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Anchieta é primeira planta da Volkswagen a aprovar acordo com empregados
Assembleia realizada na Volkswagen em São Bernardo: proposta de abertura de PDV e estabilidade até 2025 foi aprovada por unanimidade

Trabalho | 15/09/2020 | 20h45

Anchieta é primeira planta da Volkswagen a aprovar acordo com empregados

Prevê PDV e estabilidade até 2025; fábricas de Taubaté e do Paraná votam proposta na quarta-feira, 16

PEDRO KUTNEY, AB

Os trabalhadores da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) foram os primeiros a aprovar o novo acordo trabalhista negociado com os sindicatos e proposto pela empresa aos empregados de suas quatro fábricas no Brasil. Em assembleia realizada no início da tarde da terça-feira, 15, a proposta que prevê abertura de um programa de demissões voluntárias (PDV) e estabilidade no emprego até 2025 foi aprovada por unanimidade pelas centenas de funcionários reunidos na porta da fábrica na Via Anchieta.

Após o impacto da pandemia de coronavírus que desenhou um cenário de queda das vendas e recessão econômica, com perspectiva de retomada da produção de veículos aos níveis de 2019 apenas em três a cinco anos, há duas semanas a Volkswagen confirmou que negociava com os sindicatos um plano para adequar sua capacidade produtiva à nova realidade e reduzir em cerca de 35% o quadro de funcionários de suas fábricas, o que equivale ao desligamento de 4,7 mil pessoas. Durante as negociações que duraram cerca de quatro semanas, foi traçado um acordo bem menos traumático do que era esperado.

O acordo com validade de cinco anos garante estabilidade no emprego por todo o período de vigência e abre o PDV – sem metas divulgadas e com prazo de inscrição ainda a ser definido –, que pagará para quem quiser sair de 25 a 35 salários adicionais, dependendo do tempo de casa, mas após a primeira rodada de adesões será aberta uma segunda fase com incentivo reduzido para 15 a 25 salários. Em caso de necessidade, a empresa fica autorizada a usar o afastamento temporário (layoff) do trabalho por até 10 meses, pagando 82,5% do salário líquido. Também foram estabelecidos índices e formatos de reajustes salariais e da PLR (participação nos lucros e resultados) até 2025.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e trabalhador na Volkswagen Anchieta, Wagner Santana, defendeu a importância da aprovação da proposta negociada com a empresa diante do cenário econômico instável. Ele também destacou que o acordo deverá ter efeitos positivos na cadeia automotiva, ao garantir a manutenção do nível de produção e até apontar para a possibilidade de crescimento.

“Vivemos um momento de incerteza em relação ao futuro econômico do País. Nesse cenário, um acordo que garante estabilidade por cinco anos é muito positivo, inclusive tornando-se referência para o movimento sindical em relação às possibilidades de conquista da classe trabalhadora”, afirmou Wagner Santana.



OUTRAS FÁBRICAS DEVEM APROVAR PROPOSTA DA VOLKSWAGEN



Proposta idêntica (com ajustes regionais) foi negociada com as representações sindicais das outras três fábricas da Volkswagen no País – e portanto conta com o apoio dos sindicatos locais para que o acordo seja aprovado pelos trabalhadores dessas unidades ao longo desta semana. Em assembleia realizada também na terça-feira em São José dos Pinhais (PR) ficou decidida a abertura de votação até a quarta-feira, 16, pelo sistema on-line do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). O mecanismo será usado para incluir os funcionários da planta que estão afastados, em layoff. Mas SMC deixa claro que apoia a aprovação do acordo.


Assembleia na fábrica da Volkswagen no Paraná decidiu abrir votação eletrônica para apreciar proposta de acordo

“Desde que a Volkswagen nos procurou deixamos claro que nosso objetivo era evitar as demissões e que então buscássemos alternativas para procurar manter os empregos e a competitividade da empresa. Graças ao bom senso de ambas as partes, conseguiu-se tirar uma proposta de preservação e garantia dos postos de trabalho pelos próximos cinco anos. Com isso, há tranquilidade para que o trabalhador possa desempenhar bem sua função e a empresa possa se planejar para enfrentar o momento difícil pelo qual o País passa”, afirmou em nota Sérgio Butka, presidente do SMC.

O acordo também será votado nesta quarta-feira, 15, pelos empregados da fábrica de Taubaté (SP), onde além de todos pontos negociados nas outras unidades o sindicato (Sindmetau) afirma que conseguiu o descongelamento de um novo plano de investimento para a unidade, com a produção de mais modelos, incluindo o Polo (hoje só produzido na Anchieta) e uma nova versão chamada de Polo Track.

Para a fábrica de motores de São Carlos (SP), o sindicato local ainda não publicou o eedital de convocação de assembleia para apreciar a proposta da Volkswagen, mas isso deverá ocorrer em breve.

REAJUSTES PARCIALMENTE REDUZIDOS



Além da estabilidade, PDV e uso prolongado de layoff, o acordo também estabelece índices de reajustes salariais pelos próximos cinco anos, com algumas variações dependendo da fábrica. Em 2020 não haverá correção pelo INPC até o limite de 5%, só a inflação acima desse porcentual será aplicada, e a empresa vai pagar um abono (de R$ 6 mil no caso de São Bernardo).

Nas datas-base de 2021 e 2022 também será aplicado o INPC integral para correção dos salários, só acima de certos limites. De 2023 a 2025 os vencimentos voltam a ser corrigidos integralmente pelo INPC anual.

O programa de participação nos lucros e resultados (PLR) deste ano foi estabelecido em R$ 12,8 mil e será corrigido pelo INPC do ano anterior de 2021 a 2025. Caso o número de veículos produzidos nas quatro plantas no ano exceda o limite de 580 mil, as partes se comprometeram a reavaliar as condições da PLR.



Tags: Volkswagen, trabalho, demissão, cortes, layoff, proposta, assembleia, produção, sindicato, metalúrgicos, São Bernardo do Campo, São Carlos, Taubaté, São José dos Pinhais, pandemia, coronavírus, Covid-19.

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