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10/11/2017 | 18h00

Comerciais

Caminhões adotam mais rápido os avanços tecnológicos

Redução de custos viabiliza introdução de sistemas sofisticados


PEDRO KUTNEY, AB

Avanços da tecnologia automotiva, como sistemas avançados de assistência ao motorista, direção semiautônoma e conectividade, devem ser adotados mais rápido no Brasil pelos caminhões. “No caminhão a conta fecha, novas tecnologias são viáveis porque trazem redução de custos e aumentam a rentabilidade da operação de transporte”, resumiu Oswaldo Ramos, gerente de marketing e vendas da Ford Caminhões, em sua participação no painel sobre veículos comerciais do Congresso SAE Brasil 2017, encerrado na quinta-feira, 9.

Como exemplo recente dessa adoção rápida de tecnologia, Ramos citou o Ford Cargo Connect (leia aqui), um protótipo com vários sistemas de condução semiautônoma ainda pouco vistos no Brasil que foi apresentado recentemente ao público na última Fenatran. “Ficamos impressionados com o interesse que os clientes demonstraram em querer ter caminhões assim rapidamente em suas frotas. Hoje a velocidade de absorção de tecnologia é muito rápida porque consumidor de veículos comerciais hoje é mais consciente. Ele faz contas e compra quando o modelo novo reduz o seu custo de operação”, explica.

“Veja o sensor de peso (introduzido no chassi do Cargo Connect que pode transmitir essa informação via internet ao gestor da frota), isso tem impacto direto nos ganhos, pois o transportador sabe quanta carga pode levar a cada ponto da viagem, pode distribuir melhor o peso e tornar o frete mais eficiente. Por isso a assimilação desse tipo de solução é imediata”, destaca o executivo. “As tecnologias de segurança que introduzimos no Cargo Connect (como frenagem automática de emergência e assistente de faixa de rodagem) também são entendidas como instrumentos para reduzir custos, pois acidentes custam caro”, acrescenta.

Outro exemplo de rápida absorção tecnológica pelos caminhões no Brasil é o caso do câmbio automatizado, já presente em mais de 90% dos modelos extrapesados vendidos atualmente no País. “Com isso o câmbio manual ficou até mais caro, só usado para aplicações específicas, porque todos descobriram a economia de combustível que o automatizado traz”, pontua Eronildo Santos, diretor de desenvolvimento de negócios da Scania.

CONECTIVIDADE

O avanço da conectividade também está em rota de alta velocidade no Brasil, seguindo a tendência mundial. “A telemetria reduz o custo da operação com o monitoramento de todos os passos do motorista, com correções que podem ser transmitidas on-line, mas também pode aumentar a produtividade, fazendo o caminhão ficar menos tempo parado ou rodando com carga abaixo de sua capacidade”, lembra Julio Steg, supervisor de marketing, TCO e conectividade da MAN Latin America. “Nós dessa indústria estamos mudando de fornecedores de hardware (o veículo) para softwares e serviços, a conectividade é fundamental para fazer isso acontecer”, ressalta.

“Estamos quase nos transformando em empresas de telecom”, concordou Erico Fernandes, gerente sênior de serviços e soluções da Mercedes-Benz. “A telemetria, ou telemática, comporta-se como um organismos complexo e adaptativo, todo o tempo precisamos desenvolver soluções novas e adaptativas para atender as necessidades dos clientes”, diz, dando como exemplo a evolução do sistema Fleet Board da Mercedes, que recentemente também ganhou funções de telediagnóstico, que detecta on-line possíveis problemas no veículo e emite alertas imediatos aos frotistas.

Eronildo Santos mostrou também como a conectividade já mudou o formato de manutenção na frota de novos caminhões Scania: “Já abandonamos a fórmula tradicional de parar o veículo em intervalos de quilometragem. Agora o sistema embarcado do caminhão diz qual é o melhor momento de parar”, explica. Outra novidade foi atrelar o custo da manutenção ao consumo de combustível: “Se consumir menos, paga menos. E para isso o veículo também conta com um tutor eletrônico que em tempo real ensina como gastar menos”, afirma.

“A tecnologia digital está mudando a indústria de transportes, tornando as frotas mais produtivas, mas é preciso lembrar que o caminhão conectado também melhora o desenvolvimento de produtos”, destaca Santos. Ele lembra que a Scania já tem 280 mil caminhões conectados no mundo e 5,5 mil no Brasil. “Imagine o potencial que temos em dividir com o pessoal de desenvolvimento as informações transmitidas por esses veículos.”

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