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Mercado e Negócios | 11/04/2011 | 13h51

Não haverá invasão chinesa no mercado brasileiro

Afirmação é de Sérgio Habib, presidente da JAC.

Guilherme Manechinni

Guilherme Manechinni, AB

Mesmo com a revisão de expectativas de vendas de 35 mil para 45 mil veículos no primeiro ano da JAC Motors no Brasil, o empresário Sérgio Habib, responsável pela vinda da marca ao País, diz não acreditar em uma invasão chinesa no mercado nacional. As declarações foram dadas durante o II Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela Automotive Business, no Sheraton, em São Paulo.

Para Habib, as marcas chinesas terão de enfrentar desafios relacionados a qualidade, número de concessionários e instalação de fábricas para serem representativas no mercado nacional. “Talvez cheguem a 5% do mercado, mas não será uma invasão. Para isso seria preciso uma rede de 300 ou 400 concessionários, algo difícil em minha opinião”, afirmou.

Durante a palestra “O ponto de vista do importador”, Habib contou sobre sua experiência na China, o que, segundo ele, ajuda a entender o verdadeiro potencial das montadoras que tanto assustam os tradicionais participantes da indústria automobilística mundial.

“Visitei todas as montadoras chinesas. Tem de tudo, fabricante sério, não sério e também os completamente não sérios”, disse.

Entre os destaques negativos, o empresário citou os exemplos da BYD e Great Wall. No primeiro caso, Habib relatou que a BYD é a prova de que até mesmo o megainvestidor Warren Buffet se engana em suas apostas.

“Visitei a fábrica e é uma porcaria. Os funcionários trabalham sem equipamento de proteção, na fábrica tem muito óleo no chão...”

Em relação à Great Wall, Habib citou o custo da garantia oferecido pelo importador da marca no Chile, de 6%. “É uma empresa relativamente séria, mas com estruturas antigas. Gastam [os importadores chilenos] 6% do faturamento em custos de garantia, quando o ideal é 2%”, afirmou.

Depois de citar os exemplos negativos, o empresário justificou sua escolha pela JAC Motors. Entre os principais argumentos, ele disse que a presença de grandes sistemistas nos veículos da marca facilita a vinda ao Brasil. “Nosso painel é Visteon, tenho a Delphi no motor, os bancos são da Johnson Controls. São fornecedores que estão no Brasil, por isso posso oferecer seis anos de garantia.”

Ainda assim, disse Habib, diversas alterações foram pedidas para o início das vendas no Brasil. Entre elas estão: redução de ruídos do painel, mudanças nos bancos e novas configurações dos equipamentos de som.

E aí está a grande diferença, na percepção do empresário, que também foi o responsável pela vinda da Citroën ao Brasil. “Quando pedi uma alteração dos alto-falantes da Citroën, me informaram que demorava um ano. Na JAC, ofereceram diversas opções em semanas”, ressaltou.

A previsão da JAC é de comercializar 45 mil unidades neste ano e cerca de 100 mil em 2012. Mais que isso, disse o empresário, requer investimentos e provavelmente uma nova fábrica.

“Mais do que 100 mil carros, precisa ter fábrica. Se quisermos brigar pelo mercado de carros populares também, pois o frete chega a US$ 1.350”. Por fim, Habib resumiu os desafios da indústria automobilística chinesa: credibilidade. E, no caso das marcas chinesas, isso diz respeito a unir qualidade ao preço.

Sérgio Habib, importador dos carros chineses JAC Motors (Foto: Ruy Hizatugu)



Tags: Habib, chineses, garantia, BYD, Great Wall.

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