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Produção da Cummins deve crescer 31% em 2018
Linha de produção de motores da Cummins em Guarulhos (SP)

Powertrain | 10/08/2018 | 20h38

Produção da Cummins deve crescer 31% em 2018

Empresa espera fabricar 42 mil motores no ano; no 1º semestre o salto foi de 60%

PEDRO KUTNEY, AB

Depois de atingir o menor volume de produção no Brasil dos últimos 20 anos em 2016, quando fez apenas 24,5 mil motores diesel em sua fábrica de Guarulhos (SP), a Cummins está na rota para o segundo ano consecutivo de forte recuperação, acompanhando o crescimento dos fabricantes de veículos comerciais, seus principais clientes. A operação produziu quase 32 mil unidades em 2017, em alta de 30% sobre o exercício anterior, e este ano projeta fabricar 42 mil e repetir o mesmo ritmo de expansão, estimado em 31% para 2018 inteiro. Os números do primeiro semestre mais que confirmam a projeção, com 22 mil motores fabricados e avanço de 60% sobre igual período do ano passado. O fornecimento para caminhões aumentou 59%, para ônibus 75% e 58% para máquinas rodoviárias de construção.

Luis Pasquotto, vice-presidente da Cummins Inc. e presidente da empresa no Brasil, explica que o crescimento porcentual maior no primeiro semestre acontece porque a base de comparação dos mesmos seis meses de 2017 é baixa. No segundo semestre do ano passado o mercado cresceu mais e por isso de agora em diante o ritmo de expansão deve ser mais contido.

“Superamos o pior momento e continuamos moderadamente otimistas. Apesar das incertezas à frente, como eleições, desvalorização cambial e queda na confiança, o fato é que o mercado continua crescendo. Não é o mesmo nível do passado, mas seguimos em recuperação”, avalia Pasquotto.



Mesmo com o segundo ano de crescimento na casa dos 30%, o volume de motores a ser produzido pela Cummins este ano é menos da metade do recorde de quase 115 mil unidades alcançado em 2011 – uma distorção causada pela mudança da legislação brasileira de emissões no ano seguinte, que provocou o encarecimento de caminhões e ônibus com motorização Euro 5 e estimulou a compra de veículos Euro 3, mais baratos, fabricados até o fim de 2011. O volume se estabilizou em quase 70 mil unidades em 2013, mas depois não parou de cair até o fundo do poço de 2016.

“Nesses últimos anos precisamos fazer um esforço imenso para adaptar a fábrica e manter a rentabilidade, fomos obrigados a reduzir pessoal, trouxemos algumas operações para dentro de casa, mas não desistimos, o Brasil e a região continuaram a ser importantes para a estratégia global da companhia”, destaca Pasquotto. Segundo ele, a empresa voltou a contratar este ano e os investimentos continuaram sendo feitos.

Desde 2015 a Cummins informa ter investido R$ 400 milhões na modernização da fábrica de Guarulhos, ações de ganho de produtividade e melhorias de produto. A equipe local de engenharia participa de projetos globais e uma de suas missões atualmente é o desenvolvimento de motores Euro 6 mais eficientes e acessíveis para mercados emergentes, com o objetivo de atender à próxima etapa da legislação de emissões, prevista para mudar no Brasil somente em 2023, mas que deve vigorar antes, em 2021, no México e China.

GANHOS DE PARTICIPAÇÃO



Não é só o crescimento da produção de veículos comerciais no País que impulsiona a operação da Cummins, mas também ganhos de participação em negócios importantes. Um deles é a nova família de caminhões leves Volkswagen Delivery lançada no segundo semestre do ano passado, 100% equipada com motores ISF 2.8 e 3.8 da fabricante, que integra aos modelos também seus turbocompressores e sistemas de pós-tratamento de gases SCR. “Estamos sendo beneficiados pela expansão das vendas dos Delivery nos mercados interno e externo”, afirma Pasquotto.

Em outro novo negócio fomentado pela capacidade de desenvolvimento local, este ano a Cummins passou a fornecer à Ford seu motor ISB 6.7 repotencializado, que recebeu modificações para aumentar eficiência e potência para 306 cavalos. O motor foi lançado este ano na nova série Cargo Power de caminhões médios e semipesados da Ford (leia mais aqui). Segundo destaca Pasquotto, “o centro técnico no Brasil é uma chave do nosso sucesso, pois conseguimos atender com rapidez as necessidades dos clientes locais e também trabalhamos aqui em projetos globais”, destaca Pasquotto.

A Cummins também conquistou o fornecimento de 100% dos motores Euro 5 usados atualmente pela Agrale em seus caminhões e ônibus fabricados no Brasil e na Argentina.

Somando tudo, a Cummins aumentou em cerca de cinco pontos porcentuais sua participação de mercado e afirma que fornece motores para 30% dos caminhões e 26% dos ônibus vendidos no País. Na Argentina o domínio também cresceu para 20,5% (caminhões) e 25,6% (ônibus). Segundo a fabricante, seus motores estão em 57% dos caminhões leves, 67% dos médios e 11% dos pesados. “A cada três caminhões vendidos no Brasil hoje, um tem nosso motor”, aponta Pasquotto.

Também foi expressivo o crescimento dos volumes de fornecimento de turbocompressores e sistemas de pós-tratamento de emissões SCR. De janeiro a maio deste ano houve expansão das vendas de 44% (30,5 mil turbos) e 66,5% (20,4 mil SCR).

A região da América Latina, onde o Brasil é o maior mercado, em 2017 contribuiu com 6% do faturamento global da Cummins, que somou US$ 20,4 bilhões (US$ 2,5 bilhões acima do ano anterior), 58% realizados na matriz nos Estados Unidos e no Canadá, 11% na Europa e 10% na China. No primeiro semestre as receitas de US$ 11,7 bilhões ficaram 21% maiores do que o registrado no mesmo período do ano passado e o EBTIDA (lucro antes de impostos, despesas financeiras e depreciação de ativos) apurado de US$ 1,6 bilhão representou margem de 13,6% sobre as vendas totais.



Tags: Cummins, motores diesel, produção, resultado primeiro semestre.

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