Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Juros em queda e maior oferta de crédito favorecem as vendas de veículos

Conjuntura | 24/08/2020 | 17h25

Juros em queda e maior oferta de crédito favorecem as vendas de veículos

A descoberta da vacina contra o novo coronavírus e o equilíbrio das contas públicas são pontos fundamentais para o cenário econômico de 2021

REDAÇÃO AB

O spread bancário para o crédito ao consumidor final tende a seguir elevado por um bom tempo ainda, mas o juro em queda – ainda que permaneça em patamar mais alto – e a maior oferta de crédito são os fatores que devem seguir favorecendo as vendas de veículos nos próximos meses. Em apresentação on-line durante o #ABPlanOn, evento realizado por Automotive Business na segunda-feira, 24, Fernando Machado Gonçalves, superintendente de pesquisa macroeconômica do Itaú, afirmou que a Selic (taxa básica), já em seu menor índice histórico (2% ao ano), ajuda, mas não determina sozinha uma redução drástica dos juros na ponta do consumo.

“Nossa projeção para a Selic é de 2% até o fim de 2021. Será um longo período de taxa baixa, o que favorece as vendas de veículos, mas o spread é influenciado muito também pelo índice de desemprego e de inadimplência. Uma queda efetiva das taxas acontecerá quando o desemprego cair”, ponderou Fernando Gonçalves.



O grande número de desempregados e a elevação do risco-país, devido ao agravamento da situação fiscal a partir da crise gerada pela pandemia da Covid-19, também seguirão pressionando o câmbio. Nos cálculos do banco, o dólar deve chegar a dezembro cotado a não menos do que R$ 5,25 e a R$ 4,50 um ano depois.

BONS VENTOS PARA 2021



Na avaliação do economista, de qualquer forma, o Brasil já caminha para um cenário econômico bem menos conturbado em 2021. O Itaú projeta que a inflação seguirá baixa – 1,7% este ano e 2,8% no ano que vem –, com crescimento do PIB da ordem de 3,5% no próximo ano, que não será suficiente para compensar o tombo de 4,5% em 2020.

E, ainda que elevada, a queda do PIB esperada pela instituição para este ano já é melhor do que a média das opiniões de outras instituições, lembra o superintendente: “A mediana do relatório Focus indica retração de 5,5%. Esse nosso número era visto como otimista, mas vários analistas começam a se aproximar dele”.

Gonçalves destaca a retomada rápida de vários segmentos como fatores que devem sustentar um recuo do PIB menor do que o projetado por muitos há dois ou três meses. Ele apontou, em especial, o crescimento do nível de ocupação da capacidade industrial e das vendas no varejo, que está ocorrendo em “V”. “Não temos ainda uma recuperação integral em V porque o setor de serviços foi bastante afetado. Mesmo as vendas de veículos cresceram bastante, mas não em níveis pré-pandemia.”

O executivo do Itaú, entretanto, alerta que o ritmo de retomada da atividade econômica é diferenciado entre as várias regiões do País e ainda mais entre cidades. Ele chama atenção que nas capitais, responsáveis por grande parte da economia e onde o índice de casos de Covid-19 tem diminuído, a recuperação tem sido mais acelerada, diferente das cidades do interior, onde os surtos seguem com índices de contaminação e mortes crescentes.

Outros dois fatores apontados por Gonçalves como fundamentais para o encaminhamento das atividades econômicas em 2021 serão: o eventual surgimento de uma vacina eficaz contra o coronavírus nos próximos meses e como o governo equalizará as despesas com os limites do teto dos gastos públicos. “São pontos fundamentais que poderão mudar todo o cenário, o câmbio e o índice de confiança.”

O economista alerta que o principal ponto fraco de 2021 será a condição fiscal do País. Para tentar conter os efeitos da pandemia, o governo precisou gastar muito mais do que arrecada e isso elevou o déficit público primário para 11% do PIB este ano – contra 0,9% em 2019, como grau de comparação. A dívida pública do governo, que tinha apontado tendência de queda em 2019, mas ainda em elevado patamar de 76% do PIB, este ano explodiu com o orçamento de emergência para 93% do PIB, sem perspectiva de retração nos próximos anos. “É um aumento brutal de um nível que já não era bom”, destaca Gonçalves.

“No ano que vem será necessário desfazer o orçamento de guerra, ou será impossível manter o teto de gastos”, explica o economista, apontando que este ano os gastos já extrapolaram o limite em R$ 573 bilhões. Ele reconhece que será muito difícil fazer esse ajuste.



Tags: #ABPlanOn, planejamento, tendências, economia, dólar, juros, crédito, Fernando Machado Gonçalves, Itaú.

Comentários

  • ANTONIO

    Ondemais será preciso mexer? A SELIC que é um excelente indicador orienta uma queda de juros. Os bancos querem entender isso?

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência