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Carreira | 11/08/2020 | 18h38

Os desafios da diversidade superados pela Eaton na pandemia

A diretora de RH Silvia Zwi fala da importância da inclusão ao adotar novas medidas em meio à crise

SUELI REIS, AB

A adoção de novas medidas e atitudes focadas em gerenciar e manter os negócios à distância se deu de forma extremamente urgente em toda a indústria, literalmente de um dia para o outro, desde que a pandemia do coronavírus começou. Essa mudança brusca exigiu das equipes administrativas um esforço adicional e isso não foi diferente na Eaton. Ao mesmo tempo em que era necessário agir com rapidez, também foi crucial planejar como tudo seria implementado e como garantir uma rotina segura sem deixar ninguém de fora.

Os desafios de como incluir todas as pessoas para que não percam o sentimento de pertencimento ao mesmo tempo em que é necessário engajar e manter o comprometimento são os destaques na fala de Silvia Zwi, diretora de RH da Eaton, que conta como a companhia superou cada obstáculo a fim de garantir a integridade de cada um e respeitando a diversidade já engajada na companhia.

A experiência imprevisível se mostrou compensadora, uma vez que foi necessário superar paradigmas ou mesmo antigas regras tão comuns à convivência física, que foi abolida nos últimos meses com o distanciamento social, impondo uma nova realidade de boa convivência dentro e fora da empresa, mesmo que à distância.

O longo prazo perde a relevância em um contexto de emergência, como o atual. Levando isso em consideração, como a Eaton tem trabalhado ações para promover a diversidade?


A Eaton tem prosseguido com as ações de promoção de inclusão e diversidade, tanto na esfera global quanto localmente por meio dos nossos comitês. Nesse sentido, continuamos com as iniciativas de aprendizagem e debate e, face à pandemia, apuramos ainda mais o nosso olhar. Entre os PCDs do nosso quadro de colaboradores, por exemplo, há pessoas com deficiência auditiva – eles só leem os lábios - por isso criamos iniciativas específicas para elas, com o intuito de garantir que consigam se comunicar com qualidade. Desta forma, trabalhamos com ações pontuais e com protocolos para todos os públicos visando manter sempre a equidade.

Além disso, adotamos uma atenção específica para as populações vulneráveis, ou seja, aqueles que têm condições de saúde que elevam o potencial de agravamento da doença, dando as tratativas necessárias para limitar ao menor patamar possível as fontes de contágio. Também, diante da situação de home office obrigatório das equipes não-operacionais, adotamos medidas de comunicação para garantir engajamento, senso de pertencimento, direcionamento da performance, que são elementos essenciais da inclusão.

Quando se trata de recursos humanos, quais são os maiores desafios que o atual momento impõe?


No meu entendimento são desafios de dois tipos. O primeiro, naturalmente, refere-se a todas as medidas de prevenção ao contágio. Nesse sentido, implantamos uma grande quantidade de medidas de distanciamento social, visando assegurar que não haja contágio nas dependências da Eaton, assim como durante o transporte fretado. Além dessas medidas, tanto físicas quanto relacionadas a protocolos, investimos na comunicação e educação da população visando conscientizar a todos sobre as medidas de prevenção dentro e fora da empresa.

Houve uma mudança cultural focada no comportamento de cada um de maneira abrupta - somos humanos, queremos abraçar, conversar, mas foi necessária uma nova educação para mantermos o distanciamento, sem transformá-lo em isolamento. Então, nosso objetivo foi respeitar essa essência humana, criando alternativas para fazer ações de uma forma humanizada, divertida e pensando na saúde mental.

O segundo desafio é a crise econômica, agravada em razão da pandemia. Nesse sentido, temos investido grandemente no planejamento da força de trabalho, fazendo o melhor uso possível das medidas governamentais oferecidas.

Como fica o trabalho de fortalecimento cultural e engajamento das equipes quando grande parte dos colaboradores está em home office?


O trabalho passou por um aprendizado de toda liderança com a finalidade de lidar com este novo normal de maneira ágil e eficaz. Precisamos nos reinventar, passar a emoção pela voz uma vez que a presença física deixou de existir. Passamos a usar a tecnologia e a indústria 4.0 totalmente a nosso favor. Foi preciso deixar o conservadorismo, o constrangimento e a vergonha para trás e usar mecanismos para nos aproximarmos mesmo por meio da tela. Criamos canais de comunicação específicos para essa finalidade: vídeos de curta duração veiculados pelo whatsapp, que tem sido bastante ágeis.

Além disso, por meio das lideranças, que realizam reuniões periódicas por videoconferência, a cultura e engajamento são igualmente fornecidos.

Foi preciso demitir? Como a empresa está adequando a força de trabalho à demanda mais baixa?


Até o momento, não houve demissões. Fomos capazes de lidar com as quedas de volumes por meio das medidas governamentais oferecidas.

Como a companhia lida com as novas preocupações impostas pela pandemia, como o acolhimento às pessoas que são do grupo de risco, o apoio a colaboradores que precisam utilizar transporte público etc.?


Por meio de medidas de distanciamento social nas nossas dependências, assim como de muitas orientações para prevenção nos diferentes aspectos da vida pessoal, temos estimulado nossos colaboradores para que sejam protagonistas da prevenção, disseminando orientações para família, amigos e outras interações. Adicionalmente, nossas áreas de medicina ocupacional estão amplamente capacitadas a realizar o mapeamento da população em processo de investigação (diante da apresentação de sintomas) ou de monitoramento (quando entram em contato com pessoas infectadas), orientando para quarentena ou exames sempre que necessário.

Quando falamos sobre esse ponto, é essencial trabalharmos com ações que tem o respaldo da ciência e da medicina. Portanto todas essas medidas são tomadas com base nas orientações médicas.

Quando falamos de pessoas, quais novas necessidades surgiram com a pandemia (ex: acolhimento para violência doméstica, apoio a quem mora com grupos de risco da Covid-19 etc.)?


Na nossa visão, entendemos que o principal desafio é comportamental, no sentido de conscientizar nossos colaboradores (e por tabela seus círculos de relacionamento) da responsabilidade individual quanto da prevenção, ou seja, como podemos acelerar a adoção dos novos comportamentos. Como dito anteriormente, temos a totalidade da nossa população mapeada em relação a riscos e vulnerabilidade, incluindo aspectos pessoais (filhos em idade escolar, veículo próprio etc.), e monitoramos o status de forma permanente para garantir todo o suporte necessário nesse momento.

No geral, vemos muitas necessidades diretamente ligadas a questões emocionais. Percebemos que precisamos ajudá-los de forma efetiva para manter a atividade de trabalho nesta condição atípica. Pensando naqueles que estão fazendo home office, é necessário um esforço extra para ajudar a transformar a casa deles em um ambiente de trabalho saudável, abordando questões de ergonomia, fazendo sessões de bate-papo e iniciativas com foco em qualidade de vida e bem-estar.

Com relação aos profissionais que estão trabalhando na empresa, o foco é tornar o distanciamento menos tenso e frio. O grande desafio para eles é mesmo estando perto ficar longe e não poder falar com os colegas. Nós buscamos mostrar que, apesar dos protocolos necessários para prevenção, o ambiente e o convívio podem ser leves, afinal eles não podem se tocar, mas podem brincar, manter o bom-humor, extrair sorriso dos olhos.

Qual será o legado desta pandemia do ponto de vista da diversidade e da gestão de pessoas na Eaton?


Aceleramos e intensificamos a nossa experiência com trabalho remoto, comprovando que não há perdas em performance. Sobretudo, abrimos a oportunidade de quebrar barreiras conservadoras. Mostramos que somos produtivos no home office e isso trouxe segurança para a liderança. Entendemos ainda mais a nova geração, aprendemos com suas habilidades digitais e nos tornamos mais tolerantes com as diferenças. O ganho vai ser menos adoecimento no ambiente de trabalho.



Tags: Eaton, diversidade, pandemia, Silvia Zwi, inclusão, RH, home office.

Comentários

  • LuizCarlos Antonio

    Excelentetrabalho, assim todos se sentem muito bem amparados e tudo volta a fluir com toda a segurança necessária.

  • MarceloCastro

    Nãohouve demissão? Me desculpe, mas conheço pessoas que foram sim demitidas, aliás, durante a pandemia. Amigos meus, que trabalhavam na unidade de Valinhos. A senhora Silvia Zwi falta com a verdade.

  • Augustode Lima Janot

    Olha,ler na entrevista a afirmação de que não tiveram cortes durante a pandemia é uma ofensa. Primeiro com aqueles que foram demitidos. Tenho, por exemplo, um sobrinho desligado no dia 1 da quarentena. Conheço outros que foram desligados e sei até que estagiários tiveram que assinar termos de consentimento para trabalharem em home office, o que, mesmo com tal consentimento, é algo ilegal e um absurdo moral. Segundo, com quem lê a reportagem, acreditando que executivos de multinacionais ainda podem ser verdadeiros. Terceiro, e não menos importante, com os funcionários que lá ainda trabalham e que conhecem fatos e mentiras. Afinal, o que a diretora estava pensando?...gostaria muito da sua réplica aqui.

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