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Novo Actros insere Brasil no mapa mundial de produção da Mercedes-Benz
Buchner na apresentação do novo Actros brasileiro na Fenatran: investimento na globalização da Mercedes-Benz do Brasil

Indústria | 24/10/2019 | 19h32

Novo Actros insere Brasil no mapa mundial de produção da Mercedes-Benz

Chefe global da marca de caminhões afirma que operação brasileira é competitiva para exportar ao mundo todo

PEDRO KUTNEY, AB



Apresentado e já vendido a clientes brasileiros semana passada na Fenatran, poucos meses depois de começar a ser comercializado na Europa, o novo Actros representa não só um moderno e tecnológico caminhão pesado para mercados locais, mas insere a Mercedes-Benz do Brasil no mapa mundial de produção do Grupo Daimler. É o que disse Stefan Buchner, chefe global da Mercedes-Benz Trucks, que participou da apresentação do modelo no evento. Segundo ele, a produção da nova geração do Actros em São Bernardo do Campo (SP) “será para atender toda a América Latina e fora dela também, para dar maior sustentabilidade ao negócio”.

“Integramos o Brasil no mapa de produção global do grupo porque acreditamos que o investimento vale a pena, confiamos na capacidade do País”, afirmou Stefan Buchner.



O executivo se refere ao programa de investimento de R$ 2,4 bilhões aprovado para o período 2018-2022, dos quais R$ 1,4 bilhão já foram aplicados na introdução da linha de manufatura 4.0 digitalizada em São Bernardo no desenvolvimento do novo Actros brasileiro, com a mesma arquitetura tecnológica da Alemanha e mais robustez para enfrentar as condições locais.

Buchner contabiliza que desde 2015 o grupo já investiu € 1 bilhão na operação brasileira, o que demonstra confiança no País e acerto da estratégia que começa a pagar o capital aportado. “Trazer para cá o novo Actros com o mesmo nível tecnológico da Europa é outra prova de confiança e intensifica nossa estratégia. A crise no Brasil acabou e agora estamos melhor preparados para aproveitar o crescimento que virá”, aposta.

POTENCIAL DE CRESCIMENTO



“Os produtos são a chave do nosso sucesso. É por causa de soluções adequadas às necessidades dos clientes que a participação da Mercedes-Benz passou de 23% para cerca de 30% no ano passado. Assim o Brasil é hoje o mais importante mercado global para a marca (fora da Alemanha)”, destaca Buchner.

Sobre o real potencial do mercado brasileiro de caminhões – que chegou ao pico de quase 180 mil unidades em 2011 e este ano deve ultrapassar 100 mil pela primeira vez desde 2014 –, Buchner cita uma estatística internacional, indicando a venda de mil caminhões/ano para cada 1 milhão de habitantes, o que no Brasil de 200 milhões de pessoas “tornaria normal” o volume de 200 mil veículos/ano.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, reconhece que a conta é um pouco elevada para o padrão de renda local e PIB inconstante, mas acrescenta que o País tem mais de 5 mil cidades e muita demanda de transporte de mercadorias entre elas. Também há grande necessidade de obras de infraestrutura e está no horizonte a retomada do setor de construção civil com um possível plano de privatizações e concessões. Esses fatores poderão, nos próximos anos, ser somados ao vigor do agronegócio, que segue sustentando as compras de caminhões pesados.

BRASIL EM MOMENTO COMPETITIVO



Para Buchner, com a taxa de câmbio no nível atual e um produto global em linha o Brasil pode exportar bem mais para todo o mundo. Hoje a planta brasileira exporta poucos caminhões montados para fora da América Latina, principalmente alguns modelos fora-de-estrada para países da África e Oriente Médio, mas também envia eixos, motores e transmissões para outras unidades do grupo no mundo.

“Estamos convencidos que o País é competitivo internacionalmente. Mas pode ser mais. A principal desvantagem aqui são os tarifas [embutidas] na exportações e [os altos impostos] para importar. Se superar esse problema, o Brasil será muito competitivo”, afirma Buchner.



Por seu lado, Schiemer não perdeu a oportunidade de acrescentar as outras desvantagens brasileiras, como o custo da infraestrutura logística problemática e a burocracia para fazer negócios e pagar impostos “que também atrapalham” o potencial exportador do País.

NADA DE ELETRIFICAÇÃO POR ENQUANTO



Apesar de dominar a tecnologia e já ter desenvolvido um caminhão elétrico semipesado na Europa, a Mercedes parece até o momento alheia ao movimento de seu maior concorrente no mercado brasileiro, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, de lançar modelos alimentados por baterias no Brasil. “Quando houver demanda estaremos prontos, temos modelos elétricos desenvolvidos sobre plataformas que já existem aqui, seria rápido introduzir”, diz Buchner.

Para o executivo, “o Brasil está aberto para novas tecnologias de propulsão, mas temos antes de ver o que realmente pode ser trazido para cá, de nada adianta lançar modelos elétricos ou a gás sem a infraestrutura de abastecimento que nossos clientes precisam.” Ele acrescenta que “a tecnologia de células hidrogênio parece mais interessante para o setor, mas também temos de esperar para ver”.

Também não há no País iniciativas da Mercedes no campo de caminhões a gás natural, que a Scania começa a vender aqui e a Iveco tem planos de fazer o mesmo. “Já tivemos veículos a gás aqui e não foram bem, o custo era alto”, afirma Philipp Schiemer. “O HVO (diesel orgânico hidrogenado de gordura animal ou vegetal) é uma solução mais rápida, estamos mais próximos de ter aqui”, informa.

Ao contrário da divisão de automóveis da Mercedes, que tem meta de zerar emissões de CO2 de seus produtos até 2039, a unidade de caminhões da marca não tem objetivos pré-fixados. “Mas também temos de chegar lá e cortar emissões o máximo que pudermos”, diz Buchner. Ele pondera que mesmo com a chegada das novas tecnologias de propulsão, “o diesel seguirá sendo importante em muitos lugares do mundo”.



Tags: Mercedes-Benz, novo Actros, Stefan Buchner, indústria, produção, exportação, Fenatran 2019, SP Expo.

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