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Com pandemia, Mercedes-Benz atrasa entregas do novo Actros
Novo Actros em testes: primeiras entregas foram transferidas para junho

Comerciais | 20/05/2020 | 17h35

Com pandemia, Mercedes-Benz atrasa entregas do novo Actros

Primeiras encomendas do caminhão seriam atendidas em abril e foram adiadas para junho

PEDRO KUTNEY, AB



Com a chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil e a paralisação das linhas de produção por um mês e meio, a Mercedes-Benz precisou atrasar o início das entregas do novo Actros, caminhão extrapesado apresentado em setembro passado e que começou a ser vendido na Fenatran 2019, em outubro. Os clientes que encomendaram o modelo deveriam começar a receber primeiras unidades em abril, mas o prazo foi adiado para junho.



Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, avalia que o atraso de dois meses nas entregas não deverá prejudicar o desempenho de vendas do novo Actros para além do que a crise da pandemia já provoca. O caminhão atende especialmente a demanda de transporte do agronegócio, um dos poucos segmentos econômicos que continuam aquecidos no País, com expectativa de colheita recorde de grãos este ano. O Actros renovado chegará ao mercado depois da safra 2019/2020.

“Esse atraso não deve atrapalhar as vendas porque mantivemos o Actros atual (geração passada) em linha e os caminhões para atender esta safra já foram comprados no fim de 2019. O novo Actros deverá ser mais demandado para a próxima safra, com compras mais concentradas em outubro e novembro deste ano, quando os problemas serão menores, mas dentro de um novo normal depois da crise, com volumes menores”, avalia Roberto Leoncini.



“Atualmente temos no segundo semestre uma safra de milho e algodão que muitas vezes tem demanda por transporte até maior do que no começo do ano. Por isso estamos ampliando a frota e planejamos comprar 10 novos Actros”, informa Adelino Bissoni, sócio da transportadora Botuverá em Rondonópolis (MT), um dos frotistas que já testou o novo caminhão Mercedes.

TESTES COM TRANSPORTADORES



O novo Actros já rodou mais de 100 mil quilômetros em testes com frotistas. Em Rondonópolis, localizada em região do Mato Grosso com forte demanda do agronegócio, a Mercedes-Benz emprestou no fim de 2019 quatro modelos 2651 do novo caminhão, de 510 cavalos, para serem testados em quatro transportadores. “Os resultados na vida real foram muito bons, o caminhão enfrentou melhor que os concorrentes as dificuldades das estradas de terra da região. Entregamos na prática o que prometemos no lançamento e deveremos ganhar muitos clientes com isso”, confia Leoncini.

Segundo ele, os modelos testados apresentaram consumo de 2,09 km/l, economia de 3% a 7% na comparação com dois concorrentes, e foi registrada redução de 33% nas paradas para manutenção. Aproveitando o embalo, uma nova versão de 530 cavalos do novo Actros entra em testes no mês que vem com o mesmo transportador. Veículos para test drive começam a ser entregues aos concessionários esta semana e uma.

“É sempre muito difícil o começo das vendas de um novo caminhão no mercado, mas com o novo Actros podemos dizer que tiramos nota 10 nesta prova. Pode-se ter vários problemas com um lançamento, mas neste caso não tivemos”, garante Leoncini.

MERCADO MENOR E PREÇOS MAIORES




Leoncini e o novo Actros: esperado sucesso de vendas é insuficiente para superar crise

Apesar dos bons resultados esperados do novo Actros, Leoncini reconhece que não será suficiente para superar a crise trazida pela pandemia de coronavírus. No início de janeiro a expectativa era que o mercado brasileiro de caminhões chegasse a 120 mil unidades vendidas este ano, mas com a instalação da crise esse número sumiu do horizonte com pesada retração da média mensal de vendas, que era estimada em 9 mil unidades/mês e caiu para 6,4 mil em março e 3,9 mil em abril.

“Houve um derretimento do mercado com queda de 56% na média mensal de vendas de caminhões no País. Ninguém esperava que a crise chegasse com tamanha velocidade. E são três crises simultâneas: a sanitária, a econômica decorrente da primeira e a política, que atrapalha a tomada de decisões. Com a tempestade perfeita que chegou fica muito difícil saber qual será o tamanho do mercado este ano. Só depois que os Detrans forem reabertos começaremos a ter sinais mais claros”, pondera o vice-presidente da Mercedes-Benz.



Leoncini conta que alguns segmentos não pararam: além do agronegócio “que mais uma vez vai salvar os negócios”, setores de transportes de químicos, gás, celulose, alimentos, bebidas e fármacos vão compensar parcialmente o tombo do resto da economia e sustentar as vendas de caminhões em 2020.

O executivo pondera que a cotação do dólar acima de R$ 5,70 vai beneficiar os exportadores, muitos deles compradores de caminhões, mas por outro lado esses veículos vão custar mais caro. “Estamos fazendo as contas porque voltamos a produzir agora (semana passada), mas será inevitável aumentar os preços, porque muitos componentes dos caminhões são importados. Era a última coisa que eu queria discutir nesse momento, mas não tem como segurar. Não sabemos ainda qual será o porcentual, devemos comunicar os reajustes em 1º de julho”, revela.

Apesar do esforço de nacionalização de componentes que a Mercedes-Benz vem fazendo para reduzir o impacto da alta do dólar sobre seus custos, Leoncini lembra que nem tudo é possível localizar, como no caso de sistemas eletrônicos não produzidos no País e cada vez mais presentes em veículos como o novo Actros.



Tags: Mercedes-Benz, Novo Actros, lançamento, mercado, vendas, caminhões, entregas, atraso, pandemia, coronavírus, Covid-19.

Comentários

  • CristianeScanapieco

    Bomdia equipe MERCEDES-BENZ!! eu sei que vocês vão dar a volta por cima que Deus vai está no controle de tudo que essa pdemia não vai atrapalhar a evolução de vocês que seja promissor a venda de vocês parabéns toda a equipe da MERCEDES-BENZ.. R.C.C

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