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Fornecedores entram em corrida rumo à eletromobilidade no Salão de Frankfurt

Autopeças | 27/09/2019 | 20h00

Fornecedores entram em corrida rumo à eletromobilidade no Salão de Frankfurt

Empresas mudam portfólio de produtos para atender a produção crescente de carros elétricos e híbridos

PEDRO KUTNEY, AB | De Frankfurt (Alemanha)

Além de ter se transformado em uma exibição quase monotemática de veículos elétricos e híbridos, o Salão de Frankfurt encerrado alguns dias atrás também mostrou uma verdadeira corrida de fornecedores rumo à eletromobilidade. Os grandes nomes do setor já vêm se preparando desde o início desta década para oferecer as soluções elétricas eficientes aos clientes, os fabricantes de veículos, mas o IAA 2019 pareceu ser o ápice desse movimento, com motores elétricos, bancos de baterias e sistemas de controle exibidos nos estandes de sistemistas prontos para entrar em larga escala de produção a partir de 2020, acompanhando a entrada em vigor de legislação de emissões mais rígida na Europa e outros lugares do planeta.

Para ficar abaixo dos apertados limites de emissões de CO2, nos próximos 10 anos será necessário aumentar depressa o nível de eletrificação da frota. Projeções da consultoria IHS Markit apontam que até 2025 fatia substancial de 45% dos veículos leves produzidos no mundo terá algum grau de eletrificação, algo como 46 milhões de carros, subindo para 57% em 2030, ou 62 milhões. A IHS também estima que a partir de 2030 serão vendidos anualmente 30 milhões de automóveis elétricos de alta voltagem, o que corresponderá a 27% do total de vendas globais.

Se por um lado existem ainda muitas questões em aberto sobre a propulsão elétrica, como fontes de energia, descarte de baterias, recarga e autonomia, muitos fornecedores estão fazendo da eletrificação uma oportunidade para crescer, a começar pela maior companhia global do setor, a Bosch, que desde 2018 ganhou € 13 bilhões em contratos de fornecimento de componentes e sistemas de eletromobilidade. Em 2025 a empresa previa faturar € 5 bilhões nessa área, mas já está puxando a cifra para cima. É a contrapartida de investimentos de € 400 milhões por ano em tecnologias de emissão-zero, de bicicletas elétricas a caminhões eletrificados, passando por diversos níveis de hibridização do powertrain. Graças à estratégia que se mostrou acertada até o momento, a Bosch trafega bem em ambiente difícil, seus últimos balanços mostram crescimento acima da produção global de veículos.

“Trafegamos na via expressa da eletromobilidade, que traz desafios, mas também oportunidades. Temos de fazer o mercado aceitar os veículos elétricos e para isso precisamos de soluções acessíveis, ou não vamos parar o aquecimento global”, afirma Volker Denner, CEO da Bosch.




O rolling chassis elétrico da parceria Boch-Benteler: fabricante só precisa de uma carroceria para fazer um carro elétrico

No estande da companhia no IAA 2019, o executivo apresentou soluções para tornar a eletromobilidade mais acessível, inclusive para clientes que não conseguiram desenvolver tecnologia própria. Em associação com a também alemã Benteler, a Bosch mostrou no salão o seu rolling chassis elétrico, incluindo toda a estrutura de longarinas e eixos com rodas e pneus, além de baterias, motor elétrico e sistemas, tudo pronto para qualquer fabricante de veículos montar em cima sua carroceria com design próprio. O primeiro cliente já anunciado será a Pininfarina, que vai desenhar um modelo próprio sobre a plataforma modular elétrica Bosch/Benteler.

CONVERSÃO DO PORTFÓLIO



A eletromobilidade está transformando o portfólio de produtos dos fornecedores da indústria automotiva, que investem em desenvolvimento próprio, mas também vão em busca de fusões, parcerias e compras de empresas para agregar soluções já desenvolvidas, principalmente baterias. A Bosch, por exemplo, fechou acordo com a chinesa CATL para produzir células de baterias, enquanto a BorgWarner apresentou no IAA o seu banco de acumuladores de energia produzido na Califórnia, Estados Unidos, em sociedade com a Romeo Power.


Motoro elétrico e banco de baterias da BorgWarner: novo portfólio de produtos

Tradicional fabricante de turbocompressores para motores a combustão, a BorgWarner está comutando seu portfólio para a eletromobilidade. Além das baterias da Romeo, também desenvolveu seu próprio motor elétrico e turbos eletrificados para híbridos. “De todas as tendências disruptivas desta indústria, a eficiência de propulsão é a mais importante delas. A eletromobilidade tem a ver com eficiência. A meta é rodar mais com menos carga de baterias. Para entregar isso aos clientes precisamos ter o domínio de todo o ciclo da eletrificação do powertrain. Estivemos por muitos anos aumentando a eficiência dos motores térmicos, vamos fazer o mesmo com os elétricos”, promete Frédéric Lissalde, CEO da BorgWarner.


A linha de motores elétricos da Schaeffler: 40 a 800 V e 20 a 408 cavalos

Boa parte dos grandes fornecedores da indústria automotiva global apresentou no IAA sistemas próprios de propulsão elétrica. A Schaeffler mostrou ao público pela primeira vez sua linha de motores elétricos, desenvolvidos em larga gama de voltagens (48 a 800 V) e potências de 15 a 300 kW (20 a 408 cv), para uso em veículos híbridos leves, plug-in e 100% elétricos. Segundo a empresa, os propulsores estão em fase final de desenvolvimento para o início da produção em larga escala em breve. Outra solução para a eletromobilidade apresentada pela Schaeffler é sua transmissão híbrida, integrada com o motor elétrico. “Vemos a atual transformação da mobilidade como uma oportunidade de usar nosso conhecimento em tecnologias de trem-de-força e chassi para moldar de forma inovadora o setor de mobilidade sustentável do amanhã”, sustenta Klaus Rosenfeld, CEO da Schaeffler.

A ZF aposta na hibridização como solução ponte para tornar os elétricos mais palatáveis. No salão, apresentou seu conceito de powertrain eletrificado EVplus, para veículos híbridos plug-in que podem rodar até 100 km sem emissões, somente com tração elétrica de um motor acoplado à transmissão híbrida, de potência contínua de 88 cv e pico de 129 cv. É autonomia suficiente para cderca de 90% das pessoas que usam seus veículos para rodar nas cidades. As baterias do carro podem ser recarregadas na tomada (daí o nome plug-in) ou pelo motor a combustão, que pode ser ligado só para percursos mais longos em rodovias.


O protótipo híbrido plug-in EVPlus da ZF: autonomia elétrica de 100 km

“Graças ao EVplus, a próxima geração de híbridos plug-in são veículos elétricos adequados para uso diário. A maior autonomia elétrica oferece direção com emissão zero localmente em rotas cotidianas. Ao mesmo tempo, o motor a combustão elimina a ansiedade relacionada à autonomia que incomoda os condutores, ajudando a acabar com as reservas quanto à compra de veículos elétricos” explica Stephan von Schuckmann, diretor da Divisão de Tecnologia de Powertrain de Carros de Passeio da ZF.

“Oferecer incentivos e acompanhar os clientes em sua jornada em direção à eletromobilidade pode oferecer uma potencial solução mais eficiente do que proibições, regulamentações e solicitar que as pessoas abram mão da mobilidade, especialmente no curto prazo”, ponderou Wolf-Henning Scheider, CEO da ZF, durante o IAA.




O eixo elétrico da Continental: solução rápida para produção de carro elétrico

Já a Continental anunciou no IAA que ainda este ano começa a fornecer seu eixo elétrico para veículos produzidos na Europa e China. O conjunto pesa menos de 80 kg e integra motor, transmissão e inversor (para recarga e regeneração da energia cinética de frenagem). “O sistema permite que fabricantes estabelecidos ou novos fornecedores possam produzir rapidamente um veículos 100% elétrico”, destaca Andreas Wolf, diretor da unidade de powertrain. A Continental também mostrou em seu estande seu powertrain de 40V para carros híbridos leves, que podem atingir de 80 km/h a 90 km/h em modo elétrico.

A Delphi Technologies, em seu primeiro Salão de Frankfurt separada da divisão de arquitetura eletroeletrônica (hoje a independente Aptiv), também embarcou na onda da eletrificação. “Vamos rapidamente nos tornar um mundo de mobilidade elétrica. Mas temos concorrentes de peso nessa área, como Denso, Hitachi e Continental, por isso temos a estratégia de gitrar em torno da eletrificação”, explica Rick Dauch, CEO da empresa.

A aposta mais específica da Delphi para fornecer componentes aos veículos elétricos está no inversor. A empresa anunciou parceria com a fabricante de semicondutores Creed para o desenvolvimento de inversores de 800 V com placa de carbonato de silício, 40% mais leves e 30% mais compactos que os competidores, que podem reduzir pela metade o tempo de recarga das baterias em relação ao inversor de 400 V. O componente também melhora o aproveitamento da regeneração de energia nas frenagens. Segundo a Delphi, um fabricante de veículos premium vai adotar a solução em modelos produzidos a partir de 2022, em um contrato estimado em US$ 2,7 bilhões.

O caminho da eletrificação está dado para fabricantes de veículos e seus fornecedores, mas as estratégias de sobrevivência nesse ecossistema podem variar bastante. Até o fim da próxima década, a corrida rumo à eletromobilidade deverá acumular voltas suficientes para definir os vencedores que conseguiram mudar a matriz energética da mobilidade.



Tags: IAA Frankfurt 2019, Salão de Frankfurt, fornecedores, autopeças, eletrificação, evento, mobilidade, automóvel, carro.

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