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Produção de veículos sai da paralisia em maio
Funcionária na linha de montagem de caminhões e ônibus VWCO em fábrica de Resende (RJ)

Indústria | 05/06/2020 | 14h07

Produção de veículos sai da paralisia em maio

Indústria monta 43,1 mil veículos no mês; em abril o setor entregou menos de 2 mil

SUELI REIS, AB



A indústria de veículos interrompeu em maio boa parte da paralisia que afetou suas fábricas desde a segunda quinzena de março por causa da pandemia de coronavírus e retomou as operações da maioria das linhas de montagem, embora ainda em ritmo muito lento. O balanço divulgado na sexta-feira, 6, pela Anfavea, associação das montadoras, mostra que foram produzidos 43,1 mil veículos no mês passado, entre leves e pesados. Em abril, quando apenas dez das 65 fábricas do Brasil estavam operando, o setor produziu menos de 2 mil veículos.



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O volume de produção de maio é muito superior ao de abril por questões óbvias, mas muito aquém da capacidade da indústria. Para se ter ideia, o total representou queda de 85% sobre a produção de mesmo mês do ano passado, quando as empresas montaram mais de 275,7 mil unidades. Vale lembrar que o desempenho reflete o momento do mercado, cujas vendas seguem em baixa.

Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, todas as fábricas de caminhões já retomaram suas operações, mas ainda há fábricas de automóveis e veículos leves fechadas. Até agora, 18 fábricas ainda estão fechadas e 47 já reabriram as portas.

“Das 15 fábricas só de veículos leves que temos no Brasil, sete já retornaram e oito só voltam às atividades em meados de junho”, informou o presidente da Anfavea.



Apesar da produção baixa, o estoque de veículos fechou maio com pouco mais de 200,1 mil unidades, das quais 135,9 mil nas concessionárias e 64,2 mil nos pátios das montadoras. Esse estoque é o suficiente para 97 dias de vendas, considerando a média dos negócios realizados em maio. O estoque de maio foi 16% menor que o abril, quando as empresas registraram 237,3 mil veículos disponíveis.

“Houve redução porque vendeu mais do que se produziu no mês. Os 97 dias de estoque, que são um pouco mais do que três meses, também é menor que o de abril, quando estávamos com quatro meses de estoque, mas ainda assim é um estoque bastante alto, considerando que o normal seria um volume para 30 a 35 dias de vendas”, explica Moraes.



O baixo volume de produção em maio afetou o desempenho do acumulado do ano: em cinco meses, a indústria soma 631 mil veículos produzidos, uma retração de 49% quando comparado com o volume de igual período do ano passado, quando o setor montou mais de 1,24 milhão de unidades, sempre considerando a soma de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Segundo a Anfavea, em maio foram fechadas 288 vagas de emprego no setor em comparação com o número de empregados que havia em abril. Atualmente, a indústria de veículos conta com 125.060 pessoas. Há um ano, em maio do ano passado, esse número era de 130.008 trabalhadores.

AINDA SEM PERSPECTIVAS


O presidente da Anfavea considerou que ainda não há condições para traçar uma nova projeção para o ano, considerando as diversas variáveis do País. O executivo lembra que a crise sanitária continua com a pandemia do novo coronavírus e que o número de casos ainda cresce no Brasil. Além disso, a crise econômica que ela traz deixa o ambiente ainda mais volátil e incerto.

“Com cada empresa voltando em um momento diferente, ainda não conseguimos fazer as novas previsões. A única coisa que podemos dizer é que termos um segundo trimestre ainda muito dramático, junho ainda vai ser um mês difícil. Para o terceiro trimestre, estamos imaginando um patamar melhor do que o segundo e quem sabe, no último trimestre do ano, seja ainda melhor”, disse o presidente da Anfavea.



Moraes reforçou que é uma característica do setor automotivo o esforço de tentar manter o nível de empregos, uma vez que a indústria conta com mão de obra qualificada. Mas complementa dizendo que “a produção terá um ano muito difícil”.



Tags: Produção, fábrica, veículos, Anfavea, retomada, linhas de montagem, fábrica de carros, fábrica de caminhões, empregos, estoque, coronavírus, pandemia, Covid-19, Luiz Carlos Moraes.

Comentários

  • ManuelBueno

    Aspessoas vão segurar suas carteiras e não deixar nem um centavo sair, tanto pela perspectiva de perder o emprego quanto também porque, enquanto antes esposa e marido saíam pra trabalhar, agora pelo menos um deles ficará em casa trabalhando em home office. Não precisarão mais do que um carro.. As despesas de "representação", ou melhor, por causa da preocupação de aparência que muitos tinham em relação aos seus familiares e amigos vão diminuir porque ninguém mais visita parentes e amigos, com medo do contágio. A briga EUA-China vai por combustível em outras disputas de outros países que se voltarão para seu mercado interno principalmente. Isso vai diminuir a exportação de carros brasileiros ao exterior, principalmente para a Argentina e EUA. O comércio exterior, em geral, vai diminuir com o receio de importação junto com as mercadorias de algum dos muitos vírus que causarão as pandemias que a OMS prevê num futuro próximo. As pessoas também se locomoverão menos dentro das cidades, justamente pela recomendação de não transportarem involuntariamente o vírus de locais de grande trânsito de pessoas para seus respectivos bairros ou pelo caminho inverso. de seus bairros para outros locais da cidade.

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