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| 10/06/2010 | 00h00

Usiminas ainda avalia aumento nos preços do aço

Montadoras dizem que aço importado é mais barato.

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O presidente da Usiminas, Wilson Brumer, disse nesta quarta-feira, 9, que a companhia ainda avalia um eventual aumento nos preços do aço neste ano. "Não queremos nos antecipar sem estudar a situação, mas certamente se há um aumento de preços de matérias-primas, não podemos fechar os olhos."

Durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, várias siderúrgicas, dentre elas a Usiminas, sinalizaram que vão elevar os preços em consequência do aumento das cotações do minério de ferro e do carvão.

A Vale vai reajustar a tonelada do minério, a partir de julho, em cerca de 35%. Segundo Brumer, o setor siderúrgico tem consciência de que seus clientes precisam elevar a competitividade, mas essa pressão de custo não pode ser ignorada. "Ninguém aumenta preço porque quer", frisou durante a realização do "Fóruns Estadão - Região Sudeste", promovido pelo Grupo Estado.

O executivo argumentou que as siderúrgicas precisam manter margens adequadas para cumprir os investimentos programados. O setor deve aplicar cerca de US$ 40 bilhões até 2016 em expansão de fábricas e instalação de novas usinas no País. A respeito da possibilidade do governo zerar as tarifas de importação do aço, o presidente da Usiminas disse que esta é uma questão que tem de ser negociada entre o setor e o governo.

Segundo Brumer, já há um excesso de aço importado no Brasil. "O governo deveria estar preocupado com a importação de produtos que contenham aço." De acordo com ele, se considerados o aço mais os produtos de aço importados, o volume chega a cinco milhões de toneladas, o equivalente à produção anual da unidade de Ipatinga (MG) da Usiminas. "Certamente não estamos gerando emprego, nem movimentando nossa economia."

A respeito dessa questão, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu também a negociação entre governo e setor privado, mas disse que não é bom o governo falar em baixar alíquota de importação. "Parece ameaça ao setor produtivo, mas este é um mecanismo que pode ser utilizado." Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, afirmou que o governo ainda não tem evidências de um aumento abusivo no preço do aço doméstico, que justificaria uma redução da alíquota do imposto de importação do produto.

Minério

O presidente da Usiminas disse também que, num futuro próximo, as negociações de preços do minério podem passar a ser mensais. Antes do aprofundamento da crise econômica global, no final de 2008, as negociações costumavam ocorrer em bases anuais. Após a crise, elas passaram a ser feitas a cada trimestre. Brumer não especificou quando essas negociações poderão começar a ser feitas em base mensal e descartou a possibilidade de que isso ocorra ainda neste ano. Ele disse, contudo, que essa será uma realidade do setor.

Montadoras

Volkswagen e Fiat bateram forte nos preços do aço praticados no Brasil. Thomas Schmall, presidente da montadora alemã, disse que pretende elevar de 10% para 30% a participação do aço importado no total do metal utilizado na produção dos veículos da marca. Ele antecipou, ainda, que a Volkswagen pretende estimular os esforços para desenvolvimento de novos materiais automotivos, como plásticos.

Osias Galantine, diretor de compras da Fiat Automóveis, assegurou que o aço asiático está chegando 15% mais barato à porta da fábrica de Betim, MG, do que o material equivalente comprado da mineira Usiminas e outros fornecedores.

Fontes: Ana Conceição, Agência Estado, e Automotive Business.

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