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Vendas de caminhões podem superar estimativa da Anfavea

Mercado | 06/07/2020 | 17h57

Vendas de caminhões podem superar estimativa da Anfavea

No 1º semestre setor já soma mais da metade do volume previsto para 2020

SUELI REIS, AB



A Anfavea, associação das montadoras de veículos, parece mais pessimista quando o assunto é caminhão: o mercado de veículos comerciais pesados de carga atingiu a venda de pouco mais de 37,8 mil unidades no primeiro semestre, volume maior que a metade do total previsto pela entidade para o ano, que é de 65 mil caminhões. Com isso, para completar a previsão, o segmento deverá entregar uma média de 4.533 unidades em cada um dos meses entre julho e dezembro. Vale dizer que este volume médio mensal é semelhante ao que foi registrado em maio, quando os emplacamentos somaram 4,8 mil unidades – um mês fortemente afetado pela pandemia. Em junho, o volume de emplacamentos subiu para 8,9 mil unidades.



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O vice-presidente da entidade para veículos pesados, Gustavo Bonini, reforça o argumento de que ainda é cedo para comemorar o resultado de junho, que representou crescimento de quase 86% sobre o volume de maio. Ele indica que três fatores contribuíram para o aumento visto no mês passado: o represamento de vendas feitas em abril e maio; algumas renegociações feitas no início da pandemia (março) com entregas posteriores (junho) e o mercado de implementos que voltou a operar para entregar o caminhão completo, além de registrar uma recuperação mais rápida que o próprio mercado de caminhões.

“Por isso que no mercado de caminhões preferimos sempre esperar algo entre dois e três meses para indicar qual deve ser a tendência”, afirma Bonini. “É cedo para concluir que já se trata de uma recuperação, devemos ver com cautela os ‘falsos positivos’, tal como ocorre com o coronavírus. Se o Brasil aponta para uma queda de 7% do PIB este ano, a expectativa é de que o mercado de veículos pesados acompanhe esse resultado”, defende o vice-presidente da Anfavea.



Já o presidente da Anfavea, Luzi Carlos Moraes, indica que embora algumas categorias de caminhões estejam desenvolvendo melhores volumes do que outras, como pesados e semipesados graças ao bom momento do agronegócio, ainda assim se trata de queda com relação ao ano passado: de janeiro a junho, as vendas totais de caminhões foram 19% menores do que no primeiro semestre de 2019.

Segundo ele, poderá haver alguma falta de produtos específicos, como modelos mais pesados, nos próximos meses por conta do ritmo menor da produção das fábricas ao adotar novas medidas de prevenção contra o coronavírus.

“Mas a indústria não vai perder nenhuma oportunidade neste momento, pode ter algum atraso de um mês enquanto vamos ajustando as linhas de produção, mas com certeza vamos aproveitar qualquer venda”, disse o presidente da Anfavea.



Por conta da reação em junho, a produção de caminhões também aumentou com relação a maio na ordem de 39%, passando de 4,1 mil para 5,6 mil. No entanto, no acumulado do primeiro semestre, o volume produzido está 37% abaixo do resultado de um ano atrás, que passou de 55,4 mil para 34,8 mil neste ano.

Para Bonini, a produção vista em junho reflete mais a nova realidade do mercado, apesar do incremento sobre maio. “No entanto, ainda está muito abaixo do potencial da indústria e do volume do ano passado”, conclui.

Em sua previsão para 2020, a Anfavea espera produzir 82 mil veículos pesados, sem especificar quantos são caminhões e quantos são ônibus.

ÔNIBUS


As fabricantes esperam concluir 2020 com o emplacamento de apenas 10 mil ônibus, o que representaria, se confirmado, uma queda de 52% sobre os 20,9 mil vendidos em 2019. No primeiro semestre já atingiu mais da metade do volume previsto para o ano, com 5,7 mil unidades emplacadas, apesar de representar uma queda de 40,6% sobre igual período do ano passado.

Em junho, foram licenciados pouco mais de 1 mil chassis, um aumento de 60,5% sobre os emplacamentos de maio, que ficaram em 666 unidades. Isso também reflete o mesmo efeito de represamento de vendas ainda feitas em abril e maio. Apesar disso, o segmento, segundo Bonini, concentra os piores volumes entre todos os demais da indústria.

“Esperamos que neste segundo semestre a reabertura econômica não regrida, o que poderá afetar o mercado e até a produção do setor”, comenta.



Tags: Caminhões, vendas, emplacamentos, licenciamentos, agronegócio, Anfavea, projeção, Gustavo Bonini, Luiz Carlos Moraes, ônibus.

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