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Exportações seguem em queda, prejudicadas pela Argentina

Indústria | 07/11/2018 | 16h05

Exportações seguem em queda, prejudicadas pela Argentina

Retração no ano é de 10,9%, mas Anfavea ainda enxerga desempenho positivo

WILSON TOUME, PARA AB

A crise do mercado argentino segue impactando negativamente as exportações da indústria automotiva nacional. De acordo com os números divulgados na quarta-feira, 7, pela Anfavea, associação das fabricantes instaladas no País, as exportações de veículos registraram queda de 10,9% no acumulado de 10 meses desde janeiro. Em outubro a redução foi de 1,8% sobre o mês anterior. Na comparação com outubro de 2017 o resultado negativo chama a atenção: 39,9%.

Apesar da queda, o presidente da entidade, Antonio Megale, preferiu enxergar o lado positivo da situação. Não será mais possível bater o recorde de exportações do setor atingido no ano passado, mas Megale lembrou que as vendas externas brasileiras seguem em alta numa perspectiva mais ampla. Segundo o dirigente, nos últimos dez anos, foram enviados, em média, 413,8 mil veículos para outros países no período entre janeiro e outubro. Como neste ano o acumulado é de 563 mil unidades, o resultado ainda está positivo. Além disso, houve crescimento nos embarques para outros mercados, especialmente Chile e Colômbia, que no entanto não compensam a retração argentina, pois têm mercados consumidores menores.



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Durante a apresentação da Anfavea, o presidente da entidade aproveitou para mandar algumas indiretas para o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que declarou recentemente que “o Mercosul não será prioridade” no novo governo. “A Argentina é extremamente importante para o Brasil”, afirmou, ao ser indagado sobre a declaração de Guedes. “Acredito que devemos ter uma área de livre comércio com nossos vizinhos para ganhar relevância em nível mundial”, completou.

Ainda falando sobre o novo governo, Megale disse que considera muito difícil que o Brasil consiga fechar acordos com a União Europeia – outro desejo do futuro ministro –, mas declarou que é a favor da iniciativa com ressalvas: “Apoiamos a abertura de mercado, desde que esse processo seja feito de maneira gradual. É importante garantir a competitividade de nossos produtos”, explicou.

ROTA 2030 EM XEQUE?



Perguntado sobre outra declaração do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que afirmou pretender “acabar com incentivos”, Antonio Megale lembrou, em tom de brincadeira, que antes de pensar em acabar com os incentivos, é preciso aprovar o projeto Rota 2030 - o que aconteceu na Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira em Brasília. Logo em seguida, mais sério, disse que espera que a nova equipe econômica analise bem o projeto, já que o mesmo “só traz benefícios a todos”. Além disso, o executivo fez questão de lembrar que os incentivos previstos só serão concedidos às empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento no País.

“Realizamos várias audiências públicas sobre o Rota 2030. Espero que alguém do futuro governo tenha analisado bem o projeto”, disse Megale.



Para o dirigente, um dos principais benefícios do Rota 2030 é que ele vai proporcionar previsibilidade às empresas. “Isso vai permitir que elas realizem planejamento a longo prazo, o que também gera segurança”, afirmou. “Somos líderes em pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis. Essa é uma tecnologia que tem de permanecer no Brasil, e o Rota 2030 vai contribuir para isso”, afirmou.



Tags: Anfavea, exportação, indústria, projeção 2018.

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