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Insumos | 04/10/2010 | 00h00

Vale pode ter centro de distribuição na China

Companhia pode desistir do plano caso não consiga apoio dos consumidores chineses.

Clarissa Mangueira, Agência Estado

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Clarissa Mangueira, Agência Estado

A mineradora brasileira Vale quer instalar um centro de distribuição de minério de ferro na China, mas não vai prosseguir com o plano se não obtiver apoio dos consumidores chineses, disse o diretor executivo para materiais ferrosos da companhia, José Carlos Martins.

A instalação de um centro de distribuição no maior mercado mundial para minério de ferro foi debatida há vários meses, mas ganhou pouca tração e tornou-se outro foco na disputa entre as mineradoras globais de minério de ferro e os compradores chineses sobre os preços do material siderúrgico. "O próprio mercado decidirá se precisa ou não do centro", afirmou Martins, durante uma conferência do setor na China.

As usinas siderúrgicas chinesas, lideradas pela China Iron & Steel Association (Cisa), foram contra a ideia de um envolvimento estrangeiro direto na distribuição doméstica de minério de ferro. Elas temem que isso possa levar à criação de um mercado à vista líquido dentro do país e a uma concentração maior do poder de fixação de preços nas mãos das mineradoras.

Segundo o executivo, não há nenhum movimento iminente nesta fase para definir um centro de distribuição na China. O centro não é "imprescindível na nossa estratégia, mas é algo que acreditamos ser bom para nossos clientes", porque permitirá que eles "comprem uma quantidade maior num prazo mais curto", disse ele.

Questionado se a Vale procurou aprovação do governo da China para instalar o centro de distribuição, Martins respondeu: "nós trabalhamos de acordo com as regras chinesas, nós obedecemos as regras chinesas".

Em março, a Qingdao Port Group, companhia de administração do porto chinês de Qingdao, afirmou que teve conversações preliminares com a Vale para desenvolver um terminal para navios com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minério de ferro, que a Vale pretende colocar em operação.

A notícia espalhou preocupações dentro da indústria doméstica de que o terminal poderia se tornar a base para o mercado spot. Martins se recusou a comentar se o centro de distribuição da Vale seria construído no porto de Qingdao, localizado no nordeste da China.

Os navios com capacidade para 400 mil toneladas são uma tentativa da Vale para reduzir sua desvantagem de ter de transportar minério de ferro por um percurso mais longo de navegação, o que aumenta os custos para os consumidores, quando comparados com a importação de minério de empresas rivais australianas, como a BHP Billiton e a Rio Tinto. Um total de 12 navios está sendo construído para a Vale pela chinesa Jiangsu Rongsheng Heavy Industries. O primeiro navio está previsto para entrar em operação em 2011.

Bolsa de Xangai


Martins afirmou que a Vale estará interessada em listar suas ações na Bolsa de Xangai, se as autoridades chinesas permitirem que companhias estrangeiras lancem seus papéis nas bolsas de valores locais. "Nós queremos oferecer liquidez para nossos acionistas, então, se mais mercados estiverem disponíveis, isso será considerado", disse o executivo.

A Vale afirmou na semana passada que planeja lançar seus recibos de ações na Bolsa de Hong Kong. A listagem "implica numa exposição direta da Vale ao mercado de capitais da Ásia, que é de tamanho considerável e o que mais cresce no mundo", disse a Vale num comunicado. O lançamento das ações precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores do país, mas a Vale espera que a listagem aconteça antes do final deste ano.

A Vale não especificou, porém, se os recibos serão baseados nas ações com direito a voto da companhia ou nas ações preferenciais.

Segundo Martins, o plano da Vale de listar suas ações em Hong Kong é um "desenvolvimento positivo". As informações são da Dow Jones.



Tags: Vale, minério, aço, China, distribuição, José Carlos Martins, siderurgia, siderúrgica.

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