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Agronegócio seguirá como alavanca dos caminhões extrapesados
Lirmann (esq.), da Volvo, e Podgorski, da Scania: agronegócio sustenta as vendas de caminhões extrapesados

Comerciais | 26/08/2020 | 20h00

Agronegócio seguirá como alavanca dos caminhões extrapesados

Em participação no #ABPlanOn, presidentes de Scania e Volvo na América Latina confirmam que o segmento em que atuam foi o menos impactado pela pandemia

REDAÇÃO AB

Scania e Volvo, duas suecas que figuram entre as maiores fabricantes globais de caminhões extrapesados, reconhecem que para produtos desses dois segmentos as dificuldades geradas pela pandemia de coronavírus no Brasil foram, em parte, menores do que para as linhas mais leves. Em painel no terceiro dia do #ABPlanOn, evento on-line promovido por Automotive Business na quarta-feira, 26, Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, dividiu em dois o desempenho dos negócios, um em alta velocidade, outro em marcha lenta.

“O mercado de veículos pesados caminha por duas pistas; a primeira, de alta velocidade, onde estão o agronegócio e produtos de mineração, e a segunda bem mais lenta que engloba vários setores mais afetados pela crise, como comércio e serviços”, avaliou Wilson Lirmann.



O agronegócio, com safras recordes seguidas e preço das commodities agrícolas em alta, seguirá como principal alavanca para as vendas de caminhões pesados no futuro próximo, confirmou Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America. “Os juros mais baixos da história e demanda mundial em alta por proteínas vegetal e animal são oportunidade para as empresas investirem em renovação e, quem sabe, até ampliar suas frotas”, argumentou o executivo da Scania, que tem 40% de suas vendas diretamente ligadas às atividades da agroeconomia.

Apesar dessa percepção, os dois executivos preferiram não arriscar estimativas firmes para o mercado ou mesmo a produção brasileira de caminhões em 2020 e muito menos em 2021. “Difícil falar em números absolutos neste momento de alta volatilidade e incertezas. Mas estamos moderadamente otimistas com o ano que vem”, declarou Podgorski.

Lirmann imagina, por razões óbvias, um segundo semestre naturalmente melhor do que o primeiro – quando produção e vendas ficaram paralisadas por semanas – e se mostra receoso com 2021. “A preocupação será com a macroeconomia no ano que vem. Precisaremos de PIB para movimentar o setor.”

INCERTEZAS NAS EXPORTAÇÕES



As exportações, outro importante filão das duas montadoras, ainda não demonstraram recuperação. Principais destinos dos embarques, países da América do Sul tiveram seus mercados de veículos até mais afetados do que o Brasil e apresentam nível de reação bem diferente. “Temos cerca de 60 mil caminhões conectados, o que nos permite acompanhar de perto o nível de atividade do transporte. No Brasil, ele já se aproxima do período pré-pandemia, diferente do que ainda está acontecendo nesses países, onde a retomada é mais lenta”, observa Lirmann.

Podgorski enfatiza que, dentro da estratégia global da Scania, a operação brasileira pode exportar para até 30 países. “Mas a pandemia é global, a única diferença é cronológica. As exportações são definidas por competitividade e previsibilidade, implicam em contratos mais perenes.”

De qualquer maneira, o executivo diz que os países de destino de seus caminhões negociam agora os veículos que foram solicitados há alguns meses e que a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), já produz unidades solicitadas depois das paralisações. A Scania foi a primeira montadora a retomar a produção no Brasil, já no fim de abril, após três semanas de interrupção.

“Por conta da adaptação dos processos produtivos às normas sanitárias, estamos trabalhando em dois turnos para entregar o mesmo volume que produzíamos em um turno antes da pandemia”, afirma Christopher Podgorski.



RENOVAÇÃO DA FROTA



A possibilidade crescente de que a renovação de frota dos veículos pesados finalmente saia do papel é comemorada pelos executivos de Volvo e Scania. Na opinião de Podgorski o programa que retiraria veículos ultrapassados de circulação seria, em um primeiro momento, até mais eficaz para redução emissões do que a adoção dos motores Euro 6, prevista pelo Proconve para 2022 e 2023 e que também é defendida por ele.

“A pandemia forçou o replanejamento de vários cronogramas que já estavam apertados. A postergação em alguns meses do P8 seria boa. Mas jogaremos com a regras que temos”, disse Podgorski, ao ser questionado se apoia a solicitação da Anfavea de que o governo reveja prazos para as novas normativas técnicas.

“Apoiamos e participamos dessa decisão da Anfavea. Não é uma questão financeira, mas técnica. Os investimentos não mudam”, completou Lirmann.



Tags: #ABPlanOn, caminhões, extrapesados, Scania, Volvo, Wilson Lirmann, Christopher Podgorski, mercado, produção, exportação, pandemia, coronavírus, Covid-19.

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