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Eventos | 22/09/2010 | 10h47

Híbridos só com subsídio pesado, diz Mercedes

Tecnologia pode representar € 45 mil a mais nos veículos

Paulo Ricardo Braga, Automotive Business, de Hannover

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Paulo Ricardo Braga, de Hannover

Hubertus Troska, vice-presidente da Mercedes-Benz responsável pela operação de caminhões na Europa e na América Latina, recebeu jornalistas brasileiros dia 21 de agosto, terça-feira, durante a IAA (21 a 31 de setembro, com os dois primeiros dias reservados para a imprensa) para tratar de questões como os avanços tecnológicos na área de veículos comerciais e os planos da marca.

Cercado de inúmeros veículos híbridos e elétricos e alguns exemplares movidos à célula a combustível, expostos por diferentes marcas globais, ele deixou claro que o mundo ainda conviverá por muitos anos com os motores à combustão. No caso do Brasil, com um blend formado de diesel, biodiesel e possivelmente diesel obtido a partir de cana de açúcar, que tem mostrado bons resultados nos testes realizados com a Viação Santa Brígida, em São Paulo.

O executivo deixou uma alerta em relação aos elétricos e híbridos: eles só vão vingar com intensos subsídios de governos: “A diferença de custo em relação a veículos convencionais chega aos 45 mil euros no caso de híbridos e os clientes não estão dispostos a pagar por isso”. A Alemanha teria sido praticamente o único governo disposto a bancar metade dessa diferença.

Ele estima que os elétricos e híbridos representarão menos de 10% dos veículos novos na área de veículos comerciais nos próximos dez anos, incluídos aí leves como as vans. Nos próximos dois anos deve chegar uma nova geração de híbridos, mais eficientes. O centro de desenvolvimento da Mercedes-Benz para esses veículos está centralizado no Japão.

Sem definir os investimentos da Daimler na área de eletrificação, Troska garante que a marca estará na dianteira das pesquisas para oferecer as soluções mais avançadas. Ele enfatizou também que o estilo da marca é conduzir o desenvolvimento junto com os clientes.

Pressões

O executivo ressaltou, ainda, que os fabricantes de veículos não investem voluntariamente em novas tecnologias. “É mais comum sermos obrigados pela legislação, que aponta direção a seguir. Na Europa há pressões para redução de emissões. Em 2014 chegaremos a Euro 6, que exige investimentos significativos, bons combustíveis e trará um acréscimo de 10% ao preço dos veículos”.

Quando perguntaram porque as inovações demoram a chegar ao Brasil, ele explicou que há diversos interesses em jogo, como a capacidade do mercado absorver as novas tecnologias e as exigências da legislação. “Estamos nos preparando para Euro 5 a partir de 2012”, afirmou.

Quanto à atualização da linha Atego no Brasil, diante do avanço já registrado na Europa e revelado no estande da Mercedes, Troska esclareceu que os caminhões brasileiros serão adequados junto com a introdução de Euro 5, com um provável face lift. Milagre

A indústria de veículos comerciais passa por diferentes momentos em cada região do globo, segundo o executivo da Mercedes-Benz. Enquanto na Europa a retomada é lenta, o Brasil exibe um mercado interno vigoroso, como acontece na China e Turquia. A crise derrubou as vendas na Europa do patamar de 400 mil unidades por ano para quase a metade. “2008 foi um ano ótimo. Não sabemos quando voltaremos àqueles níveis”, admitiu. “Voltar a 330 mil unidades ou 350 mil estaria bom por enquanto”, disse Troska. “Gostaríamos que o milagre brasileiro também chegasse à Europa”.

Para a marca alemã, a receita para enfrentar os chineses ou qualquer outro competidor no mercado começa por uma visão de longo prazo. Troska entende que a legislação brasileira “vai bem” e determina que novas montadoras que pretendam se estabelecer no Brasil com sucesso terão que investir bastante – algo que ele ainda não viu. “Concordamos que é preciso dedicar muito tempo e dinheiro a pós-venda e serviços, não apenas em fábricas”.

Indagado se o Brasil poderia se tornar um centro de desenvolvimento de combustíveis alternativos, o vice-presidente da Mercedes-Benz respondeu que a ideia agrada e falou de iniciativas já em andamento na operação brasileira, como o teste de biodiesel e diesel de cana de açúcar.



Tags: Mercedes-Benz, híbridos, Viação Santa Brígida, Atego, Euro 5.

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