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Em um ano, Paccar Financial financiou mais de mil caminhões DAF

Crédito | 29/06/2020 | 18h32

Em um ano, Paccar Financial financiou mais de mil caminhões DAF

Carteira de financiamentos do braço financeiro da marca já soma R$ 562 milhões

PEDRO KUTNEY, AB

A Paccar Financial, braço financeiro da fabricante de caminhões DAF, completou em junho um ano de operação no Brasil com crescimento expressivo: a carteira de financiamentos somou no fim de maio passado R$ 562 milhões, as receitas se aproximam de R$ 5 milhões por mês e a instituição acumula no período participação de um terço (33%) das vendas da marca no País, com mais de mil veículos financiados em 12 meses. Todos os contratos para compra de caminhões são CDC (Crédito Direto ao Consumidor), pois o banco da montadoras ainda não tem autorização para operar com a linha Finame do BNDES.

Para João Petry, diretor geral da Paccar Financial no Brasil, a oferta de planos competitivos e apetite inalterado para continuar financiando as vendas da DAF no País fará a carteira da instituição crescer em torno de 40% sobre o nível de R$ 495 milhões registrados em dezembro passado, chegando ao fim de 2020 com R$ 700 milhões, mesmo diante da crise trazida pela pandemia de coronavírus, que provoca maior aversão ao risco pelos bancos.

“Começamos a operação com um aporte inicial de R$ 100 milhões, que logo teve de ser ampliado para atender à demanda do mercado nacional. Atingimos todos os objetivos nesse período, os clientes nos receberam muito bem, rapidamente entenderam que somos um grande aliado para o planejamento financeiro do seu negócio, com condições de financiamento de caminhões DAF muito competitivas. Não mudamos nossos critérios e assim devemos continuar a crescer”, afirma João Petry.



O diretor destaca que o ponto alto do primeiro ano da Paccar Financial foi a participação na Fenatran, em outubro de 2019, quando a instituição firmou presença no estande da DAF e multiplicou o número de clientes. Nos meses que se seguiram à feira, o banco da montadora foi responsável pelos picos de 54% das vendas da DAF em novembro e 43% em dezembro – nos meses anteriores esse porcentual nunca havia passado de 27%. “Oferecemos as taxas mais atrativas da Fenatran e conquistamos muitos clientes”, explica Petry.

CRESCIMENTO SEM FINAME



O fato de ainda não operar a linha Finame do BNDES não foi um problema para a Paccar Financial, que conseguiu crescer rapidamente e oferecer planos competitivos porque chegou ao mercado no momento em que o CDC ficou mais atrativo. Entre 2011 e 2014, o Finame com suas taxas imbatíveis era responsável por mais de 70% dos financiamentos de caminhões no País, cenário que mudou a partir de 2017, quando a inflação brasileira começou a cair, empurrando a taxa básica Selic para os níveis mais baixos da história, hoje fixada em 2,25% ao ano, tornando o CDC tão ou mais barato do que o Finame, o que fez a modalidade baixar para 19% dos financiamentos em 2019, enquanto o crédito direto ao consumidor saltou para cerca de 40%.

“O Finame já teve protagonismo muito grande nas vendas de caminhões no Brasil, mas isso mudou com a queda dos juros que possibilitou a criação de planos de CDC mais competitivos, com prazos de até 60 meses (cinco anos), carência de três até seis meses para iniciar os pagamentos e taxas muito baixas. Por isso deve continuar a ser o financiamento mais procurado pelo menos até o fim deste ano”, explica Petry. A taxas do CDC da Paccar Financial hoje começam em 0,67% ao mês.

Contudo, a chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil devolveu competitividade ao Finame, porque os bancos ficaram mais avessos ao risco e aumentaram as taxas do CDC. Petry diz que a Paccar Financial não fez isso e nem pretende fazer: “Continuamos com os mesmos critérios de aprovação e taxas. Por isso os bancos de montadoras devem continuar a aumentar a participação nas vendas pelo menos até o fim do ano, quando os bancos comerciais tendem a retomar seu apetite pelos financiamentos de veículos”, avalia.

A Paccar Financial também tem interesse em passar a operar o Finame, que nas condições atuais tende a crescer de 25% a 30% a participação nos financiamentos de caminhões. Segundo Petry, a linha continua a ser uma fonte atraente de capital para diversificar e aumentar a carteira de financiamentos. “Trabalhamos com o BNDES para ter acesso a esses recursos, porque poderíamos oferecer mais crédito, mas isso só deve acontecer em 2021. Enquanto isso conseguimos superar com o CDC, mantendo taxas atraentes para atender os clientes”, diz.

INADIMPLÊNCIA BAIXA, SOLIDEZ E SEM BARREIRAS PARA CRESCER



O atual quadro recessivo, ao menos por enquanto, não comprometeu a saúde da carteira da Paccar Financial. Segundo a instituição, o índice de inadimplência é muito baixo, apenas 0,62% dos contratos registram atrasos nos pagamentos superiores a 30 dias. “Isso nos dá segurança, mas é também a nossa principal preocupação no momento. Temos um departamento de risco muito atuante, que acompanha os setores que estão sendo mais afetados pela crise e faz um trabalho proativo com esses clientes, oferecendo ajuda para superar o momento de dificuldade. Por isso, mesmo diante do cenário econômico abalado pela pandemia, avaliamos que a inadimplência da nossa carteira deve continuar inferior à média do mercado”, conta Petry.

De acordo com o diretor financeiro Anderson Haiducki, a Paccar Financial tem posição bastante sólida para sustentar seu crescimento sem barreiras. O capital social da instituição atualmente soma R$ 500 milhões, cinco vezes o valor investido no início do banco no Brasil, e 79% são fundos próprios, apenas 21% são captados em empréstimos no mercado. “A matriz está disposta a apoiar nosso crescimento e pode aportar mais capital se for necessário”, afirma o executivo.

A Paccar Financial opera atualmente com dois produtos: além do CDC para financiar os compradores de caminhões DAF, que representa 56% da carteira, também oferece financiamento do estoque da rede de concessionárias (floor plan), que responde por 44% do capital emprestado. A expectativa é que nos próximos meses essa relação seja ampliada com crescimento das operações de crédito no varejo.

Nos planos futuros, além de negociar com o BNDES para começar a operar linhas do Finame a partir de 2021, a instituição também estuda o lançamento de planos de leasing no próximo ano. No médio e longo prazos, Petry relata que há interesse em entrar no mercado de financiamento de caminhões usados, mas admite que esse é um terreno mais difícil de se mover: “Vai exigir mais estudo e preparação, porque é um segmento com maior dificuldade de aprovação de crédito e inadimplência mais alta”.



Tags: Paccar Financial, DAF, caminhões, crédito, financiamento, CDC, Finame, BNDES, vendas, mercado.

Comentários

  • Ademar

    Sea Daf souber usar bem ou seja preencher os espaços, chamado buracos que ficaram no mercado deixados pelas demais montadoras concorrentes, terá um futuro muito pró missor dentro de um prazo mais curto assim se dizendo

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