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Caminhões e Ônibus | 24/09/2010 | 09h55

IAA sinaliza recuperação de comerciais

Eficiência e híbridos estão em destaque na feira.

Paulo Ricardo Braga, Automotive Business

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Paulo Ricardo Braga, de Hannover

Matthias Wissman, presidente da VDA, associação da indústria de veículos na Alemanha, disse a 700 convidados especiais na abertura da edição número 63 do IAA, feira de veículos comerciais em Hannover (23 a 30 de setembro), que o encontro sinaliza claramente a retomada do setor. Ele se referia especialmente aos países europeus, já que em diversas partes do mundo o segmento já se recuperou e cresce dois dígitos, como no Brasil, China, Índia e Turquia.

O IAA é a mais importante feira do mundo na área de transporte, logística e mobilidade. A edição atual é a primeira após a profunda crise originada pelo tsunami financeiro internacional iniciado em 2008. Há nada menos que 272 lançamentos com expressivo grau de inovação, levados por 1.751 expositores de 43 países.

Centenas de brasileiros estão entre os visitantes, muitos dos quais ligados a empresas internacionais que estão expondo. Isso inclui as delegações de fabricantes como a MAN Latin America, Mercedes-Benz do Brasil e Iveco Latin America, que mobilizaram um grande número de executivos para atender convidados, clientes e jornalistas.

Os dias 21 e 22 foram reservados às entrevistas com centenas de jornalistas, organizadas no Centro de Convenções. Nessa ocasião foram revelados novos produtos, inovações tecnológicas e investimentos, como fizeram os presidentes de operações brasileiras Marco Mazzu (Iveco), Jürgen Ziegler (Mercedes) e Roberto Cortes (MAN).

Mazzu anunciou o lançamento no Brasil em outubro do Vertis, caminhão criado a partir de um projeto chinês que acabou sendo quase que integralmente refeito pela engenharia de Sete Lagoas, MG, onde fica a fábrica da Iveco. Acompanhado do CEO Paolo Monferino, ele destacou o crescimento da operação brasileira, que chegou aos 8,5% de participação e continua expandindo a rede de concessionárias com relativa facilidade.

Ziegler Jürgen ressaltou o lançamento do Actros no Brasil e o início da produção local do caminhão em Juiz de Fora, MG, com algum grau de nacionalização. O executivo pouco antecipou sobre o novo Atego brasileiro, que chegará junto com a norma Euro 5 e cabina igual à europeia.

Cortes mandou um recado à concorrência: as linhas de montagem do MAN TGX já estão operando a todo vapor para o lançamento no primeiro semestre de 2011. Assim, a empresa terá um produto de primeira linha para enfrentar o pesado Actros, da Mercedes-Benz, recebido com entusiasmo no Brasil. Ele enfatizou a utilização de três turnos de trabalho em Resende, RJ, e a construção do parque de fornecedores ao redor da fábrica do Consórcio Modular.

O presidente da MAN Latin America anunciou, ainda, que será utilizado o sistema de dupla franquia para a rede de distribuição: os concessionários mostrarão no show room veículos das marcas MAN e VW Caminhões.

Alemão e inglês, claro, são as línguas comuns em todos os estandes e apresentações. O português raramente aparece no material distribuído aos visitantes e jornalistas, mas há exceções: no estande da MAN os totens traziam informações sobre veículos e serviços destinados a brasileiros.

Retomada

Wissmann disse que a atual edição do IAA chegou em boa hora e permite tirar lições da tempestade que está se afastando e não chegou a eliminar players do mercado apesar da turbulência. “A recuperação começou no início do ano. Apesar dos níveis de produção pré-crise ainda estarem distantes na maioria dos casos, podemos dizer que o pior momento já passou” – acentuou o presidente da VDA.

O executivo disse que o segmento de vans foi o primeiro a se recuperar e bons sinais são registrados há alguns meses entre os pesados. Ele citou o avanço superior a 50% no Brasil e da ordem de 60% na China, que responde por quase metade das vendas globais de caminhões pesados. Na Índia as vendas de caminhões de grande tonelagem também dobraram este ano em relação a 2009.

Na abertura do IAA, feita por Ursula von der Leyen, ministra alemã do trabalho e assuntos sociais, Wissmann enfatizou que a indústria de veículos comerciais representa 7% do produto interno bruto da Alemanha e responde pelo emprego de 2,6 milhões de pessoas, das quais 180 mil estão diretamente ligadas a fabricantes de veículos e seus fornecedores.

Um dos termos exaustivamente repetidos nas apresentações foi ‘eficiência’ dos veículos, operações, sistemas e transporte. O conceito aparece também no título da IAA deste ano: “Commercial vehicles: efficient, flexible, future-proof.” O verde e a redução de emissões vêm a seguir nas mensagens.

Híbridos

A VDA explicou que inovações tecnológicas derrubaram em 85% a presença de CO2 no escapamento nos últimos 20 anos. Agora as iniciativas para completar a limpeza dos gases serão mais difíceis no setor de transporte e devem recorrer ao uso de gás natural e biocombustíveis, juntamente com a eletrificação do powertrain.

Há um consenso de que os híbridos (com motor elétrico e a combustão) têm potencial para reduzir em até 20% o consumo e as emissões na área urbana, recuperando energia no fluxo intermitente, e de 4% a 5% em longas distâncias. Mas em que medida os veículos do gênero chegarão ao mercado? Automotive Business fez esta pergunta a especialistas de diversas empresas e a resposta mais comum indica o patamar de 5% a 10% dos veículos novos em um horizonte de dez anos.

As vans são apontadas como uma boa oportunidade para o powertrain híbrido no transporte urbano. Os veículos pioneiros nessa área são ônibus, chamado de ecocampeões pelo presidente da VDA, que destaca também as iniciativas no campo das células a combustível.

Convencionais ou inovadores, os veículos comerciais são altamente flexíveis e insubstituíveis em inúmeras atividades – do transporte de passageiros ao suprimento a supermercados, recolhimento do lixo e atendimento à área de construção, serviços de emergência.

“Veículos comerciais são à prova do futuro e continuarão tendo papel preponderante no transporte global” – resumiu Wissmann. Uma visão compatível com as estatísticas do Brasil, onde dois terços do transporte de cargas é feito por rodovias.

Os organizadores do IAA encorajaram também jovens a entrarem na indústria de veículos comerciais. Além de uma campanha da VDA, os fabricantes e seus fornecedores promoveram o Recruiting Day, esclarecendo sobre oportunidades de escolha e carreira para novos técnicos e engenheiros.

Foto: Matthias Wissmann, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA).



Tags: VDA, IAA, Mercedes-Benz, Iveco, MAN, transporte, logística, mobilidade, Actros, TGX.

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