes de oferecer produtos eletrificados tão bons como sempre fizemos, é nisso que vamos nos diferenciar”, resume. Ele reconhece que a rota rumo à eletrificação dos veículos ainda tem muitas questões a serem respondidas, como pontos de recarga, autonomia e descarte de baterias, mas avalia que a vantagem de uma nova tecnologia é justamente o enorme espaço que se tem para evoluir.

“Estamos só iniciando nossa jornada. Uma tecnologia no começo tem problemas, justamente por isso também tem muitas oportunidades de cortar custos e melhorar a performance. Nesse sentido, tudo que fazemos para melhorar o carro elétrico hoje se paga em dobro”, destaca Jochen Hermann.




Jochen Hermann, chefe do projeto de eletromobilidade da Daimler, e a extensa gama de modelos eletrificados apresentada pela Mercedes-Benz no Salão de Frankfurt: “Início da jornada”

O grupo tem hoje cerca de 2 mil pessoas trabalhando em pesquisa e desenvolvimento e boa parte delas está alocada em projetos de baterias e motores elétricos. Segundo Hermann, parte desse trabalho está começando a dar resultados, com queda no custos e no peso dos acumuladores de energia e aumento da autonomia. “É possível que em poucos anos os custos dos carros elétricos sejam os mesmo dos modelos equipados hoje com motores a combustão”, estima.

Boa parte dos novos carros elétricos lançados na Europa podem rodar de 300 a 400 quilômetros antes de precisar recarregar as baterias. No Salão de Frankfurt a Mercedes apresentou o conceito Vision EQS que teoricamente chegaria a até 700 km. Contudo, Hermann avalia que no futuro próximo essa não será a maior qualidade de um veículo elétrico: “Com o tempo as pessoas vão perceber que não precisam de tanta autonomia, porque na média rodam bem menos do que 100 km por dia. Aí poderemos reduzir o tamanho e o preço das baterias, para oferecer opções de modelos mais baratos”, raciocina. “Isso também se resolve com a multiplicação de postos de recarga rápida”, acrescenta.

Hermann também aponta que ao longo da próxima década as células de hidrogênio finalmente se tornarão viáveis – muitos previam o mesmo há 20 anos, quando a Mercedes fez seus primeiros protótipos elétricos alimentados pelo gerador eletroquímico que transforma a mistura hidrogênio/ar em eletricidade e emite apenas vapor d’água na atmosfera. “Não vamos levar mais 20 anos para tornar viáveis os veículos elétricos a células de combustível”, diz o executivo. Ele estima que a tecnologia deverá evoluir primeiro em ônibus e caminhões, para depois se tornar realidade em veículos de passageiros.

É fato que o tempo dos veículos elétricos parece andar mais depressa do que aconteceu com os congêneres a combustão. Também é fato que muitas questões tecnológicas sobre a eletrificação veicular ainda precisam ser resolvidas, mas a decisão sobre a rota a ser seguida já foi tomada pelos fabricantes – e ela é elétrica.



Tags: Mercedes-Benz, eletrificação, elétricos, estratégia, planejamento, bateria, IAA Frankfurt 2019, EQ.

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