Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias

Marketing e Lançamentos | 15/03/2011 | 16h38

Iata defende privatização de aeroportos no Brasil

Presidente da associação ressaltou necessidade do setor ter órgão regulador independente.

Silvana Mautone, Agência Estado

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Silvana Mautone, Agência Estado

O presidente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o italiano Giovanni Bisignani, defendeu hoje a privatização dos aeroportos brasileiros, por meio de concessões, mas ressaltou a necessidade de o setor ter um órgão regulador forte e independente para evitar que se criem monopólios, como ocorreu em outros países.

"Na Inglaterra, após a privatização, houve um aumento de 20% nas taxas cobradas pelos aeroportos. Situações semelhantes se repetiram em outros países como Itália, Espanha, Austrália e México. Só conheço dois países onde esse processo foi bem conduzido: na Índia e na Argentina, onde foi criado um órgão regulador forte e independente", afirmou.

Segundo Bisignani, o marco regulatório brasileiro, pelo qual a Infraero controla 94% dos aeroportos no Brasil, é obsoleto. "Terminais em 13 dos 20 maiores aeroportos do Brasil não atendem à atual demanda. Só São Paulo responde por 25% do tráfego aéreo no Brasil. Isso é uma situação embaraçosa para o Brasil", afirmou.

Bisignani disse que, sem mudanças profundas nos aeroportos brasileiros, o País não terá condições de atender à demanda da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. "O tempo está se esgotando para grandes projetos de infraestrutura", disse. Com relação à competitividade do setor, entre as mudanças propostas pela Iata está a abolição da taxa Ataero (Adicional de Tarifas Aeroportuárias).

Segundo a entidade, essa sobretaxa de 50% sobre as tarifas está em desacordo com os princípios da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês). Além disso, a entidade é contra a introdução de tarifas mais altas para horários de pico, como anunciou recentemente a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Margens das empresas aéreas

O aumento dos custos com combustível, em função da elevação do preço do petróleo com a crise no Oriente Médio, deve reduzir as margens das companhias aéreas este ano de 2,9%, em média, em 2010, para 1,4%, de acordo com estimativas da Iata.

"No ano passado, após uma década de perdas que superaram US$ 50 bilhões, o setor registrou globalmente lucro líquido de US$ 16 bilhões. Neste ano, porém, com o aumento dos custos com combustível, esse valor deve cair 46% e ficar em US$ 8,6 bilhões", afirmou durante palestra em São Paulo o italiano Giovanni Bisignani, presidente da entidade.

Segundo ele, o preço médio do barril de petróleo no ano passado ficou em US$ 79 e os custos com combustíveis representaram em torno de 26% das despesas operacionais totais das empresas aéreas. A Iata estima que, em 2011, o preço médio do barril de petróleo fique em US$ 96 e represente 29% dos custos totais. Segundo Bisignani, a cada dólar a mais no preço do barril de petróleo, os custos na indústria de aviação mundial sobem cerca de US$ 1,6 bilhão.

Apesar disso, ele considera que ainda são favoráveis as estimativas para o setor, já que a economia mundial continua dando sinais de recuperação. A entidade estima que a demanda no setor aéreo crescerá 5,7% no ano. O indicador de preço das tarifas (yield) deve subir 1,5% no setor de transporte de passageiros, enquanto no de carga o incremento deve ser de 1,9%.

Ele classificou a América Latina como uma região de destaque, já que deve registrar três anos consecutivos de lucro no setor aéreo: US$ 500 milhões em 2009, US$ 1 bilhão em 2010 e, este ano, US$ 300 milhões.

Maiores empresas

O presidente da Iata considera a fusão da brasileira TAM com a chilena LAN importante para o setor, mas disse que nem sempre isso é bem compreendido. "A Latam estará entre as cinco maiores empresas aéreas do mundo em valor de mercado e será a única não asiática do grupo" afirmou.

Segundo ele, a fusão das duas empresas mostra a habilidade da América Latina de inovar e liderar mudanças necessárias para o setor no mundo. "Juntas, a LAN e a TAM devem se tornar a terceira maior empresa aérea do setor, valendo cerca de US$ 12 bilhões", afirmou.

Esta semana o Tribunal de Defensa de La Libre Competencia (TDLC), no Chile, irá julgar se será aberta ou não uma consulta pública sobre a fusão das duas empresas. O pedido de consulta pública foi feito ao tribunal no final de janeiro pela Corporación Nacional de Consumidores y Usuarios de Chile (Conadecus), uma entidade de defesa do consumidor. Em função desse pedido, o tribunal suspendeu dias depois o processo de fusão das duas companhias aéreas.

No último dia 2, a união das duas empresas recebeu sinal verde no Brasil da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Mas o processo de fusão ainda precisa ser analisado por outros órgãos, como a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), ligada ao Ministério da Fazenda, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de seus equivalentes no Chile e nos Estados Unidos. Os acionistas das duas empresas também precisam aprovar a fusão.



Tags: Iata, Associação Internacional de Transporte Aéreo, aviação, aeroporto, privatização, Giovanni Bisignani.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência