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Automóveis e Comerciais Leves | 12/04/2011 | 11h34

PSA cresce no Brasil para ganhar América Latina

Carlos Gomes, presidente, tem planos ambiciosos na região.

Wagner Gonzalez, Redação AB

Wagner Gonzalez, Redação AB

Português radicado no Brasil desde julho de 2010, Carlos Gomes mostrou no II Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela Automotive Business em São Paulo nesta segunda-feira, 11, que o grupo francês tem planos ambiciosos para as marcas Citröen e Peugeot na América Latina. Como consequência da inexistência de plantas do conglomerado na América do Norte, os investimentos no Brasil e Argentina estão garantidos.

“Embora sejamos o segundo fabricante de automóveis mais antigo do mundo, somos o grupo mais jovem no mercado brasileiro. Nesses dez anos tivemos alguns tropeços mas estamos crescendo. Já temos 5% do mercado e vamos ampliar nossa capacidade na América Latina para compensar o fato de não termos plantas no México ou nos Estados Unidos.”

A meta de Gomes é chegar a uma participação nas vendas de 7,5% na região. “Não temos ambição de ser líderes neste mercado, mas não abandonamos a proposta de ser referência em qualidade”, explica. Se ele admite que a participação no mercado brasileiro neste índice seja ainda maior no Brasil, a melhora dos produtos do grupo “já é uma realidade”. Esses objetivos serão consolidados com a renovação total da sua linha – que inclui a segunda geração da picape Hoggar – e chegar a 500 mil veículos fabricados por ano.

Obviamente nem tudo são flores nesse caminho e entre as dificuldades admitidas pelo executivo estão as dificuldades atuais com a nacionalização de algumas peças, em especial com as caixas de câmbio automáticas. Ele quer vencer algumas resistências decorrentes das características do mercado e do tamanho da rede das marcas. “Nossa rede de concessionários tem 160 pontos, enquanto as marcas líderes do mercado têm até quatro vezes esse número. Isso afetou principalmente as vendas da Hoggar, pois entre outras coisas tínhamos que vencer a fidelidade do consumidor, a característica mais forte desse segmento, e a missão de atendê-lo bem em todo o Brasil.”

O crescimento do grupo PSA, porém, não sofre tanto com o apagão da mão de obra tão comentado por outros líderes do setor. “Não temos tido problema desse tipo na planta de Porto Real no que se refere a profissionais de diversos setores”, afirmou, enfatizando o entrosamento com o governo do Rio para o preenchimento de vagas de vários níveis. “Essa parceria tem nos ajudado muito. A única área onde encontramos alguma dificuldade é com relação a profissionais com conhecimentos avançados, em particular nas áreas de motores e eletroeletrônica. Trata-se de uma demanda reprimida que envolve outros setores além da indústria automobilística”, disse o executivo.

Questionado sobre a tendência européia de restrição ao uso de automóveis equipados com motores de combustão interna nos grandes centros urbanos, Carlos Gomes lembrou que os diferentes valores da sociedade do velho mundo justificam uma transição que sob a ótica brasileira seria inviável. “Precisamos ter em perspectiva que um mercado de 3,5 milhões de unidades por ano, caso do Brasil, é pequeno em relação aos da América do Norte, Ásia e Europa. Além disso, o debate ecológico na Europa, em particular, é muito importante, e desde a mais tenra idade as crianças são educadas sobre essa importância. Estamos falando de um continente que tem valores sociais, de seguridade e educacionais bem particulares.”

A PSA informa ter sido o primeiro construtor a fabricar e a vender carros elétricos na França. O mercado que em três meses consumiu mil veículos, segundo Gomes. Questionado sobre a forma como um continente que ainda se recupera da grande crise financeira do final da década passada pode bancar a popularização de automóveis muito mais caros que os de combustão interna, o executivo defendeu que a utilização de carros elétricos por entidades públicas pode ser o início desse processo.

“Os elétricos são bastante adequados como veículos de entrega que circulam 200 a 300 quilômetros por dia, usados pelo correio e empresas públicas ou mistas. Há um efeito importante na redução de emissões. Estudos comprovam que a qualidade do ar pode aumentar em dez anos a média de vida do ser humano.”

FOTO: Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën para a América Latina (foto de Ruy Hiza).



Tags: PSA Peugeot Citroën, picape Hoggar, veículos elétricos, manufatura.

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